Objetivo:

Este blog constitui um complemento e a continuidade de blogs anteriores (ver as listas dos blogs na coluna da direita, bem como a explicação das mudanças, no post 488 deste blog, de 17 de junho de 2006). Ele visa, como os anteriores e os demais, apresentar e informar sobre livros, questões culturais em geral, bem como discutir temas de relações internacionais e de política externa do Brasil. Website: www.pralmeida.org.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

1496) Muro de Berlim: Seminario na UnB sobre os 20 da queda

O Departamento de História da UnB, a Embaixada da República Federal da Alemanha e o Goethe-Zentrum Brasília convidam para o evento:

Além do Muro - 20 Anos da Queda do Muro de Berlim

Quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Auditório da Reitoria da UnB

Programa:

8.30 - Abertura

9.00 - Documentário: A Queda do Muro de Berlim

9.30 - Palestra do Prof. Dr. Edgar Wolfrum (Universidade de Heidelberg):

Dois eventos que marcaram a época: Construção (1961) e Queda do Muro de Berlim (1989) - Comentários: Estevão Martins e Wolfgang Döpcke (UnB)

14.30 - Mesa Redonda I: Muros simbólicos e reais

Hartmut Günther (UnB): (I)mobilidade e (des)apego: Reflexões sobre um muro

Gustavo Lins Ribeiro (UnB): A queda de todos os muros

16.30 - Mesa redonda II: O mundo após a queda

Paulo Roberto Almeida (MRE): Um outro mundo possível: Alternativas históricas, antes e depois do muro de Berlim

Virgílio Caixeta Arraes (UnB): Estados Unidos: da liderança eufórica à crise de confiança (1989-2009)

ftp://ftp.unb.br/pub/unb/dh/ALEM_DO_MURO-cartaz2.pdf
ftp://ftp.unb.br/pub/unb/dh/FOLDER_20_ANOS_4.pdf

1495) Politicas raciais: o caso da compensacao

A política de cotas raciais e a Teoria Compensatória
Roberta Fragoso Kaufmann
Exclusivo para o Blog Contra a Racialização do Brasil
09 Nov 2009

Os defensores dos programas afirmativos racialistas procuram justificar a opção por tais medidas a partir, basicamente, da teoria da Justiça Compensatória, que se lastreia na retificação de injustiças ou de falhas cometidas contra indivíduos no passado, ora por particulares, ora pelo governo. O fundamento deste princípio é relativamente simples: quando uma parte lesiona a outra, tem o dever de reparar o dano, retornando a vítima à situação que se encontrava antes de sofrer a lesão. Propriamente dita, a teoria compensatória é a reivindicação para que se repare um dano ocorrido no passado em relação aos membros de determinado grupo minoritário.

Por meio desta teoria, assevera-se que o objetivo dos programas afirmativos para os afrodescendentes seria o de promover o resgate da dívida histórica que os brancos possuem em relação aos negros por havê-los submetidos à escravidão no passado[1].
...
O problema da adoção dessa teoria para justificar a imposição de políticas afirmativas racialistas é que se afigura deveras complicado responsabilizar, no presente, os brancos descendentes de pessoas que, em um passado remoto, praticaram a escravidão. Ademais, é praticamente impossível, em um país miscigenado como o Brasil, identificar quem seriam os beneficiários legítimos do programa compensatório, já que os negros de hoje não foram as vítimas e eventualmente podem descender de negros que tiveram escravos e que jamais foram escravizados. Culpar pessoas inocentes pela prática de atos dos quais discordam radicalmente promove a injustiça, em vez de procurar alcançar a eqüidade.
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Assim, a teoria compensatória não pode ter espaço quando os indivíduos que são tratados como um grupo - o dos descendentes dos antigos senhores escravocratas — não endossaram as atitudes em relação às quais serão responsabilizados ou, então, não exerceram qualquer tipo de controle em relação a elas. Por outro lado, por meio da idéia de justiça compensatória, a reparação seria efetivada para aqueles que não sofreram diretamente o dano. Ofende-se, deste modo, idéias mínimas e elementares da responsabilidade civil.
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Como bem aponta Fiscus[2], constitucionalista norte-americano, há duas objeções relacionadas ao argumento da justiça compensatória para as ações afirmativas. Elas são fundamentadas nos princípios complementares de que a compensação deveria ser paga à pessoa prejudicada e de que deveria ser pago por aquele que ocasionou o dano. Programas de ações afirmativas baseados na justiça compensatória fracassam de várias maneiras. Sustentar que os descendentes de milhões de negros lesionados ao longo de nossa história têm direito à compensação, pelo prejuízo ocasionado aos seus ancestrais em um passado longínquo, é violar o primeiro princípio da justiça compensatória, que os sujeitos da compensação sejam aqueles verdadeiramente prejudicados.
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Assim, políticas indenizatórias para reparar a dívida histórica da sociedade em relação a determinadas categorias não seriam legítimas porque, em termos de compensação pelo dano sofrido, somente aqueles que foram diretamente lesionados poderiam pleitear a reparação correspondente e contra quem efetivamente ocasionou o prejuízo.
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Acaso adotássemos a teoria de que a compensação poderia evoluir no tempo e no espaço e se constituir em uma verdadeira herança maldita para a sociedade em geral, o exercício da retórica nos levaria a argumentos teratológicos, como tentar abraçar essa tese em relação a qualquer forma histórica de opressão, e, assim, acreditarmos que até mesmo países inteiros, que foram colonizados e/ou oprimidos, poderiam exigir políticas compensatórias por parte dos países colonizadores e/ou opressores.
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Desse modo, almejar dividir com as pessoas de hoje a obrigação de reparar os erros e as falhas cometidas pelos ancestrais poderia ensejar um perigoso jogo de responsabilização ad infinitum, baseado em pedidos igualmente absurdos. Em sendo assim, por que não pleitearmos indenização a Portugal, devido à espoliação das riquezas brasileiras — açúcar, café, tabaco, minérios, ouro e diamantes? Por que não direcionarmos a Portugal e à Inglaterra a indenização a ser devida aos afro-descendentes, já que foram os portugueses e ingleses quem organizaram o tráfico de escravos e a escravidão no Brasil? Poderíamos ainda pleitear indenização dos holandeses, que esbulharam o Nordeste, especialmente Pernambuco. E dos franceses, que invadiram o País diversas vezes, chegando a formar a França Antártica, no Rio de Janeiro e a França Equinocial, no Maranhão.
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Com efeito, de nada adiantaria pleitear ressarcimento, nesses termos, porque a resposta, se é que chegaríamos a ter qualquer tipo de reação diversa da solene ignorância a tresloucados pedidos, seria uníssona: “não podemos ser responsabilizados hoje por um fato cometido há quinhentos anos”.
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Argumentos de justiça compensatória, no contexto das ações afirmativas, vão de encontro à forte e arraigada oposição jurídica às responsabilidades de grupo e aos direitos de grupo — castigando ou recompensando um indivíduo simplesmente porque pertence a um determinado grupo e não por sua responsabilidade ou mérito individual.
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NOTAS DE RODAPÉ
[1] Como um exemplo da tentativa de utilização da teoria de justiça compensatória no Brasil, temos a proposta de autoria do então Deputado Paulo Paim, no qual se previa uma compensação a ser paga a cada um dos descendentes de escravos no Brasil no valor de R$102.000,00 (cento e dois mil reais) - o Projeto de Lei nº 3.198/2000. O interessante é destacar que não há no projeto qualquer menção de como essa receita seria obtida. E, sobretudo, não há disciplina no projeto sobre como se faria a prova de quem poderia ser considerado descendente de escravos no País. Em um País altamente miscigenado, como o Brasil, a aposta em medidas como estas representaria gastar o equivalente a sete vezes o valor do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. Segundo os dados do Censo de 2000, os afrodescendentes se constituem em 44% da população, o que em termos absolutos significa, aproximadamente, 75 milhões de pessoas. A indenização proposta por Paulo Paim simplesmente atingiria um montante de 7.650.000.000.000, ou seja, 7 trilhões e 650 milhões de reais. Ora, considerando que o PIB do Brasil está na ordem de 1 trilhão, seria preciso unir a riqueza de sete países do porte do Brasil para poder saldar a dívida, acaso a proposta vire lei. Assim prevê o projeto: “CAPÍTULO III. Do Direito à Indenização aos Descendentes Afro-Brasileiros. Artigo 14: O resgate da cidadania dos descendentes de africanos escravizados no Brasil se fará com providências educacionais, culturais e materiais referidas na presente lei. § 1°- A União pagará, a título de reparação, a cada um dos descendentes de africanos escravizados no Brasil o valor equivalente a R$102.000,00 (cento e dois mil reais). § 2°- Terão direito a este valor material todos os descendentes de africanos escravizados no Brasil nascidos até a data de publicação da presente lei. § 3º - O Governo, na esfera federal, estadual e municipal, assegurará a presença do descendente de africano nas escolas públicas, em todos os níveis. § 4º - O Governo providenciará políticas compensatórias para os descendentes de africanos escravizados, executando a declaração de das terras remanescentes de quilombos, reforma nos currículos, assegurando políticas de emprego, direito à imagem e acesso à mídia, assim realizando políticas habitacionais em centros urbanos. § 5º - Compete à União, o ônus da prova contestatória às reivindicações de reparações propostas individual ou coletivamente pelos descendentes de africanos escravizados no Brasil”.
...
[2] FISCUS, Ronald J. The Constitutional Logic of Affirmative Action. Edited by Stephen L. Wasby; Foreword by Stanley Fish. Durham and London: Duke University Press, 1992, p. 9 e 10. Tradução livre.

1494) Guerra comercial com os EUA: lista de bens para sofrer retaliacoes comerciais

Camex divulga lista de 222 produtos dos EUA que podem sofrer retaliação
Arnaldo Galvão, de Brasília
Valor Econômico, 10/11/2009

Está aberta, até 30 de novembro, a consulta pública sobre a lista com 222 itens tarifários importados dos Estados Unidos que podem ter tarifas elevadas em até 100 pontos percentuais no âmbito da retaliação contra produtos daquele país. A secretária-executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex), Lytha Spíndola, informou que, depois de encerrada a consulta, um grupo de análise técnica vai levar suas sugestões aos ministros até 10 de dezembro. O objetivo é iniciar a retaliação em janeiro.

Em 31 de agosto, o Brasil foi autorizado pela Organização Mundial do Comércio (OMC) a retaliar produtos americanos porque foram julgados irregulares os subsídios do governo daquele país aos produtores de algodão. Considerando o valor dos bens, a lista divulgada ontem envolve 10,6% das importações de produtos americanos em 2008 e alcança US$ 2,7 bilhões.

De acordo com os limites da retaliação definidos pela OMC, o valor total é de aproximadamente US$ 900 milhões, sendo metade em bens e o restante em retaliação cruzada em serviços e propriedade intelectual. A Camex também determinou que o teto das tarifas extras é de até 100 pontos percentuais. Lytha revelou que a Camex ainda não decidiu se vai usar essa retaliação cruzada, o que exigiria a publicação de medida provisória.

Em dezembro, os sete ministros que integram a Camex receberão, portanto, uma proposta de lista reduzida para decidirem o início da retaliação de aproximadamente US$ 450 milhões em bens. A câmara é integrada pelos ministros do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fazenda, Planejamento, Casa Civil, Agricultura, Relações Exteriores e Desenvolvimento Agrário.

A secretária-executiva da Camex explicou que, ao elaborar a lista preliminar de 222 itens, o objetivo do governo foi dar seguimento à decisão da OMC no caso dos subsídios americanos que prejudicaram os exportadores brasileiros de algodão. Ao mesmo tempo, procurou evitar perdas à produção e aos consumidores. Isso ocorreria se tornasse mais cara a entrada de máquinas e equipamentos e insumos para a produção industrial. Dessa maneira, dos 222 itens que integram essa versão preliminar da lista, 64% são produtos finais e os restantes são bens intermediários. Além de insumos e bens de capital, o governo procurou excluir da retaliação contra mercadorias americanas itens que não podem ser comprados no mercado interno ou em outros fornecedores.

De acordo com a balança comercial, as exportações para os EUA foram de US$ 12,92 bilhões de janeiro a outubro, o que representa queda de 45,9% sobre o valor do mesmo período em 2008. Nas importações, foram US$ 16,75 bilhões, o que representa redução de 22,7% sobre os mesmos dez meses de 2008.

A lista preliminar tem 222 itens porque a importação de produtos americanos relacionados ao algodão foi de aproximadamente US$ 60 milhões em 2008, valor insuficiente para a retaliação de US$ 900 milhões a que o Brasil tem direito.

Lytha ressaltou que a lista de 222 itens poderá ser aperfeiçoada, mas a versão preliminar divulgada ontem traz uma série de alimentos, medicamentos, cosméticos, plásticos, pneus, algodão, tecidos, vestuário, motores, congeladores, pilhas elétricas, fogões, microfones, alto-falantes, televisores, automóveis, motocicletas, barcos, lentes de contato, óculos de sol, materiais e aparelhos médicos, próteses, geradores de raio x, relógios de pulso, móveis de plástico etc.

Para a secretária-executiva da Camex, as empresas interessadas em sugerir alterações na lista de bens americanos que podem ter elevação da tarifa de importação, deverão dar preferência à manifestação por meio de suas entidades de representação.

Se a Camex aprovar a retaliação, medida esperada para dezembro, será a primeira vez que o Brasil usará esse tipo de reação autorizada pela OMC. Em duas outras oportunidades o país preferiu não retaliar. A primeira delas envolveu a disputa com o Canadá por subsídios à exportação de aeronaves. A segunda poderia ser uma reação à Emenda Byrd, norma que autorizava o governo americano a distribuir entre as empresas interessadas recursos decorrentes de direitos compensatórios e de antidumping.

1493) Acabou a dependencia do gas da Bolivia

Por razoes de boa vizinhança, se pretende continuar a importar o gás boliviano, mas a dependência acabou...

Sem a dependência de Evo
Editorial O Estado de S.Paulo, 7.11.2009

Com a entrada em operação, no próximo ano, do Gasduc III - o gigantesco gasoduto da Petrobrás que ligará a Bacia de Santos aos principais centros consumidores, o País estará livre da incômoda dependência do gás boliviano. Recorde-se que em 2006, quando o governo Evo Morales nacionalizou o setor de petróleo e gás, o fornecimento às indústrias brasileiras foi ameaçado.

Com capacidade de transportar 40 milhões de m³/dia, o Gasduc III, construído ao custo de R$ 2 bilhões, ligará a Estação de Cabiúnas, em Macaé, a Duque de Caxias. Sua capacidade é maior que a do Gasoduto Bolívia-Brasil, que transporta até 30 milhões de m³/dia e não opera a plena carga. 


A exploração do gás da plataforma continental altera a relação de forças com o governo boliviano. O embaixador em La Paz, Frederico Cezar de Araujo, por exemplo, precisou tranquilizar as autoridades bolivianas, declarando que as compras de gás não sofrerão corte depois do vencimento do contrato assinado entre os dois países em 1999, com prazo de 20 anos, para assegurar a oferta mínima de 24 milhões de m³/dia e máxima de 30 milhões de m³/dia. "Os volumes de exportação de gás da Bolívia para o Brasil não diminuirão", disse ele.
Só que, agora, comprar ou não será uma decisão exclusiva do Brasil.

Mas o mercado de gás natural está superofertado - e esta situação tende a se agravar. A produção brasileira é de 57 milhões de m³/dia de gás natural, dos quais 12 milhões de m³ são reinjetados nos poços; 10 milhões de m³, queimados ou perdidos; e a Petrobrás consome ou absorve 14 milhões de m³, restando 21 milhões de m³ para oferecer ao mercado. Acrescentando os 23 milhões de m³/dia importados da Bolívia - bem abaixo dos quase 31 milhões de m³/dia adquiridos no ano passado -, o consumo local total é da ordem de 44 milhões de m³/dia, contra os quase 59 milhões de m³/dia consumidos em 2008.

Com os investimentos previstos de US$ 39,9 bilhões, no período 2009/2013, os polos de Mexilhão, Uruguá, Merluza e Sul deverão assegurar o aumento da oferta de gás extraído da Bacia de Santos de 600 mil m³/dia, hoje, para 22,2 milhões de m³/dia.
Estão em fase avançada de construção 170 km de dutos submarinos que vão ligar Uruguá à plataforma MXL-1, e, desta, mais 145 km até Caraguatatuba, de onde serão distribuídos para o Sudeste, o Sul e o Nordeste - por intermédio do gasoduto Gasene. Outros 216 km de dutos vão unir a MXL-1 à área de Tupi. Já estão prontos 212 km do gasoduto marítimo de Merluza, entre a plataforma MLZ-1 e a unidade de tratamento RPBC, que receberá o gás dos Campos de Merluza e de Lagosta, também no litoral paulista.

Os investimentos em gás natural foram acelerados com o Plano de Antecipação da Produção de Gás, anunciado em 2007. Além de levar o Brasil à autossuficiência, a execução do plano resultará num excesso de oferta de gás da ordem de 20 milhões de m³/dia - ou mais.
"Há uma conjugação de fatores contribuindo para a baixa da demanda", afirmou o diretor da consultoria Gas Energy, Marco Tavares. Além dos preços elevados do gás, que levam as indústrias a dar preferência ao óleo combustível, as usinas termoelétricas deixaram de ser acionadas, porque sobra energia hidráulica.

Agora, em vez de economizar, será preciso estimular a produção e o consumo de veículos a gás. "Hoje temos nova oferta de gás e novo contrato de suprimento com a Petrobrás que permitem garantir o crescimento do mercado", declarou o gerente da Gás Natural, Marcelo Napolitano.
A empresa controla distribuidoras em São Paulo e no Rio. Como o consumo de gás natural veicular é pequeno, o maior desafio é estimular o consumo de gás em indústrias, comércio e na cogeração de energia. Um projeto da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) prevê o consumo de 1,5 milhão de m³/dia, capazes de gerar 150 a 200 MW de energia elétrica, além de vapor. Os contratos de curto prazo de venda de gás já mostram um recuo de preços entre 30% e 40%.


Com a autossuficiência em gás, ficarão afastados os riscos inerentes ao relacionamento político e comercial com o regime bolivariano de Evo Morales.

1492) Um ambientalista cetico, ou um negacionista racionalista

A proposito desta matéria do The Guardian, dando ao ambientalismo um status de religião no Reino Unido (link), um membro de uma lista de discussão de que também participo, Fabio Polli Rodrigues, escreveu o que segue.

"Meu irmão se formou em Geografia e defendeu no trabalho de conclusão de curso que o aquecimento global antrópico é uma fraude científica. Por incrível que pareça, isso foi defendido na USP e ele foi aprovado com nota máxima. Agora está fazendo mestrado em climatologia com o mesmo tema. Tive curiosidade de ler alguns trabalhos científicos (e outros nem tanto) do material de pesquisa e os achei muito interessantes.

Existem fortes evidências científicas contra a tese do aquecimento causado pelo homem. Quando essas evidências se tornam boas e fortes demais para serem ignoradas como coisa de lunáticos (para usar uma expressão do Al Gore), os aquecimentistas apelam para o chamado princípio da precaução: seria melhor presumir que o aquecimento esteja acontecendo e sendo causado pelo CO2, para o caso de isso estar correto. Não posso aceitar o "princípio da precaução" como científico, mas apenas como político.

Além do mais, as medidas mitigatórias custam muito para a humanidade. Verbas de pesquisa que poderiam estar sendo direcionadas para causas importantes estão sendo desperdiçadas. Os povos mais pobres são compelidos a usar "energia limpa", mesmo que isso seja muito caro e insuficiente para seu desenvolvimento. Um exemplo interessante é o de um posto de saúde no interior da África, que é abastecido por energia solar suficiente apenas para uma geladeira de vacinas, mas que não permite a instalação de qualquer outro equipamento. As verbas internacionais para o posto estão condicionadas à "energia limpa", então um simples gerador à gasolina está fora de cogitação.

A maior parte do material é de difícil compreensão para o público leigo, mas eu consegui encontrar alguma coisa mais simples, que eu pudesse entender. O Björn Lomborg, autor de "O Ambientalista Cético", publicou um livro interessante chamado "Cool It!", no qual ele demonstra que, mesmo que o aquecimento exista e seja causado pelo homem (ele acredita nisso), não vale a pena gastar dinheiro taxando as emissões de dióxido de carbono ou tomando qualquer outra medida mitigatória, pois mais vidas podem ser melhoradas (e salvas) se os recursos forem investidos em outras áreas. Ele é jornalista, mas não dá palpite em questão científica, usando sempre o que já foi produzido por quem entendia do assunto. O argumento econômico é impressionante e ele consegue escapar muito bem do que chama de "contabilidade macabra".

Outro que mostra evidências científicas muito interessantes é o Lawrence Solomon em "The Deniers". Ele fez uma compilação de quem são os cientistas que duvidam das conclusões do IPCC e demonstra que eles não são malucos nem pessoas de pouca expressão, mas gente qualificada e respeitada em seus campos de estudo. Aliás, ao contrário, muitas das evidências a favor do aquecimento global são obra de excelentes cientistas também, mas geralmente atuando fora de seu campo de especialização. Isso explica como gente da mais alta qualidade pode produzir facilmente respostas incorretas. No final ele fica em dúvida sobre quem está correto, mas fornece um material muito bom para início de pesquisa.

Por tudo isso, apesar de a decisão judicial ser lamentável (em vários aspectos), acho que o aquecimento se parece mesmo uma religião: mais uma questão de crença e de valores do que uma tese científica."
Fábio Polli

1491) Edital do Concurso do Itamaraty - 2010

CONCURSO DE ADMISSÃO À CARREIRA DE DIPLOMATA
COMUNICADO


O Instituto Rio Branco (IRBr) e o Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (CESPE/UnB) comunicam que o candidato poderá solicitar a inscrição exclusivamente via Internet, no endereço eletrônico http://www.cespe.unb.br/concursos/diplomacia2010, solicitada no período entre 15 horas do dia 10 de novembro de 2009 e 23 horas e 59 minutos do dia 13 de dezembro de 2009, horário oficial de Brasília/DF.

Brasília/DF, 9 de novembro de 2009.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

1490) A maioria dos brasileiros quer mais Estado

Um visitante, ou leitor, deste blog me sugere um tema para desenvolver neste espaço, ou em qualquer outro, relevante pelo seu próprio título"

No Brasil, 64% querem maior controle do governo na economia
BBC Brasil, 09/11/2009 - 06h48

A pesquisa feita a pedido da BBC em 27 países e divulgada nesta segunda-feira revelou que 64% dos brasileiros entrevistados defendem mais controle do governo sobre as principais indústrias do país.

Não apenas isso: 87% dos entrevistados defenderam que o governo tenha um maior papel regulando os negócios no país, enquanto 89% defenderam que o Estado seja mais ativo promovendo a distribuição de riquezas.

A insatisfação dos brasileiros com o capitalismo de livre mercado chamou a atenção dos pesquisadores, que qualificaram de "impressionante" os resultados do país.

"Não é que as pessoas digam, sem pensar, 'sim, queremos que o governo regulamente mais a atividade das empresas'. No Brasil existe um clamor particular em relação a isso", disse Steven Kull, o diretor do Programa sobre Atitudes em Políticas Internacionais (Pipa, na sigla em inglês), com sede em Washington.

O percentual de brasileiros que disseram que o capitalismo "tem muitos problemas e precisamos de um novo sistema econômico" (35%) foi maior que a média mundial (23%).

Enquanto isso, apenas 8% dos brasileiros opinaram que o sistema "funciona bem e mais regulação o tornaria menos eficiente", contra 11% na média mundial.

Para outros 43% dos entrevistados brasileiros, o livre mercado "tem alguns problemas, que podem ser resolvidos através de mais regulação ou controle". A média mundial foi de 51%.

"É uma expressão de grande insatisfação com o sistema e uma falta de confiança de que possa ser corrigido", disse Kull.

"Ao mesmo tempo, não devemos entender que 35% dos brasileiros querem algum tipo de socialismo, esta pergunta não foi incluída. Mas os brasileiros estão tão insatisfeitos com o capitalismo que estão interessados em procurar alternativas."
A pesquisa ouviu 835 entrevistados entre os dias 2 e 4 de julho, nas ruas de Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.

Globalização
O levantamento é divulgado em um momento em que o país discute a questão da presença estatal na economia.

Definir para que caixa vai a receita levantada com a exploração de recursos naturais importantes, como o petróleo da camada pré-sal, divide opiniões entre os que defendem mais e menos presença do governo no setor econômico.

Steven Kull avaliou que esta discussão não é apenas brasileira, mas latino-americana. Para ele, o continente está "mais à esquerda" em relação a outras regiões do mundo.

A pesquisa reflete o "giro para a esquerda" que o continente experimentou no fim da década de 1990, quando o modelo de abertura de mercado que se seguiu à queda do muro de Berlim e à dissolução da antiga União Soviética dava sinais de esgotamento.

Começando com a eleição de líderes como Hugo Chávez, na Venezuela, em 1998, o continente viu outros presidentes de esquerda chegarem ao poder, como o próprio Luiz Inácio Lula da Silva, Evo Morales (Bolívia) e Rafael Correa (Equador).

Mas Kull disse não crer que o ceticismo dos brasileiros na pesquisa "seja necessariamente uma rejeição do processo de abertura dos anos 1990".

"Vimos em pesquisas anteriores que os brasileiros não são os mais entusiasmados com a globalização", disse.

"Eles ainda são bastante negativos em relação à globalização, e o que vemos aqui (nesta pesquisa) é mais o desejo de que o governo faça mais para mitigar os efeitos negativos dela, melhorar a distribuição de renda e colocar mais restrições à atividade das empresas."

Mas ele ressalvou: "Lembre-se de que a resposta dominante aqui é que o capitalismo tem problemas, mas pode ser melhorado com reformas. A rejeição ao atual sistema econômico e à abertura econômica não é dominante, é que há um desejo maior de contrabalancear os efeitos disto".

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Meu comentário preliminar (PRA):
Eu não tinha nenhuma dúvida quanto a isso: os brasileiros amam o Estado, acham o estado o máximo, querem mais Estado, querem estar no Estado, viver no Estado, morrer no Estado (de preferência tornar-se imortais no Estado).
Eles não se dão conta de que estão pagando tudo isso. Não todos claro.
Hoje mesmo uma pesquisa informa que o setor público ganha o dobro do setor privado, para tarefas iguais. Os brasileiros talvez não saibam disso, pois do contrário a maioria que é do setor privado se revoltaria. Ou não?
Pode ser que isso os incite a fazer concurso e a viver no Estado, com o dobro de salário do que ganham atualmente. Pode ser...
Enfim, vou escrever sobre isso, certamente.

1489) 43 mil visitantes de 110 paises??? - deve ser engano...

O contador colocado na coluna da direita, abaixo, me avisa que tive mais de 43 mil visitantes de 110 países, inclusive Sudão e Belarus, o que me deixa perplexo.
Como é que pessoas desses paises visitam um blog desconhecido, redigido majoritariamente em Portugues, com temas absolutamente anódinos?
Deve ser brincadeira... ou uma estratégia comercial para me fazer upgradear (ugh!) para a versão Premium, paga, claro...
Don't believe...

1488) Cronica de um sequestro...

Secuestro estilo camorra
Yoani Sánchez
Licenciada en Filología. Reside en La Habana y combina su pasión por la informática con su trabajo en el Portal Desde Cuba.
yoani.sanchez@gmail.com

Cerca de la calle 23 y justo en la rotonda de la Avenida de los Presidente, fue que vimos llegar en un auto negro –de fabricación china– a tres fornidos desconocidos: “Yoani, móntate en el auto” me dijo uno mientras me aguantaba fuertemente por la muñeca. Los otros dos rodeaban a Claudia Cadelo, Orlando Luís Pardo Lazo y una amiga que nos acompañaba a una marcha contra la violencia. Ironías de la vida, fue una tarde cargada de golpes, gritos y malas palabras la que debió transcurrir como una jornada de paz y concordia. Los mismos “agresores” llamaron a una patrulla que se llevó a mis otras dos acompañantes, Orlando y yo estábamos condenados al auto de matrícula amarilla, al pavoroso terreno de la ilegalidad y la impunidad del Armagedón.

Me negué a subir al brillante Geely y exigimos nos mostraran una identificación o una orden judicial para llevarnos. Claro que no enseñaron ningún papel que probara la legitimidad de nuestro arresto. Los curiosos se agolpaban alrededor y yo gritaba “Auxilio, estos hombres nos quieren secuestrar”, pero ellos pararon a los que querían intervenir con un grito que revelaba todo el trasfondo ideológico de la operación: “No se metan, estos son unos contrarrevolucionarios”. Ante nuestra resistencia verbal, tomaron el teléfono y dijeron a alguien que debió ser su jefe: “¿Qué hacemos? No quieren subir al auto”. Imagino que del otro lado la respuesta fue tajante, porque después vino una andanada de golpes, empujones, me cargaron con la cabeza hacia abajo e intentaron colarme en el carro. Me aguanté de la puerta… golpes en los nudillos… alcancé a quitarle un papel que uno de ellos llevaba en el bolsillo y me lo metí en la boca. Otra andanada de golpes para que les devolviera el documento.

Adentro ya estaba Orlando, inmovilizado en una llave de kárate que lo mantenía con la cabeza pegada al piso. Uno puso su rodilla sobre mi pecho y el otro, desde el asiento delantero me daba en la zona de los riñones y me golpeaba la cabeza para que yo abriera la boca y soltara el papel. En un momento, sentí que no saldría nunca de aquel auto. “Hasta aquí llegaste Yoani”, “Ya se te acabaron las payasadas” dijo el que iba sentado al lado del chófer y que me halaba el cabello. En el asiento de atrás un raro espectáculo transcurría: mis piernas hacia arriba, mi rostro enrojecido por la presión y el cuerpo adolorido, al otro lado estaba Orlando reducido por un profesional de la golpiza. Sólo acerté a agarrarle a éste –a través del pantalón– los testículos, en un acto de desespero. Hundí mis uñas, suponiendo que él iba a seguir aplastando mi pecho hasta el último suspiro. “Mátame ya” le grité, con la última inhalación que me quedaba y el que iba en la parte delantera le advirtió al más joven “Déjala respirar”.

Escuchaba a Orlando jadear y los golpes seguían cayendo sobre nosotros, calculé abrir la puerta y tirarme, pero no había una manilla para activar desde adentro. Estábamos a merced de ellos y escuchar la voz de Orlando me daba ánimo. Después él me dijo que lo mismo le ocurría con mis entrecortadas palabras… ellas le decían “Yoani sigue viva”. Nos dejaron tirados y adoloridos en una calle de la Timba, una mujer se acercó “¿Qué les ha pasado?”… “Un secuestro”, atiné a decir. Lloramos abrazados en medio de la acera, pensaba en Teo, por Dios cómo voy a explicarle todos estos morados. Cómo voy a decirle que vive en un país donde ocurre esto, cómo voy a mirarlo y contarle que a su madre, por escribir un blog y poner sus opiniones en kilobytes, la han violentado en plena calle. Cómo describirle la cara despótica de quienes nos montaron a la fuerza en aquel auto, el disfrute que se les notaba al pegarnos, al levantar mi saya y arrastrarme semidesnuda hasta el auto.

Logré ver, no obstante, el grado de sobresalto de nuestros atacantes, el miedo a lo nuevo, a lo que no pueden destruir porque no comprenden, el terror bravucón del que sabe que tiene sus días contados.

1487) Recomendações aos comentaristas: alguns criterios...

Recomendações aos comentaristas
Paulo Roberto de Almeida
(9.11.2009)

Tenho recebido um número crescente de comentários neste e em meus outros blogs – sim, tenho vários, mas eles são voltados para objetivos diversos: resenhas de livros, eleições, textos de referência, etc. – e muito frequentemente nesses comentários surge um problema de postagem apropriada ou de pertinência quanto ao assunto.
Por essas razões, e tendo em vista preservar um ambiente de cordialidade e de saudável debate acadêmico neste espaço, permito-me fazer as seguintes recomendações quanto aos critérios que vou observar em relação aos eventuais comentaristas aqui aparecendo:

1) Evite linguagem vulgar ou depreciativa, pelo menos própria; por vezes a linguagem ofensiva faz parte do próprio texto que se pretende citar, de um terceiro, mas preferiria não ter um vocabulário muito “ofensivo”;

2) Concentre-se no foco do post, pois isto evita desvios muito grandes do assunto que está sendo tratado. Se desejar me escrever por qualquer outro motivo, mande uma mensagem pelo formulário de contato de meu site: www.pralmeida.org;

3) Você pode discordar de mim, mesmo em termos veementes, mas procure concentrar-se em argumentos objetivos, atacando as minhas idéias ou opiniões, não a minha pessoa, que não tem nada a ver com os argumentos (sou apenas o transportador material de certas idéias que existem na sociedade e raramente reivindico direito de autor sobre elas); evite adjetivos exclamativos, prefira substantivos contundentes, se for preciso; o importante, como sabemos, é a busca de um argumento embasado em fatos e também sustentado na possibilidade de verificação empírica (como se faz em trabalhos científicos), sem muitos impressionismos ou subjetivismos;

4) Não creio que necessite me ameaçar de algo; sou absolutamente transparente quanto a minhas opiniões e idéias; elas estão expostas em todos os meus trabalhos, quase sempre disponíveis em meu site. Portanto, se você não gostou de algumas delas, procure escrever o seu próprio artigo, embasado, segundo as regras clássicas do scholarly work; terei prazer em publicá-lo, mesmo contra as minhas idéias, desde que seja bem escrito e contenha argumentos de qualidade;

6) Nunca faço propaganda de ninguém, nem pretendo trabalhar para qualquer partido ou movimento de opinião; não assino manifestos e não participo de qualquer tipo de corrente. Portanto, não pretenda ver em mim o porta-voz de qualquer grupo, tendência ou partido. Escrevo o que eu mesmo penso, e jamais subscrevo às idéias de outrem, a menos que concorde com elas e assim o direi expressamente;

7) Sou absolutamente antiracista e não religioso (ou irreligioso), as duas únicas coisas absolutas que acredito ser. Portanto, não veja em minhas idéias qualquer defesa de grupos sociais ou étnicos ou qualquer defesa ou ataque a religiões. Não sou contra religiões, apenas indiferente a elas, a todas elas. Considero-as no mesmo plano antropológico, ou seja, crenças desenvolvidas pelas sociedades humanas ao longo da história, apenas isto. Não tenho nenhum sentimento religioso e não pretendo ter e este não é o espaço para debater crenças religiosas, a não ser no plano puramente histórico ou intelectual;

8) Outras “surpresas” sob forma de comentários serão resolvidas por mim em bases ad hoc. Tenho princípios e valores, mas não regras fixas para todas as situações da vida e acredito que devamos aplicar a racionalidade para tratar de casos imprevistos.

Uma última palavra aos “Anônimos” (eles são inúmeros a freqüentar estas paragens): eu não tenho objeção ao anonimato, pois entendo que muitas pessoas, por posição pessoal ou profissional, preferem não se expor a possíveis retaliações; escrevendo anonimamente, elas se sentem inclusive mais livres para expressar posições ou inquirir este blogueiro, do que o fariam de modo aberto; portanto, o anonimato pode servir à “economia política” da boa argumentação. No entanto, não abuse do seu direito de ser anônimo para ser grosseiro ou tentar fazer propaganda indevida, ou veicular idéias pouco recomendáveis (racistas, por exemplo) neste espaço. Eu tampouco me presto a propaganda política, mas aceito debater de boa fé questões políticas relevantes para o Brasil, não para grupos ou movimentos.
Eu lhe desejo satisfação intelectual ao freqüentar este espaço, pois esta é a única motivação que me leva a escrever, a transcrever, a copiar, a refletir sobre coisas importantes da vida social e a tentar fazer deste mundo um espaço melhor do que o que existe atualmente. Meus objetivos, aqui e alhures, são essencialmente didáticos e pedagógicos: acredito na melhoria das pessoas pelo poder do estudo, da reflexão, da convivência intelectual...

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 9 de novembro de 2009

domingo, 8 de novembro de 2009

1486) Argentina: nao temos de chorar por ela; eles é que deveriam chorar ao contemplar o que fizeram do país...

Argentina: “Corto y preciso”
Mario Vargas Llosa
8.11.2009

“Argentina, un país que era democrático cuando tres partes de Europa no lo eran, un país que era uno de los más prósperos de la Tierra cuando América Latina era un continente de hambrientos, de atrasados".
El primer país del mundo que acabó con el analfabetismo no fue Estados Unidos, no fue Francia, fue la Argentina con un sistema educativo que era un ejemplo para todo el mundo. Ese país, que era un país de vanguardia.
¿Cómo puede ser que sea el país empobrecido, caótico, subdesarrollado que es hoy?
¿Qué pasó?¿Alguien los invadió? ¿Estuvieron enfrascados en alguna guerra terrible?.
No, los argentinos se hicieron eso. Los argentinos eligieron a lo largo de medio siglo las peores opciones.
Eso es. El peronismo es elegir el error, perseverar en el error a pesar de las catástrofes que se le han ido sucediendo en la historia moderna del país. ¿Cómo se entiende eso?. Un país con gentes cultas, absolutamente privilegiado, una minoría de habitantes en un enorme territorio que es un continente que concentra todos los recursos naturales.
¿Por qué no son el primer país de la Tierra? ¿Por qué no tienen el mismo nivel de vida que Suecia, que Suiza?
Porque los argentinos no han querido. Han querido en cambio ser pobres. Han querido vivir bajo dictaduras, han querido vivir dentro del mercantilismo más espantoso. Hay en esto una responsabilidad del pueblo argentino.
Para mí es espantoso lo que ha ocurrido en Argentina.
La primera vez que fui allí quedé maravillado. Un país de clases medias, donde no había pobres en el sentido latinoamericano de la pobreza.
¿Cómo puede estar una pareja como los Kirchner gobernando ese país?
¡Qué degradación política, qué degradación intelectual!
¿Cómo es eso posible?

Mario Vargas Llosa (2009)

1485) Milovan Djilas: um profeta esquecido

Recebi o texto abaixo de uma amiga de lista, Regina Caldas, e confesso não saber quem é L Valentim. Apenas recomendo a leitura de seu texto, um resumo do que escreveu, em 1957, Milovan Djilas, um dos primeiros dissidentes do sistema comunista, na então Iugoslávia titoista.
Incrivel como, quarenta ou cinquenta anos depois das denuncias sobre a disfuncionalidade economica intrinseca, sobre a tirania e a perversidade humana do regime comunista, ainda tenhamos entre nós -- como no PCdoB, no PSOL, ou em outros movimentos, como na universidade, de maneira geral -- pessoas ingenuas a ponto de se deixarem embalar pelas supostas benfeitorias de regimes socialistas, essencialmente motivadas pela suposta "desigualdade" do capitalismo.
O veredito da Historia ha muito tempo foi proclamado. Mas existem pessoas que preferem nao ver...
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Paulo Roberto de Almeida

A Queda do Muro
L Valentin
08/11/2009

Hoje estamos comemorando os 20 anos da queda do muro de Berlim, evento que colocou a pá de cal na revolução bolchevista de 1917 na Rússia.

A lição que fica é que o comunismo e o socialismo NÃO RESOLVEM o problema social de ninguém, antes pelo contrário, resolvem apenas os problemas da elite dirigente enquanto transforma as massas populacionais em massa mesmo. Um ajuntamento amorfo de braços escravos – sem consciência, pensamento ou liberdade - trabalhando até a morte para dar prazer, riqueza e poder à cúpula dirigente.

Nessa ocasião nada melhor que lembrar trechos do livro lançado em 1957, A Nova Classe, de Milovan Djilas, ex-dirigente do PC da Iugoslávia, que pagou caro por tê-lo escrito.

Djilas, com 17 anos, se tornou inflamado líder de estudantes radicais em Montenegro. Entrou para o minúsculo Partido Comunista da Iugoslávia e, com Tito e outros, trabalhou na ilegalidade, tendo sido jogado na prisão como conspirador. Foi solto com o advento da segunda Guerra Mundial.

Nos anos em que se desenvolveu a campanha dos guerrilheiros, tornou-se lendário por sua destemida coragem. O fim da guerra o encontrou no quadrunvirato (juntamente com Tito, Kardelj e Rankovic) que dominou o partido e o novo governo, sendo geralmente reconhecido como o herdeiro aparente de Tito. Como chefe da propaganda e da imprensa era efetivamente o ditador do pensamento da Iugoslávia.
Mas, teve a coragem de manifestar dúvidas quanto à ditadura do tipo russo e ao terror à maneira de Stalin. Os seus acirrados ataques ao Kremlin contribuíram decisivamente para a condenação de Tito por Moscou em 1948, quando a Iugoslávia rompeu com a Rússia Soviética.
Em janeiro de 1954, Djilas escreveu uma sátira particularmente franca sobre a arrogância dos círculos governamentais, que forçou Tito a agir. Ordenou que Djilas fosse privado de todos os seus cargos e proibiu-o de escrever. Alguns meses depois, Djilas foi expulso do partido. Reduzido ao silêncio em sua terra, achou meios de publicar artigos completamente francos, na imprensa ocidental. Em princípios de 1955, foi preso e condenado a 18 meses com sursis. Mal havia expirado o prazo, foi de novo preso em conseqüência da revolta húngara, sendo condenado a três anos de prisão. Julgado novamente por ter escrito A Nova Classe, foi condenado a mais sete anos.

Os sucessores de Stalin foram obrigados a revelar um lodaçal de crimes repulsivos que caracterizaram a era de Stalin—25 dos 40 anos soviéticos. Até os mais encarniçados adeptos do comunismo não podiam deixar de ver que o idealismo fora substituído pela força bruta. Os levantes na Alemanha Oriental, nos campos soviéticos de trabalho escravo, na Polônia e especialmente na Hungria, mostraram a extensão e o vigor dos descontentamentos populares. Considerados em conjunto, esses fatos geraram uma “crise de consciência” em milhões de comunistas e simpatizantes dos dois lados da Cortina de Ferro. Perguntavam eles em voz alta e ainda mais no íntimo dos seus pensamentos por que foi que o sonho comunista se transformou no pesadelo soviético.

Milovan Djilas fornece algumas explicações significativas. A sua devastadora conclusão é que males como o terror dos expurgos, o trabalho escravo, o controle das consciências, decorrem inevitavelmente da ideologia comunista. Diz ele que quando o comunismo alcança a vitória tem de produzir “uma nova classe de proprietários e exploradores, formada por aqueles que têm privilégios especiais e prioridade econômica em virtude do monopólio administrativo que exercem”.

O mal básico do regime, em sua opinião, é que o mesmo grupo tem nas mãos “um monopólio da propriedade, da ideologia e do governo. O monopólio que a nova classe exerce em nome da classe trabalhadora sobre toda a sociedade é essencialmente um monopólio sobre a própria classe trabalhadora... É uma classe cujo poder sobre os homens é o mais completo que a história conhece... Havendo conseguido a industrialização, a nova classe nada mais pode fazer senão consolidar a sua força bruta e saquear o povo. Ela cessa de criar... O seu método de controle é dos mais vergonhosos da história. Os homens se assombrarão com as aventuras empreendidas e se envergonharão com os meios empregados para empreendê-las. Quando a nova classe se afastar da cena histórica—e isso deve acontecer—haverá menos tristeza com o seu desaparecimento do que houve em relação a qualquer outra classe precedente.”

Djilas mostra que quase não resta margem para a decência individual. As pessoas “que aceitavam as idéias e as divisas da revolução ao pé da letra, acreditando ingenuamente na sua concretização, são habitualmente eliminadas”.

“No regime comunista a insegurança é a regra de vida para o indivíduo. O Estado lhe dá oportunidade de ganhar a vida, mas sob a condição de submeter-se... O PODER OU A POLÍTICA É O IDEAL DAQUELES QUE TÊM O DESEJO OU A PERSPECTIVA DE VIVER COMO PARASITAS À CUSTA DOS OUTROS... Em conseqüência disso, a ambição sem escrúpulos, a bajulação e a inveja inevitàvelmente aumentarão. A ambição de fazer carreira e uma burocracia cada vez mais vasta são as moléstias incuráveis do comunismo.
O mundo tem visto poucos heróis tão dispostos ao sacrifício e ao sofrimento como foram os comunistas antes da revolução e durante a mesma. E provavelmente nunca viu indivíduos tão sem caráter como eles se tornaram depois que subiram ao poder.”

“A doença de que está atacada a economia Soviética não pode ser curada sem o único remédio que a oligarquia não tem coragem de ministrar—a liberdade. Nos termos mais simples da saúde econômica o problema insolúvel do comunismo é a “ausência de liberdade”.

“A tirania sobre o espírito” sob o comunismo: “É o tipo mais brutal de tirania; todas as outras tiranias começam e terminam por ela. A história perdoará os comunistas de muita coisa. Mas o estrangulamento de todos os pensamentos discrepantes com o objetivo de defender os seus interesses pessoais os pregará numa cruz infamante.”

O povo: “Os regimes comunistas são uma forma de guerra civil latente entre o governo e o povo. O espontâneo e não organizado descontentamento das massas populares nunca cessa nem diminui. A menos que desistam do poder, os governantes não terão outro recurso senão proceder como conquistadores estrangeiros na sua própria terra. Na superfície tudo parece tranqüilo, mas abaixo da superfície novas tempestades se preparam”... “Nenhum outro regime provocou ainda tão profundo e extenso descontentamento... um descontentamento total em que todas as diferenças de opinião pouco a pouco se perdem, salvo o desespero e o ódio. A insatisfação espontânea de milhões com os detalhes da vida quotidiana é uma forma de resistência que os comunistas não têm conseguido dominar.”

A atualidade (1957): “A idade heróica do comunismo passou, a época dos seus grandes líderes terminou. O comunismo está no auge do seu poder e da sua riqueza, mas sem novas idéias. Nada tem de novo para dizer ao povo. O processo de desintegração moral está bem adiantado. A unidade do movimento comunista mundial está incuravelmente ferida. Não há absolutamente possibilidades de que se restaure.”

Djilas acredita que o comunismo se opõe à tendência do resto do mundo e que portanto, o seu colapso é inevitável: “... o mundo seguirá o rumo em que vem vindo e deve continuar—no sentido de maior unidade, progresso e liberdade. O poder da realidade e o poder da vida sempre foram mais vigorosos do que qualquer espécie de força bruta e mais reais do que qualquer teoria.”

O “eixo do mal” formado agora - 20 anos depois da queda do muro e mais de 50 anos depois de Djilas - é comunista. A “Nova Classe” liderada por Lula contrariando Djilas, descobriu como contornar o descontentamento do povo e se firmar de uma forma espetacular. Sem mais nenhum comentário.

L Valentin
08/11/09

1484) Helmuth Kohl: o triunfo da liberdade (muro de Berlim)

Um extrato das memórias do arquiteto da unificação alemã, Helmut Kohl, sobre os episódios momentosos de 1989.
Sobre este tema, permito-me recomendar meu artigo recém publicado:
“Outro mundo possível: alternativas históricas da Alemanha, antes e depois do muro de Berlim”
Revista Espaço Acadêmico
(ano 9, n. 102, Novembro 2009, ISSN: 1519-6196, p. 25-29).

El triunfo de la libertad
Helmuth Kohl
El País, 08/11/2009

El ex canciller, figura clave en la unificación de Alemania, cuenta en este texto los pasos dados para lograr la unidad de su país, un camino que siempre vio en paralelo al de la unidad europea

El 9 de noviembre de 1989 cayó el muro de Berlín. Habían pasado más de cuatro decenios desde del comienzo de la guerra fría y 28 años desde el momento de su construcción.

De entre nuestros aliados europeos, sólo uno estuvo desde el principio a favor de la unidad: Felipe González
Me gusta citar a Bismarck: "Cuando el manto de Dios pasa por la historia, hay que saltar y agarrarse a él"

En los años setenta, una mayoría de la clase política alemana ya había renunciado a la idea de unificar su país

Gorbachov pagó un alto precio por su línea pacífica. Los alemanes jamás podremos estarle bastante agradecidos

Yo seguí la lógica de Konrad Adenauer. Quería una Alemania libre y unida en una Europa libre y unida

Durante décadas, el muro de Berlín no sólo desgarró familias, una ciudad y un país en dos partes, lo que ya es bastante malo. También era un símbolo de la guerra fría. Representaba la división de Berlín, de nuestro país, de Europa y del mundo en una parte libre y en una no libre.
Finalmente, el muro cayó de forma completamente pacífica, sin un tiro, sin derramamiento de sangre. Fue como un milagro. La protesta pacífica de las personas de la República Democrática Alemana (RDA) había ido cobrando impulso de forma lenta, pero continuada, a lo largo de los meses; y finalmente, era ya incontenible. El obstinado régimen del Partido Socialista Unificado (SED) de la RDA, que hasta el último momento había rechazado reformas fundamentales, fracasó por la voluntad de libertad de las personas, tal como Konrad Adenauer, el primer canciller de la República Federal de Alemania (RFA), había pronosticado hacía 40 años.
Después de la caída del muro, en noviembre de 1989, no iba a transcurrir ni siquiera un año hasta que alcanzáramos la reunificación en paz y libertad, con la aprobación de nuestros socios y aliados en el mundo. El 3 de octubre de 1990 pudimos celebrar el día de la unidad alemana. Fue un triunfo de la libertad.
Por tanto, el 20º aniversario de la caída del muro es para nosotros, los alemanes, sobre todo un día de gran alegría y gratitud. Al mismo tiempo, también representa para nosotros una fecha importante para tomar conciencia del contexto histórico en el que cayó el muro y en el que posteriormente se produjo la unidad alemana. Porque ni la caída del muro ni la reunificación son acontecimientos inevitables de la historia, que se dieron de ese modo, sin más.
Antes bien, la caída del muro y la reunificación son el resultado de un permanente y difícil acto de equilibrio político que se remontaba a 1945-1949 y que siempre fue extremadamente discutido. Era el constante equilibrio entre el distanciamiento y el acercamiento. Por un lado, se trataba de mantener abierta la cuestión alemana. Por otro, se trataba de construir, en la medida de lo posible y sin renunciar a las propias posiciones fundamentales, unas "relaciones normales" entre la República Federal de Alemania y la RDA, de facilitar la vida a las personas de la parte oriental de nuestro país y de contrarrestar el extrañamiento entre los alemanes del Este y del Oeste.
Yo jamás dudé de que el muro caería en algún momento y de que Alemania volvería a unirse. Pero siempre fue una pregunta abierta cómo y cuándo ocurriría esto. Durante largo tiempo ni siquiera supe si esto sucedería mientras viviera. Siempre estuvo claro que para que eso ocurriera debían concurrir muchas cosas; tal como sucedió durante los años 1989 y 1990. No sólo la voluntad de libertad de las personas de la RDA; no sólo la glásnost y la perestroika; no sólo la política de distensión entre Oriente y Occidente; no sólo el presidente de EE UU, George Bush; no sólo el secretario general soviético, Mijaíl Gorbachov; no sólo el canciller alemán: nadie se habría bastado por sí solo para llevar a cabo la caída del muro y la reunificación. Se requería más bien una feliz -me gustaría decir histórica- constelación de personas y acontecimientos.
También forma parte de la conciencia histórica saber que con la caída del muro aún no se había conquistado la unidad. Al contrario, nada estaba aún decidido el 9 de noviembre de 1989. Es cierto que se había abierto una rendija en una puerta, pero nada estaba decidido todavía en el día en que cayó el muro. La reunificación de nuestro país era más bien una lucha de poder político en torno al statu quo europeo y a los intereses de seguridad en el Este y el Oeste. Hasta el último momento, fue un acto de equilibrio en el campo de tensión de la guerra fría.
Para describir la situación en la que yo me encontraba entonces me gusta citar a Otto von Bismarck, porque no hay una imagen mejor: "Cuando el manto de Dios pasa por la historia, hay que saltar y agarrarse a él".
Para eso tienen que darse tres requisitos: en primer lugar, hay que tener la visión de que se trata del manto de Dios. En segundo lugar, debe sentirse el momento histórico; y en tercer lugar, hay que saltar y (querer) agarrarse a él. Para esto no sólo se requiere valor. Se trata más bien de valor e inteligencia. Porque en la política no se puede actuar como el general Zieten, que decidió batallas a favor de Federico el Grande de Prusia irrumpiendo desde el bosque y arrollando al enemigo en un ataque por sorpresa; eso no es ningún modelo para la política.
La política requiere sentido de lo factible, y también sentido para saber lo que es tolerable para los demás. Esto se aplicaba en especial a la cuestión alemana, y de forma muy singular a la época posterior a la caída del muro. El proceso de unificación política era sensible en extremo, porque nosotros, los alemanes, no estábamos solos en el mundo. En el momento en que la unificación parecía al alcance de la mano, hablar en defensa de la unidad alemana o embarcarse en discursos nacionalistas hubiera sido perjudicial en alto grado para la causa de los alemanes. Interiormente yo estaba, especialmente tras la caída del muro, mucho más adentrado en el camino de la unidad de lo que podía manifestar externamente.
Un ejemplo especialmente pertinente de lo que digo es mi programa de diez puntos, que presenté en solitario -es decir, sin someterlo a consulta alguna en el ámbito de la política nacional o internacional- en el Bundestag dos semanas y media después de la caída del muro, el 28 de noviembre de 1989. Como objetivo, en el punto décimo mencionaba expresamente la recuperación de la unidad estatal de Alemania, pero renunciaba conscientemente a fijar sus plazos. Con la hoja de ruta expuesta en diez puntos tomé la iniciativa en el camino hacia la unidad alemana y marqué inequívocamente la dirección. Esto era entonces lo máximo a lo que podía atreverme. Las reacciones lo volvieron a dejar claro.
(...) Yo siempre había trabajado en el sentido de una reunificación de mi país. Mi más profunda convicción era que teníamos que dejar abierta la cuestión alemana hasta que llegara el momento. A este respecto siempre me he visto en la continuidad de Konrad Adenauer. El primer canciller de la República Federal de Alemania marcó los cambios de aguja decisivos en la cuestión alemana. Desde el principio, Adenauer tenía un rumbo claro. Tras la Segunda Guerra Mundial, quería devolver a Alemania a la comunidad de los pueblos libres, quería una Europa libre y unida con una Alemania libre y unida. Estaba claramente al lado del Occidente libre, no deambulaba entre Occidente y Oriente. Para él, la integración de la República Federal en el Occidente libre y la vinculación a EE UU eran inequívocamente prioritarias a la reunificación alemana, que jamás perdió de vista tampoco.
Así, el 5 de mayo de 1955, día en el que las potencias occidentales declararon la soberanía de la República Federal, en el que la República Federal entró en la Unión Europea Occidental y en el que fue aceptada en la OTAN, Konrad Adenauer proclamó: "Vosotros nos pertenecéis, nosotros os pertenecemos. Siempre podéis confiar en nosotros, porque junto con el mundo libre no tendremos descanso ni pausa hasta que también vosotros hayáis reconquistado los derechos humanos y estéis pacíficamente unidos con nosotros en el mismo Estado".
También defendió obstinadamente que se reservara en exclusiva a la República Federal el derecho de representación de Alemania. Hoy hay a quien esto le parece una obviedad; pero en los inestables años posteriores a la Segunda Guerra Mundial era extremadamente incierto.
(...) La brutal represión del levantamiento popular de la RDA el 17 de junio de 1953 por las tropas soviéticas reafirmó a Konrad Adenauer en la idea de que no había una alternativa responsable a la integración en Occidente. Fue correcto que, en respuesta a la Nota de Stalin de marzo de 1952, los aliados occidentales, de acuerdo con el canciller federal, exigieran elecciones libres en toda Alemania como requisito para dar pasos ulteriores, pues la condición de Stalin era una Alemania neutral. Adenauer partía, con razón, de que una Alemania neutral crearía un vacío de poder en Europa que llenaría la Unión Soviética. El hecho de que durante su periodo de gobierno lograra, a pesar de todo, que en 1955 los últimos prisioneros de guerra alemanes retornaran de la Unión Soviética, subraya que para él la vinculación a Occidente no era un dogma que obstaculizara la salvaguardia de los intereses nacionales en el Este.
Desde mi punto de vista, las convicciones de Adenauer nunca habían perdido actualidad: una reunificación sin una firme integración en las alianzas occidentales hubiera llevado a nuestro país a la neutralidad. La consecuencia hubiera sido en última instancia una Alemania no libre en el ámbito de poder de la Unión Soviética. Por consiguiente, la caída del muro del 9 de noviembre de 1989 y la reunificación alemana del 3 de octubre de 1990 son, no en último término, la impresionante confirmación tardía del consecuente rumbo de Adenauer de vinculación a Occidente con la reserva de la reunificación, rumbo al que nos hemos mantenido firmes a lo largo de los años.
Es también cierto que mantener la firmeza en la cuestión alemana se fue haciendo más y más difícil, porque el espíritu de la época se oponía a ello cada vez con mayor fuerza. Cuanto más duraba la división, mayor era en la República Federal el grupo de quienes, cuando menos, se acomodaban a los dos Estados y querían aceptar la división de Alemania como realidad. Ya en los años setenta, la unidad era asunto primordial sólo para unos pocos en nuestra nación. No la mayoría de la gente, pero sin duda una mayoría de la clase política de nuestro país había renunciado hacía tiempo a la idea de la unidad. Esta postura era común a todos los partidos; la diferencia entre ellos estribaba en dónde estaba la mayoría del partido y dónde sus líderes.
Quien defendiera entonces la unidad era considerado o trasnochado o agitador de la guerra. Aún me acuerdo muy bien de aquella época en la que llegué a Bonn como líder de la oposición, en 1976. Como yo era uno de los pocos que aún creían en la unidad alemana, me gané la fama de ser un halcón. Cuando tomé posesión como canciller en 1982, mis adversarios políticos dentro de Alemania atizaron de inmediato los temores a que conmigo como jefe de Gobierno se iniciaría una supuesta "nueva edad del hielo" entre el Este y el Oeste. Mis adversarios se equivocaron, porque ocurrió lo contrario: bajo mi liderazgo político se fijaron los cambios de agujas esenciales en el camino hacia la unidad. Impulsé el proceso de integración europeo en tándem con el presidente francés, François Mitterrand. Me esforcé en lograr mejoras muy concretas de las condiciones de vida de los habitantes de la RDA, intenté no dar ningún motivo para las tensiones entre el Este y el Oeste, también mostré disposición al diálogo con la Unión Soviética, abrí posibilidades de cooperación y me mantuve firme, sin embargo, en mis posiciones básicas respecto a la política sobre la unificación alemana.
Con mi política seguí la lógica de Adenauer: la unificación europea y la unidad alemana son las dos caras de la misma moneda. Al principio de mi etapa como canciller, el proceso de unificación europea pasaba por una de sus horas más bajas. Muchos habían dejado de creer en la idea de Europa como casa común. (...) Cuando en 1989 la reunificación pasó a la agenda política, quedaban muchas cosas por hacer, pero con mi participación se habían logrado progresos esenciales: en los años ochenta habíamos firmado el Acta Única Europea con la que, entre otras cosas, se completaba el mercado único europeo. Ya desde mediados de los años ochenta, junto con el presidente francés, Mitterrand, habíamos marcado el camino para la introducción de una moneda común europea.
En cuanto a la política sobre la unificación alemana, al acceder a la cancillería dispuse que se ampliara el informe anual sobre el estado de la nación y que al título se le añadiera "en la Alemania dividida". Consideraba que se enviaba así una señal importante, tanto hacia el interior como hacia el exterior. Con el crédito de miles de millones a la RDA, gestionado principalmente por Franz Josef Strauss -con mi cobertu-ra-, retomamos las conversaciones con la RDA y logramos como contraprestación considerables mejoras humanitarias, como el desmantelamiento de las minas antipersona en la frontera entre las dos Alemanias, así como facilidades para la reunificación familiar y los intercambios comerciales mínimos.
La decisión de todas las decisiones en el camino hacia la unidad alemana fue el doble acuerdo de la OTAN [oferta a los países del Pacto de Varsovia de un acuerdo para limitar los misiles de alcance medio, combinada con la amenaza de desplegar armas nucleares de alcance medio en territorio europeo en caso de no llegar a un compromiso] que mi predecesor, Helmut Schmidt, impulsó contra la voluntad de su partido y que yo impuse en nuestro país frente a todas las resistencias. Hoy sigo tan convencido del acierto de esa decisión, como de lo difícil que fue tomarla en su momento. Fue una decisión muy solitaria. Todavía hoy tengo ante los ojos la imagen de los cientos de miles de manifestantes que salieron a la calle contra el doble acuerdo de la OTAN. Todavía me acuerdo del gesto gélido de los socialdemócratas cuando el socialista Mitterrand, en un discurso ante el Bundestag, se puso incondicionalmente de nuestra parte, incluso en contra de sus correligionarios alemanes... que con su rechazo estaban completamente aislados en Europa occidental.
Estoy convencido en lo más hondo de que sin el doble acuerdo de la OTAN el muro no habría caído en 1989 y de que en 1990 no habríamos alcanzado la reunificación. El mundo habría tomado un curso completamente distinto. El riesgo era evidente. Sin el doble acuerdo de la OTAN [el estacionamiento de nuevos misiles nucleares en territorio de la RFA, que fue considerado una señal fuerte de alianza con Occidente], la amenaza era un masivo desplazamiento del poder en Europa a favor de la Unión Soviética. La OTAN, con los estadounidenses, se habría retirado paso a paso de Europa central. La consecuencia habría sido que al menos la República Federal de Alemania, Austria y la RDA, y tal vez los países del Benelux e Italia, se hubieran convertido en las denominadas "zonas libres de armas nucleares y desmilitarizadas", mientras que la Unión Soviética habría extendido su ámbito de influencia y, sobre todo, se habría beneficiado de la potencia económica de la República Federal. (...)
Mi Gobierno también defendió las posiciones fundamentales de nuestra política sobre la unidad de Alemania. Entre ellas se contaba, sobre todo, la cuestión sobre la nacionalidad alemana. Me acuerdo muy bien del encendido debate que se desarrollaba precisamente en la época en la que accedí a la cancillería. El reconocimiento de la nacionalidad de la RDA sería, a lo largo de los años, una de las exigencias más tozudas de Honecker al Gobierno de la RFA. Yo tenía buenas razones para mi rotundo rechazo. Al renunciar a una sola nacionalidad alemana, habríamos renunciado de forma simultánea a la idea de una sola nación alemana, y habríamos disuelto con ello el lazo decisivo de comunidad entre las personas de ambas partes de Alemania y habríamos privado a las personas de la RDA una protección esencialísima y una buena medida de esperanza. Entre las consecuencias prácticas, habría estado que en 1989 Hungría no habría tenido base alguna en el derecho internacional para posibilitar de forma "legal" a nuestros conciudadanos el camino hacia la libertad. Y las personas de la RDA tendrían que haber solicitado asilo entre nosotros, como extranjeros.
Mantuve la invitación de mi predecesor Helmut Schmidt a Erich Honecker cuando accedí a la cancillería. Era necesario mantener el diálogo con la otra parte de Alemania. Cuando el secretario general del SED visitó finalmente Bonn en 1987, ligué la visita a la condición de que nuestros discursos en la zona oficial fueran emitidos en directo en la parte occidental y, sobre todo, en la parte oriental de nuestro país. Millones de personas de la RDA miraron aquella noche a través del telón de acero y pudieron ver en el televisor cómo le dije a Honecker: "La conciencia de la unidad de la nación está tan viva como siempre, y es inquebrantable la voluntad de mantenerla. En lo que respecta al Gobierno federal repito: el preámbulo de nuestra Ley Fundamental no es negociable porque responde a nuestra convicción. Ésta quiere una Europa unida, y llama a todo el pueblo alemán a completar la unidad y libertad de Alemania en libre autodeterminación".
(...) Como la CDU, también los socialdemócratas se sintieron siempre obligados a la cuestión alemana. Sin embargo, la diferencia entre ellos y nosotros consistía en que el SPD tenía una orientación cada vez más acusadamente nacional, y nunca aceptó la prioridad de la integración en Occidente con todas sus consecuencias. Mientras que la CDU, en su acto de equilibrio entre el acercamiento y la distancia, mantuvo siempre un claro distanciamiento, el SPD más bien mantuvo un curso de acercamiento al SED. (...) Naturalmente, también había entre las filas de la CDU, conforme al espíritu de los tiempos, defensores de un mayor acercamiento a la RDA y al régimen del SED, pero fueron marginales, nunca mayoritarios.
(...) Los aliados decisivos en nuestro camino fueron los estadounidenses. Una vez más, mostraron ser más una potencia protectora que una potencia ocupante, y se acreditaron como amigos de los alemanes. Desde el punto de vista del contenido, el discurso más importante de un presidente estadounidense respecto a la relación germano-estadounidense fue el que sostuvo George Bush a finales de mayo de 1989 en Maguncia, pocos meses después de ser elegido presidente de Estados Unidos. Fue una proclamación muy consciente, dirigida también a nuestros socios europeos y a la Unión Soviética, cuando Bush, en el contexto de las transformaciones geopolíticas, llamó a Estados Unidos y Alemania "partners in leadership" [socios en el liderazgo]. Durante la totalidad del proceso de unificación, siempre pude confiar personalmente en mi amigo George Bush, con quien durante todo el tiempo me concerté de forma estrecha. (...)
Muy similares eran las cosas con Mijaíl Gorbachov en lo referente a la confianza personal, aunque muy distintas en lo que tocaba a la cuestión alemana. El jefe de Estado de la Unión Soviética en un principio no quería la unidad alemana. (...) Con las palabras glásnost y perestroika abrió el camino a las transformaciones de todo el bloque oriental. Igualmente, y eso he podido constatarlo una y otra vez en mis conversaciones, no quería pensar hasta el final las consecuencias de su rumbo reformista. Quería la apertura del bloque del Este, pero no quería ver o darse cuenta del final que se derivaría necesariamente de él, también para la Unión Soviética. Su gran mérito sigue siendo que amoldó una y otra vez su política a las necesidades. Sobre todo, muestra de esto es que en los agitados días de la caída del muro de Berlín mantuvo los tanques soviéticos en los cuarteles y no hizo reprimir sangrientamente la rebelión. Durante todo el proceso de unificación mantuvo la línea pacífica. Nosotros, los alemanes, jamás podremos estarle lo bastante agradecidos por su valor. Con esto también él se expuso a un gran riesgo personal. En 1989 y 1990, Mijaíl Gorbachov tuvo que vivir bajo el temor constante de ser apartado mediante un golpe de Estado por los enemigos de las reformas en la Unión Soviética. Para nosotros esto habría significado que de la noche al día se volvieran a levantar sobre la frontera el muro y las alambradas, y que la cuestión de la unidad alemana quedara aplazada durante años.
Mijaíl Gorbachov pagó un alto precio por su línea pacífica. Me acuerdo bien de cómo Gorbachov, en su visita de junio de 1989 a Bonn, bajo la impresión de la gorbimanía en la RFA, me dijo que en su visita a la Markplatz de Bonn se había sentido como en la plaza Roja de Moscú. Cuando años más tarde, a finales de los años noventa, después del desmembramiento de la Unión Soviética, crucé con Mijaíl Gorbachov la plaza Roja de Moscú, la gente se apartaba de él.
Nuestros vecinos y socios europeos vivieron la caída del muro y la perspectiva de la reunificación alemana como una conmoción. Muchos contaban con que la unidad alemana llegaría, pero no mientras vivieran, ni desde luego en aquel momento. Por tanto, la caída del muro fue levemente inoportuna para la mayoría de ellos. (...) De entre nuestros aliados europeos, sólo uno estuvo desde el principio firmemente a nuestro lado: el presidente del Gobierno español, Felipe González, que ni un solo minuto permitió que surgiera la duda de dónde estaba su lugar. Margaret Thatcher fue la más franca entre los adversarios de la unidad y afirmó: "Prefiero dos Alemanias a una". También dijo: "¡Hemos derrotado dos veces a los alemanes, y aquí están otra vez!". La jefa del Gobierno británico, que finalmente, comprendiendo la inevitabilidad del proceso, dejó de cerrarse a la reunificación de nuestro país, había apostado equivocadamente por que Gorbachov jamás aceptaría la pertenencia a la OTAN de una Alemania unida. En esto, al menos en un principio, estuvo de acuerdo con François Mitterrand.
También del presidente de la Grande Nation vino alguna palabra poco amistosa antes de que finalmente se decantara por una posición clara y favorable a los alemanes. El cambio de Mitterrand, desde una postura inicialmente crítica hacia la reunificación hasta la aprobación, sin duda se basó de forma fundamental en que una vez más pude convencerle de esto: la unidad alemana y la unidad europea eran para mí las dos caras de la misma moneda.
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Este texto es un amplio extracto del prólogo de Helmut Kohl a su libro De la caída del Muro a la reunificación. Mis Memorias, que acaba de publicar Knaur Taschenbuch Verlag. La versión en castellano es responsabilidad de EL PAÍS. Traducción de Jesús Albores.

sábado, 7 de novembro de 2009

1483) Grandes ditaduras sempre tem medo de pequenos resistentes

Triste constatar que os totalitarismos se parecem, o que parece óbvio, mas não me refiro à repressão política, que é uma constante nesses regimes, mas a burrice, à estupidez consumada, que faz com que enormes aparatos repressivos se precipitem sobre cidadãos comuns, simples indivíduos que gostariam de levar uma vida normal, mas não conseguem, pois a vida em ditaduras comunistas é uma miséria moral e material.
Ditaduras de direita procuram reprimir o pensamento, oferecendo ao menos certas compensações materiais, típicas do capitalismo.
Ditaduras de esquerda, ademais da repressão intelectual, da ausência completa de liberdade, não conseguem sequer suprir os cidadãos com o mínimo indispensável para se viver normalmente.
Ao fim e ao cabo, caem por estupidez e incapacidade, mais até do que pela repressão em si.
Minha solidariedade a quem vocês sabem quem é (que acaba de ser proibida de vir ao Brasil lançar seu livro sobre sua vida numa pequena ditadura comunista).
Gostaria de ler uma dessas notas de governo, sempre atentas para lamentar episódios condenáveis em certos países, pronunciando-se, desta vez, sobre uma simples figura objeto de agressões por agentes de uma ditadura ordinária.

1482) Lancamento de livro em SP: Politica dos EUA para a América Latina

A Fundação Memorial da América Latina e o Instituto Nacional de Estudos sobre os Estados Unidos (INEU) convidam para a mesa redonda e lançamento do livro
De Clinton a Obama: políticas dos Estados Unidos para a América Latina,
publicado pela Editora Unesp.
Dia 17 de novembro, às 19h00, no Anexo dos Congressistas - Memorial da América Latina, Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664, Metrô Barra Funda.

Conteúdo do livro:
Apresentação. Luis Fernando Ayerbe.
1. Correntes de pensamento na formulação da política externa estadunidense após o fim da Guerra Fria. A equipe de governo de Barack H. Obama em perspectiva comparada. Ariel Finguerut
2. Concepções estratégicas sobre a segurança internacional dos governos de Bill Clinton, George W. Bush e Barack Obama. Alessandro Shimabukuro
3. Interesses nacionais dos Estados Unidos na América Latina. Os Planos Estratégicos do Departamento de Estado 1999, 2004, 2007. Flavio Contrera e Lílian Ribeiro Lima
4. A evolução da presença militar estadunidense na América Latina: 1993-2009. Bernardo Wahl G. de Araújo Jorge
5. Segurança e livre-comércio: a política comercial dos Estados Unidos para a América Latina. Thiago Lima
6. Segurança Energética dos Estados Unidos: as percepções de desafios na América Latina. Neusa Maria Pereira Bojikian
7. Crime internacional e segurança nacional: aspectos recentes do relacionamento entre Estados Unidos e América Latina. Paulo José dos R. Pereira
8. A influência dos Estados Unidos nos conflitos colombianos: drogas, guerrilhas e terrorismo (1994-2009). Fábio Borges
9. A Guerra Global contra o Terrorismo na América Latina: A Tríplice Fronteira Argentina, Brasil e Paraguai como uma ameaça à segurança dos Estados Unidos? Marcos Alan Fagner dos Santos Ferreira
10. O dimensionamento estratégico da segurança nas agendas latino-americanas de Estados Unidos, União Européia e China. Luis Fernando Ayerbe

1481) Declaração de Praga condena o comunismo por crimes contra a humanidade

Normalmente não assino manifestos. Aliás, não me lembro de jamais ter assinado algum. Seja porque não sou dado a aderir a "causas", quaisquer que elas possam ser (mesmo as mais beneméritas), seja porque nunca me ofereceram diretamente de assinar algum manifesto em favor de alguma causa qualquer. Sim, já recebi muitos, mas não sou, como disse, de assinar manifestos.
O que segue abaixo é um manifesto contra o comunismo, especificamente em sua forma européia, mas que pretende alcançar todas as suas formas (aliás, atualmente existentes fora do continente europeu).
De fato, os experimentos comunistas, desde 1917, são responsáveis por um número inacreditavelmente alto de mortos: fuzilados, massacrados, mortos em prisões, em gulags, assassinados por oposição política, sem esquecer os mortos de fome "fabricada" ou induzida por políticas esquizofrências, posto que também as houve, algumas deliberadas, em todos eles.
Também existiu (ainda existe em seus exemplares remanescentes) a miséria moral, a repressão aos direitos elementares, a censura, o totalitarismo, enfim, todo o cortejo de males bem conhecido de todos aqueles que podem e querem ver a realidade.
Claro, sempre existem aqueles que negam, minimizam ou que pretendem responder com alegações relativas aos "mortos sob o capitalismo" Patético, é o que se pode dizer...
Bem, o manifesto ou declaração abaixo está à disposição de todos aqueles que pretendem juntar-se a essa causa.
Eu não pretendo fazê-lo, pelas razões já expostdas, e por algumas outras sobre as quais elaborarei oportunamente.
Cabe leitura, reflexão, pesquisas adicionais, conscientização, apenas isto...
Paulo Roberto de Almeida


DECLARAÇÃO DE PRAGA

Tendo em conta o futuro digno e democrata de nossa comum pátria européia,

- Considerando que as sociedades que esquecem seu passado carecem de futuro;

- Considerando que a Europa não se unirá a menos que seja capaz de unificar sua história, de reconhecer o comunismo e o nacional-socialismo como um legado comum e de conseguir um debate sincero e profundo sobre todos os crimes totalitários do século passado;

- Considerando que a ideologia comunista é diretamente responsável por crimes contra a humanidade;

- Considerando que a má consciência que se deriva do passado comunista é uma pesada carga para o futuro da Europa e para nossos filhos;

- Considerando que diferentes valorações do passado comunista ainda podem dividir a Europa em Ocidente e Oriente;

- Considerando que a unidade européia foi uma resposta direta às guerras e à violência causada pelos sistemas totalitários no continente;

- Considerando que a consciência dos crimes de lesa-humanidade cometidos pelos regimes comunistas em todo o continente deve informar a todas as mentes européias, na mesma medida que os crimes do regime nacional-socialista;

- Considerando que existem similitudes entre o nacional-socialismo e o comunismo no que se refere a seus caráter horrível e espantoso, e a seus crimes contra a humanidade;

- Considerando que os crimes do comunismo ainda necessitam ser avaliados e julgados desde os pontos de vista jurídico, moral e político, assim como do ponto de vista histórico;

- Considerando que tais crimes foram justificados em nome da teoria da luta de classes e do princípio da ditadura do proletariado, que utilizam o terror como método para preservar o poder dos Governos que o aplicaram;

- Considerando que a ideologia comunista foi utilizada como uma ferramenta em mãos de imperialistas na Europa e na Ásia para alcançar seus planos expansionistas;

- Considerando que muitos dos autores que cometem e cometeram crimes em nome do comunismo ainda não foram levados ante a justiça, e suas vítimas ainda não foram indenizadas nem satisfeitas;

- Considerando que o objetivo de proporcionar informação completa sobre o passado totalitário comunista, que conduza a uma compreensão mais profunda e ao debate é uma condição necessária para a futura integração de todas as nações européias;

- Considerando que a reconciliação definitiva de todos os povos europeus não é possível sem um esforço potente para estabelecer a verdade e para restaurar a memória;

- Considerando que o passado comunista da Europa deve ser tratado a fundo, tanto na academia como ao público em geral, e as gerações futuras devem ter fácil acesso à informação sobre o comunismo;

- Considerando que em diferentes partes do mundo só uns poucos regimes totalitários comunistas sobrevivem, porém que, todavia, oprimem aproximadamente a um quinto da população mundial, e ainda se aferram ao poder cometendo delitos e impondo um alto custo para o bem-estar de seus povos;

- Considerando que em muitos países, apesar de que os partidos comunistas já não estão no poder, não se distanciaram publicamente dos crimes dos regimes comunistas nem os condenaram;

- Considerando que Praga é um dos lugares que sofreu tanto com o nazismo quanto com o comunismo,

Estando convencidos de que os milhões de vítimas do comunismo e suas famílias têm direito a desfrutar da justiça, da solidariedade, da compreensão e do reconhecimento de seus sofrimentos da mesma forma que as vítimas do nazismo foram moral e politicamente reconhecidos,

Nós, os participantes da Conferência de Praga Consciência européia e o comunismo,

- Ante a Resolução do Parlamento Europeu sobre o sexagésimo aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial na Europa, em 8 de maio de 1945, de 12 de maio de 2005,

- Ante a Resolução 1.481 da Assembléia Parlamentar do Conselho da Europa, de 26 de janeiro de 2006,

- Ante as resoluções sobre os crimes comunistas adotadas por vários Parlamentos nacionais,

- Ante a experiência da Comissão pela Verdade e a Reconciliação na África do Sul,

- Ante a experiência dos Institutos da Memória e os Memoriais na Polônia, Alemanha, Eslováquia, República Checa, Estados Unidos, o Instituto para a Investigação de Crimes Comunistas na Romênia, os museus da ocupação da Lituânia, Letônia e Estônia, assim como a Casa do Terror na Hungria,

- Ante as presidências atuais e futuras na UE e no Conselho da Europa.

- Ante o fato de que 2009 é o vigésimo aniversário da queda do comunismo na Europa Central e Oriental, assim como dos assassinatos em massa na Romênia e no massacre da Praça de Tianamen em Pekin,

Pedimos:

1. Chegar a um entendimento entre todos os europeus de que os regimes totalitários nazista e comunista devem ser julgados por seus próprios méritos terríveis, por ser destrutivo em suas políticas de maneira sistemática na aplicação das formas extremas de terror, da supressão de todos os direitos civis e das liberdades humanas, começando pelas guerras de agressão e, como uma parte inseparável de suas ideologias, o extermínio e a deportação de nações inteiras e grupos de população, e que como tais devem ser considerados os principais desastres que frustraram o século 20,

2. O reconhecimento de que muitos crimes cometidos em nome do comunismo devem ser qualificados como crimes de lesa-humanidade, de modo que constituam uma advertência para as gerações futuras da mesma maneira que os crimes nazistas foram julgados pelo Tribunal de Nüremberg,

3. A formulação de um enfoque comum a respeito dos crimes dos regimes totalitários, incluídos os regimes comunistas, e uma versão européia dos crimes comunistas, a fim de definir claramente uma atitude comum frente aos crimes dos regimes comunistas,

4. A introdução de uma legislação que permita aos tribunais de justiça julgar e condenar os culpados pelos crimes comunistas e compensar as vítimas do comunismo,

5. A garantia do princípio de igualdade de tratamento e não-discriminação entre as vítimas de todos os regimes totalitários,

6. A pressão européia e internacional para a condenação efetiva dos crimes do passado comunista e da luta eficaz contra os crimes comunistas em curso,

7. O reconhecimento do comunismo como parte integrante e horrível da história comum da Europa,

8. A aceitação por toda a Europa da responsabilidade pelos crimes cometidos pelo comunismo,

9. O estabelecimento de 23 de agosto, dia da assinatura do pacto Hitler-Stalin, conhecido como o Pacto Molotov-Ribbentrop, como um dia de lembrança das vítimas dos regimes totalitários nazista e comunista, do mesmo modo que a Europa recorda as vítimas do Holocausto em 27 de janeiro,

10. A reclamação aos Parlamentos nacionais para que reconheçam os crimes comunistas como crimes contra a humanidade, e modifiquem a legislação pertinente,

11. O debate público sobre o mal uso comercial e político dos símbolos comunistas,

12. A continuação das audiências da Comissão Européia com respeito às vítimas dos regimes totalitários, com vistas à elaboração de uma comunicação da Comissão,

13. O estabelecimento de comitês compostos por experts independentes nos Estados europeus que foram governados por regimes comunistas totalitários, com a tarefa de recolher informação sobre violações dos direitos humanos sob cada regime comunista totalitário em nível nacional, com o fim de colaborar estreitamente com o Conselho de Comitê de experts da Europa,

14. A elaboração de um claro marco jurídico internacional em relação a um acesso livre e irrestrito aos arquivos que contêm informação sobre os crimes do comunismo,

15. A fundação de um Instituto Europeu da Memória e da Consciência, que teria duas funções:

A) a de um instituto europeu dedicado à investigação dos estudos do totalitarismo, o desenvolvimento de projetos científicos e educacionais e o apoio à criação de redes de institutos de investigação nacionais especializados no tema da experiência totalitária,

B) e a de um museu memorial de âmbito europeu das vítimas de todos os regimes totalitários, com o objetivo de recordar as vítimas destes regimes e de dar a conhecer os crimes cometidos por eles,

16. A organização de uma conferência internacional sobre os crimes cometidos pelos regimes comunistas totalitários, com a participação de representantes de governos, parlamentares, acadêmicos, experts e associações, cujos resultados devem ser difundidos no mundo inteiro,

17. O ajuste e a revisão de livros de texto de história européia, para que as crianças possam aprender e ser advertidas sobre o comunismo e seus crimes, da mesma forma que se lhes ensinou a compreender os crimes nazistas,

18. A abertura de um amplo e profundo debate em toda a Europa sobre a história européia e a herança comunista,

19. A comemoração conjunta do 20º aniversário no próximo ano da queda do Muro de Berlim, do massacre da Praça Tianamen e da matança na Romênia.

Nós, os participantes da Conferência de Praga Consciência Européia e o Comunismo, nos dirigimos a todos os povos da Europa, a todas as instituições políticas européias, inclusive os Governos e os Parlamentos nacionais, o Parlamento Europeu, a Comissão Européia, o Conselho da Europa e outros órgãos internacionais pertinentes, e os exortamos a abraçar as idéias e as propostas enunciadas nesta Declaração de Praga, e a convertê-las em medidas práticas e políticas.

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Para os que desejarem juntar-se a essa causa, existe este link.

1480) O novo muro da vergonha: separar a Europa dos candidatos a imigracao

Sobre este artigo de Jamil Chade, é preciso ressalvar: o muro de Berlim e todas as fronteiras fortificadas da Europa oriental tinham como unico objetivo impedir os seus proprios cidadãos de viajar para fora, de fugir dos seus países, posto que a suposição era que ele nunca mais voltariam e sua fabricas e campos se esvaziariam.
Os novos muros tratam de impedir o ingresso dos miseráveis do mundo, e é um direito dos cidadãos europeus de assim fazê-lo, pois todos os países o fazem, inclusive o Brasil.
Paulo Roberto de Almeida

20 anos depois…um novo muro
Jamil Chade
5 de novembro de 2009|

SOPRON, Hungria - Há 20 anos, a cidade de Sopron, na fronteira entre a Hungria e a Áustria viveu o primeiro rasgo no que parecia ser a impenetrável Cortina de Ferro. Alemães do Leste aproveiram a realização de um picnic organizado pelas autoridades dos dois países para simplesmente furar a barreira. 600 deles conseguiram atravessar para o Ocidente.

Hoje, pensar que uma barreira existia no lugar por onde passei parece algo como um sonho. Ou para muitos um pesadelo. Ruas e estradas atravessam da Áustria para a Hungria, sem qualquer burocracia. Os moradores das pequenas cidades da Áustria que estão perto da fronteira chegam até mesmo a se queixar do movimento de carros que agora passam pelo meio de seus pacatos vilarejos, antes às márgens da Europa Ocidental e quase adormecidos. Na estrada que liga Sopron à Áustria, o movimento de carros é tão grande que um trânsito é formado todos os dias nas horas de pico. Uma revolução para uma região que ficou dividida por arames farpados desde 1971 e, antes, por minas terrestres.

Mas o muro não desapareceu. Ele apenas mudou de lugar. 500 quilômetros ao leste da fronteira aberta entre a Hungria e a Áustria, a realidade é bem diferente. Uma verdadeira barreira foi criada na nova fronteira da Europa para barrar a entrada dos novos imigrantes. Não são alemães tentando fugir do comunismo e da ditadura. São afegãos, iraquianos e paquistaneses tentando escapar da guerra, chineses cruzando o mundo para trabalhar na Europa e milhares de cidadãos da Ucrânia, Sérvia, Bósnia, Moldávia e do Cáucaso fugindo da pobreza.

Por ano, 500 mil estrangeiros entra ilegalmente na UE e, agora, a meta dos europeus é de frear essa explosão da migração. Nos anos da Guerra Fria, a fronteira era formada por arames farpados, muros, cães de ataque, tanques, muitos soldados e minas espalhadas por milhares de quilômetros. A nova fronteira também conta com alguns arames farpados e soldados.

Mas o novo modelo é bem mais sofisticado e não corre o risco de entrar em pane por falta de peças, como o dos soviéticos. No lugar de cães, minas e tanques, a UE investiu de forma pesada na instalação de sensores, barreiras eletrônicas e um sistema informatizado com computadores ligados aos dados da Interpol e das agências de inteligência dos países europeus. No total, são quase 6 mil quilômetros da nova cortina de ferro, separando a UE do resto da Europa, câmeras a cada 150 metros em alguns locais. O patrulhamento das fronteiras é uma das prioridades políticas desses governos, mas que também está transformando a vida da região e de famílias.

Ironicamente, a UE exigiu que os países do Leste Europeu que aderiram ao bloco há 5 anos sejam os novos responsáveis por resguardar a Europa da imigração irregular e de criminosos. O acordo é simples: esses países teriam sua adesão aprovada em um espaço de livre circulação de pessoas se garantissem que poderiam fechar suas fronteiras aos cidadãos de fora da UE. A UE já injetou 2 bilhões de euros para ajudá-los e, hoje, todos os meios tecnológicos e soldados são usados para garantir que a imigração irregular e o tráfico sejam parados na fronteira. Pelas regras estipuladas pela UE – conhecidos como Acordo de Schengen – países dentro do bloco teriam suas fronteiras simplesmente suprimidas e seus cidadãos poderiam circular livremente. Em troca, as fronteiras exteriores da UE seriam reforçadas.

Polônia, Hungria e Eslováquia foram alguns dos países que foram obrigados a se comprometer em criar verdadeiros muros contra seus vizinhos do leste. Mas, para isso, isolaram famílias ucranianas, sérvias, croatas e bielorussas que por décadas estavam próximas às fronteiras que hoje são da UE. Do lado ucraniano, a percepção é de que os países do Leste Europeu que aderiram à UE esqueceram seu passado. Alguns, de dentro da UE, admitem que estão traindo seus vizinhos. “Sinto que estamos fazendo com nossos vizinhos ucranianos o mesmo que sofremos durante décadas”, afirmou diretor do Departamento de Educação da Universidade Eslovaca de Tecnologia, Miroslav Babinsky.

A realidade do novo muro permeia todo o Leste Europeu. Em uma viagem de trem entre Bucareste e Budapeste realizada pela reportagem, os vagões foram barrados na fronteira entre a Hungria e a Romênia por horas durante a madrugada. Policiais fortelemente armados vasculhavam até mesmo a parte inferior do trem, procurando imigrantes ilegais. “Na UE, ainda não somos todos iguais”, lamentou Adrian, um romeno que havia embarcado no mesmo trem em direção a Budapeste. A forma encontrado por muitos para driblar essas barreiras é pagar um “especialista” em cruzar fronteiras. Ou seja, um traficante de seres humanos.

Para entrar na Europa, os imigrantes escondem-se em caminhões, tentam cruzar a floresta que ocupa a região de fronteira e até mesmo se arriscam em câmaras frias que transportam carnes e alimentos de um lado a outro da fronteira. O preço: US$ 15 mil – muitas vezes o equivalente ao preço de suas casas que tiveram de vender para pagar a “passagem” ao traficante – e, claro, muita coragem. Ou seria desespero…

Há 20 anos, o violoncelista russo Mstislav Rostropovich pegou seu instrumento ao ver o Muro de Berlim cair e correu para o local. Fez questão de tocar à beira da obra que simbolizou a divisão da Europa. Rostropovich, falecido em 2007, sempre lutou pela liberdade de expressão, pela democracia e por uma arte sem nacionalismos. Em 1974, fugiu da Rússia e conseguiu atravessar a Cortina de Ferro. Em 1989, sua mensagem aos responsáveis pela divisão era simples: Nunca Mais.

Pena que nem todos escutaram seu recital à beira do muro.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

1479) O que nao faltam sao falacias para analisar...

Uma relação da produção mais recente, em torno de alguns mitos muito comuns nos meios acadêmicos...

Paulo Roberto de Almeida (sim, sou eu...)

Falácias acadêmicas, 9: o mito do socialismo do século 21
Revista Espaço Acadêmico - nº 97 - junho de 2009

Falácias acadêmicas, 10: mitos sobre o sistema monetário internacional
Revista Espaço Acadêmico - nº 98 - julho de 2009

Falácias acadêmicas, 11: o mito da transição do capitalismo ao socialismo
Revista Espaço Acadêmico - nº 99 - Agosto de 2009

Falácias acadêmicas, 12: o mito da exploração capitalista
Revista Espaço Acadêmico - nº 100 - Setembro de 2009

Falácias acadêmicas, 13: o mito do socialismo de mercado na China
Revista Espaço Acadêmico - nº 101 - Outubro de 2009 - DOSSIÊ - 60 ANOS DA REVOLUÇÃO CHINESA

1478) Pausa para humor, que ninguem é de ferro

Indisfarçavelmente machistas, misóginas, politicamente incorretas, estas digressões, mas que não deixam de contemplar situações vividas, reconhecidas, experimentadas (quem sabe?), por muitos dos que lêem este humilde blog...

COLOMBO SÓ DESCOBRIU A AMERICA PORQUE ERA SOLTEIRO!
[PRA: o que, diga-se de passagem, não é correto...]

Se Cristovão Colombo tivesse tido uma esposa, seria obrigado a ouvir coisas assim e teria desistido:

- E por que é você que tem que ir?
- E por que não mandam outro?
- Você está louco ou é idiota?
- Você não conhece nem a minha família e quer ir descobrir o novo mundo!
- E só vai homem nessa viagem? Acha que eu sou idiota?
- E por que eu não posso ir, se você é o chefe ?
- Desgraçado, não sabe mais o que inventar para sair de casa!
- Se cruzar esta porta eu me vou embora para a casa da minha mãe! Seu sem-vergonha!
- Quem é Pinta? E quem é essa tal Nina? Essa María, filha da p#t@ que ainda se diz Santa?
- Tinha tudo planejado, maldito! Vais encontrar-te com umas índias piranhas!
- Pensa que me enganas?
- A rainha Isabel vai vender suas jóias para você viajar? Acha que sou maluca ou o que? O que é que você tem com essa piranha velha?
- Você não vai a lugar nenhum! Você vai é cair num barranco porque o mundo é achatado, seu besta!

Addendum oportuno (de um leitor):
-Não esquece na volta de passar no free-shop e me trazer um perfume francês!

[Piadinhas miseráveis, mas aposto que você esboçou um sorriso com algumas frases. Até parece que Madame Colombo era uma megera, em lugar da fina flor que era...]

terça-feira, 3 de novembro de 2009

1477) A Justiça do sabao que lava mais branco...

Que me perdoem os tiranetes togados, mas não resisti ao charme muito pouco discreto desta gozação em regra do jornalista Reinaldo Azevedo, montada -- esclareça-se -- a partir da inacreditável festa de " congraçamento" (vá lá a palavra) do novo ministro junior (bota junior nisso) do STF, patrocinada por aquele banco que já estuprou a conta bancária de um humilde caseiro (não o banco, obviamente, mas o seu ínclito gerente, presidente, whatever, um grão-petista hoje um pouco diminuido).
Pois o jornalista em questão imagina como seriam os juizes em chuteiras patrocinadas.
Creioo que não preciso pagar direitos autorais pela transcrição não autorizada, mas me disponho a contribuir com uma boa causa apenas pelo prazer que senti de ler uma boa crônica, pesadamente irônica como merecem certos juizes que se julgam super-homens...

JUSTIÇA PATROCINADA
Reinaldo Azevedo, 03/11/09

Ainda sobre Toffoli e sua festinha patrocinada pela Caixa Econômica Federal: eu espero que os ministros do Supremo não venham, no futuro, a ceder a certas tentações, não é?

Vocês estão cansados de ver esportistas com camisetas, jaquetas, bonés e calções estampando o nome do patrocinador. As empresas buscam associar a sua marca a indivíduos bem-sucedidos, admirados pelo público. Um ministro do STF não chega a ser alguém muito popular junto às massas. Costuma ser apreciado em rodas mais restritas. Ainda assim, como se nota, há sempre alguém disposto a fazer um investimento.

Já imaginaram uma sessão no Supremo, com o ministros envergando a respeitável toga preta, decorada com logotipos da Petrobras, da CEF, do Banco do Brasil? Os mais ousados logo começariam a anunciar refrigerante, maionese, batata frita, cerveja…

Seria interessante, né? As excelências poderiam estabelecer no tribunal uma espécie de guerra de slogans publicitários:

— Excelências, temos de ser como o “banco que acredita nas pessoas” e pensar sempre no Artigo 5º da Constituição…
— Máxima vênia, observo que, não obstante, faz diferença “ter um banco que é do Brasil”…
— Pode fazer, ministro, mas o que importa, para os cidadãos, é “ter presença” em todo o país…
— A questão, senhores membros deste egrégio tribunal, é de fundo ontológico. Assim como não se respondeu à dúvida sobre se é fresquinho porque vende mais ou vende mais porque é fresquinho, temos de encarar a natureza original do debate que aqui se trava…
— A questão ontológica, excelência, está sujeita a controvérsias. Por mais evidente que seja, há quem não aceite, por exemplo, a verdadeira maionese!
— Perdoem-me fazer como Horácio e recorrer às musas, ao começo de tudo, mas sou obrigado a lembrar que dura lex, sed lex, no cabelo só Gumex!

E todos se calaram!

1476) Livro sobre relacoes internacionais, UnB, 10.11.2009

O Instituto Brasileiro de Relações Internacionais – IBRI e o Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília – iREL-UnB convidam para o Seminário de apresentação do livro

Concepts, Histories and Theories of International Relations for the 21th Century: Regional and National Approaches
organizado pelo Prof. José Flávio Sombra Saraiva.

O evento acontecerá no dia 10 de novembro de 2009, no Auditório da Reitoria da Universidade de Brasília, das 14 às 16h. (não é necessário fazer inscrição).

Informações adicionais podem ser obtidas pelo e-mail mestrel@unb.br ou ainda pelo telefone 61 33072426.

Programa

PRIMEIRA SESSÃO: 14 – 15 horas

Novas teorias, historiografias e conceitos para as Relações Internacionais do século 21

Presidência: Prof. Dr. Alcides Costa Vaz (Vice-Diretor do Instituto de Relações Internacionais da UnB)
Dois comentários:
Prof. Dr. José Flávio Sombra Saraiva (O sentido da obra)
Prof. Dr. Amado Luiz Cervo (Conceitos em RI)
Comentaristas:
Prof. Dr. Antonio Carlos Lessa, UnB e IBRI (A dimensão institucional da pesquisa em história das RI e o Programa Renato Archer)
Profa. Dra. Cristina Inoue, UnB (A teoria e a história em RI juntas na UnB)
SEGUNDA SESSÃO: 15 – 16 horas

Olhares de condor sobre a obra em lançamento

Presidência: Prof. Dr. Carlos Eduardo Vidigal, UnB e diretor do IBRI
Exposição em torno da obra: Profa. Dra. Tânia Pechir G. Manzur, UCB e IBRI (Conceitos, teoria e novas propostas pedagógicas para o ensino de RI: a importância da obra organizada por Sombra Saraiva)
Comentários:
Profa. Dra. Julie Smith, UnB (Comentário abrangente à obra)
Profa. Dra. Ana Flávia Platiau UnB, diretora da Assessoria de Assuntos Internacionais, Reitoria (Comentário ao capítulo do Prof. Zorgbibe)
Prof. Dr. Antonio Jorge Ramalho, UnB e IBRI (Comentário abrangente à obra)
ACESSO AO LIVRO: O livro estará a disposição dos interessados, na sala de entrada ao Auditório da Reitoria, durante todo o seminário, no valor de R$ 50,00. Estudantes de graduação (desde que apresentam a documentação) podem obter o livro, mas apenas na ocasião do seminário, com 20% de desconto, ou seja pelo valor de R$ 40,00. O livro poderá ser adquirido também na Secretaria da Pós-Graduação em RI, IREL, com Odalva ou Gustavo, no valor de R$50,00 (sem descontos).

O LANÇAMENTO: O livro será autografado, em torno de coquetel, no RESTAURANTE CARPE DIEM, 104 Sul, no dia 13 de novembro, sexta-feira, a partir das 19 horas.

Sumário do livro Concepts, Histories and Theories of International Relations for the 21th Century: Regional and National Approaches

Acknowledgment
Introduction: Alternative Views to International Relations for the Beginning of the 21st Century, por José Flávio Sombra Saraiva
Are There Regional and National Conceptual Approaches to International Relations?, por José Flávio Sombra Saraiva
Concepts of International Relations, por Amado Luiz Cervo
Is There a British or American Approach to International Relations?, por Christopher Coker
Le monde arabe, la theorie et la pratique des relations internationales, por Zidane Zeraoui
Africa, Asia and Latin America’s Concepts to International Relations, por Gladys Lechini
Latin American Concepts and Theories and Their Impacts to Foreign Policies, por Raul Bernal-Meza
Mexico: Constant Priorities, Variable Theoretical Approaches to International Relations, por Jorge Schiavon
Peripheric Realism: An Argentine Building-Theory Experience, por Carlos Escudé
Conclusion: Nouveau bilan, nouvelle perspective, por José Flávio Sombra Saraiva
Apendix – Une contribution europeene pour la theorie et pour la pratique des relations internationales
Vers un nouveau droit de la securité internationale?, por Charles Zorgbibe

1475) Juanita Castro: charlando con sus lectores

Simplesmente transcrevendo matéria do El Pais, neste link:

Juanita Castro
Autora de 'Fidel y Raúl, mis hermanos. La historia secreta'
Lunes, 02 de Noviembre de 2009

La hermana de Fildel Castro saca a la luz la historia de su vida. A través de la periodista María Antonieta Collins, 'Fidel y Raúl, mis hermanos. La historia secreta' recorre su infancia y juventud, pasando por la gesta contra Batista, la Revolución y el posterior desencanto de muchos. Desde 1964, en que desertara en México y se pronunciara en contra del gobierno encabezado por su hermano Fidel, vive en el exilio en Miami alejada de su familia en Cuba y, según acaba de hacer público, llegó a colaborar con la CIA bajo el nombre de la agente 'Donna'. Juanita Castro ha charlado con los lectores sobre su vida y la relación con sus hermanos.

¿Por qué ha mantenido silencio hasta ahora? ¿Qué le ha llevado a publicar su biografía?
En primer lugar, nadie nunca se me había acercado para ofrecerme y hablar y escribir mis memorias hasta este momento. Estas memorias empezaron a escribirse a sugerencia de María Antonieta Collins, la persona que las ha escrito. Este esfuerzo lo empezamos ella y yo en 1999 hasta que a principios de años decidimos continuarlas y terminarlas, como ha sido. Además, este libro fue hecho por mi necesidad de clamar por justicia en relación con el honor de mis padres y de mis abuelitos. Que ha sido mancillado de tal manera que se han ensañado con ellos. Nunca pensé que hubiera mentes tan perversas para insultar solamente por el odio que le tienen a Fidel, a mis padres y abuelos, que no han tenido culpa, ni sin responsables en absoluto de lo que ha pasado en mi país.

¿Cómo fue la infancia de Juanita y Fidel? ¿Cómo la definiría?
Tengo los mejores recuerdos de nuestra infancia. Eramos una familia bien llevada. Nuestros padres nos enseñaron a respetar a todo el mundo, a no ofender jamás a nadie, a que estudiáramos y lucháramos para tener un futuro asegurado. Nos dieron cariño, nos dieron educación y en general, fueron unos padres maravillosos con nosotros. A veces demasiado complacientes, pienso ahora. Porque también nos malcriaron un poco, pero en general el recuerdo que guardo y que llevo en mi corazón en relación con mi familia y en relación con mis hermanos es estupendo.

Estimada Juanita Castro, resulta increíble que todavía hoy en día haya gente en su situación. ¿Qué le diría a todas aquellas personas que siguen defendiendo el tipo de política que llevan a cabo sus hermanos? Parece que estar a favor de sus formas es lo políticamente correcto, en la sociedad española sobre todo, ¿ha sentido esta afirmación alguna vez? Muchas gracias, y mucha suerte!
Yo pienso que las causas injustas o las malas causas tienen seguidores y esto ha sucedido en el caso cubano. Acuérdese que los regímenes de esta naturaleza, como el de Cuba, ha contado siempre con recursos increíbles para llevar adelante esta propaganda en favor de los regímenes comunistas. El caso de Cuba no ha sido una excepción. Mucha gente, inclusive de buena fe y sin la información suficiente, aún a estas alturas después de 50 años de dictadura, piensa que el sistema que impera en Cuba, es bueno. Desafortunadamente, esto no es así. A nosotros se nos ha negado en la mayoría de las ocasiones de aclarar todos estos malos entendidos. No hemos tenido ni los medios, ni el interés de parte de la prensa en el mundo. Por eso tanta confusión. El sistema que impera en mi país no sería nada saludable imitarlo por ningún país del mundo.

¿Qué cree usted que pasó realmente con la desaparicion del comandante Camilo Cienfuegos?
Aunque muchos se han empeñado en hacer ver que fue un atentado lo que terminó con la vida de Camilo Cienfuegos, yo me atrevo a afirmar categóricamente que fue un accidente aéreo lo que terminó con su vida. Camilo era un hombre que a pesar de la posición que tenía dentro de la Revolución que acababa de triunfar, no le tenía miedo a nada, no se preocupaba de su seguridad. Por lo tanto, no le interesaba chequear el avión o el medio que estaba utilizando para transportarse a cualquier parte. Era un hombre muy temerario. Y a pesar de haber sido, desde muy joven simpatizante del Partido Comunista, eso no era razón para dejar de ser un cubanazo bueno. Aunque, equivocado en sus ideas políticas.

¿Detectó usted algún rasgo comunista durante la juventud de Fidel?
Nunca en mi casa, ni en mi familia detectamos ningún rasgo comunista en Fidel. Siempre pensamos que era un demócrata confeso, un idealista, que estaba muy interesado en la política y en llegar a ocupar posiciones muy importantes en el país, para servirlo. Pero por nuestra mente nunca pasó lo que sucedería después del triunfo de la Revolución y que abrazaría las ideas marxistas y el sistema comunista para implantarlo en nuestro país una vez que triunfara la Revolución, que había prometido que sería tan cubana como las palmas reales, una revolución humanista, con justicia social para todos y que habría pan con libertad, pan sin terror en nuestra patria. Esas fueron sus palabras textuales.

De acuerdo que abandondes la Revolución por no estar de acuerdo con la represión, entre otras cosas, pero ¿colaborar con Estados Unidos? ¿Acaso ellos no han ejercido peores crímenes de toda índole en aquella época?
Realmente no creo que sea el momento de estar condenando a Estados Unidos. Debo decir también que fueron los Estados Unidos el único país en el mundo que nos ayudó a luchar contra el sistema marxista que se implantó en Cuba. Si somos gente agradecida tenemos que reconocerlo así. También podemos hablar que Fidel cayó en los brazos de la Unión Soviética para recibir toda la ayuda que necesitaba para los planes que tenía para Cuba y para la expansión del comunismo en el mundo entero. De todos es conocida la cantidad de cubanos que murieron en Africa, en Angola en particular. De eso no se habla. Por lo tanto, si él buscaba ayuda en un extremo, nosotros la teníamos que buscar en el otro. Era una lucha muy desigual donde necesitábamos recursos desiguales también. Los cubanos que luchamos y que cooperamos con los Estados Unidos no fue porque los Estados Unidos nos comprara. Nuestra lucha nunca ha tenido precio, pero sí muchos enemigos de la libertad de Cuba.

¿Desearía volver a hablar con Raúl y Fidel?
Yo desearía hablar con todos los cubanos que están en mi patria. Y que todos los que están en el extranjero también estoy segura que desearían hablar con los suyos en Cuba. Yo desearía que en Cuba se produjera una transición hacia la democracia y este paso, entiendo que solamente lo pueden usar los señores que están en el poder en este momento, como todos los que estamos fuera del país en el exilio. Yo no pido enfrentamientos que puedan costarle una sola vida más al pueblo cubano. Yo estoy pidiendo la transición que nos lleve a tener una patria de nuevo con los gobernantes elegidos democráticamente por el pueblo, sin imposiciones de ninguna clase. Pero que seamos todos los cubanos los que decidamos nuestro futuro. y el futuro de Cuba tiene que ser un futuro de libertad.

Buenas tardes Juanita. Me alegro mucho que pudiese escapar en su día de Cuba y que podamos conocer ahora lo que usted piensa sobre su país y el régimen. ¿Ha tenido desde siempre Raúl un complejo de inferioridad respecto a Fidel? ¿Cómo ha sido la relación entre los dos? Un cordial saludo.
La relación con Raúl siempre ha sido muy buena. Eramos hermanos muy allegados hasta que llegó al país el sistema que lo ha gobernado durante tantos años. El marxismo ha acabado con nuestra familia en la misma forma en que ha acabado con el resto de la familia cubana.

¿Cómo son realmente Fidel y Raúl?
Dos seres humanos que han cambiado el futuro de Cuba pudiendo haber hecho lo contrario.

¿Sra. Juanita como se imagina que hubiera sido Cuba sin Fidel Castro?
Cuba era un país que hasta el golpe de estado de Fulgencio Batista que rompe el orden constitucional del país, era un país democrático, y sus gobernantes elegidos libremente por el pueblo cubano y con sus virtudes y defectos funcionaba bastante bien. Gozábamos de una Constitución progresista, pero también con muchos políticos mediocres que se interesaban más por enriquecerse que por servir al pueblo como era debido. Por lo tanto, a pesar de todo esto, íbamos progresando y mejorando nuestro sistema político. Estábamos seguros que llegaría un gobierno que sería el ideal para todo el pueblo.

Estimada Sra, ¿qué sacaría de positivo de todos estos años de Fidel Castro en el poder?
Ha sido tanto lo negativo que es bastante difícil enumerar lo positivo que ha sucedido en el país. En el campo de la educación, con excepción del adoctrinamiento comunista intensivo que ha recibido la juventud, el analfabetismo fue prácticamente erradicado. Claro, que a un precio muy alto. El régimen habla mucho del sistema de salud. Es cierto que todos tienen atención médica pero ha sido limitada por ellos mismos. Ya que el país no cuenta con los recursos necesarios para dar un buen servicio al país en ese campo.

Hola. Me gustaría saber su opinión sobre si en Cuba volverá a exisitir una democracia.
Hemos estado luchando por lograr una verdadera democracia en nuestro país durante más de 50 años. Es un tiempo muy largo pero tengo la esperanza de que así sucederá en el futuro. Hay un refrán muy antiguo que dice 'No hay mal que dure 100 años ni cuerpo que lo resista'.

¿Qué recuerda usted de la boda de Fidel con Mirta Díaz Balart? ¿Qué tipo de relaciones mantuvo usted con Mirta después del divorcio de ambos?
En mis memorias aparece muy bien explicado esa pregunta que usted me hace. Así que le sugiero que lo lea. Ahí cuento desde el día en que se conocieron hasta su divorcio y lo que vino después.

Veo que en su libro no menciona a Alina, hija de Fidel y de Nati, ¿por qué razón?
No me interesa en absoluto ese personaje. Hace 8 años aproximadamente que inicié un proceso legal contra la editorial que publicó su libro por difamación a mis padres y abuelos y con la sentencia a mi favor he dado por cerrado ese capítulo.

¿Cree usted que vive peor o mejor que sus hermanos?
En Cuba lamentablemente nadie vive bien. Lo más importante para mí que es la libertad, aquí en Estados Unidos donde vivo, la tengo en abudancia.

¿ Es posible un entendimiento entre la gente de Miami y tus hermanos?. ¿Crees que quitando "el bloqueo" se le acabarán las justificaciones de su ineficacia a tus hermanos?
Repito y lo sigo diciendo, el único camino que podemos recorrer es luchar por un proceso de transición democrático y pacífico. Los que amamos de verdad a la patria no podemos pensar en otra forma. Ineficacia es el régimen comunista que ha sido implantado en Cuba sin resultados de ninguna clase.

¿Ha visitado Cuba después que salió del país para el exilio?

Nunca he regresado a Cuba después que salí el 19 de junio de 1963.

¿Estarían sus padres orgullosos del legado de Fidel?

Nadie puede estar orgulloso de lo que ha hecho Fidel, incluidos mis padres si vivieran.

Mensaje de despedida de Juanita Castro:
Muchas gracias por esta oportunidad de conversar con todos los que me han hecho alguna pregunta. Y por estar interesados en la problemática cubana. Espero que disfruten el libro que fue escrito con el espíritu de la reconciliación entre todos los cubanos. Hasta pronto.

1474) A familia Castro, de Cuba, obviamente: dividida pelo marxismo

Não cabe a este humilde post entrar em controvérsias familiares, sobrtudo de gente "peso pesado" como os Castros. Todo mundo está acompanhando as revelações da irmã de Fidel, Juanita, que confessou ter trabalhado para a CIA sob instigação da embaixatriz Virgina Leitão da Cunha. Nada como sacudir a poeira de velhos arquivos e movimentar os jornalistas.
Enfim, já tratei desse tema no post:
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
1468) O passado sinistro do Itamaraty, segundo um anti-imperialista de ocasiao...

Também já tratei da situação em Cuba, num artigo recente:
Falácias acadêmicas, 6: o mito da Revolução Cubana”, Espaço Acadêmico (ano 8, n. 94, março 2009). Reproduzido, sob o titulo de “Os Mitos da Revolução Cubana”, na revista Acadêmica Espaço da Sophia (Tomazina, PR; ISSN: 1981-318X, Ano 2, n. 25, p. 1-17, março de 2009; edição eletrônica).

Aliás, sem pretender intrometer-me em assuntos de família, sugeri a Raul Castro um pronunciamento ao povo cubano, mas não tenho certeza de que ele já leu, e se leu, se ele pretende seguir minhas sugestões:
Carta aberta a Raul Castro sobre Cuba e o socialismo”, Via Política (17.08.2009). Republicado pelo Instituto Millenium (08.09.2009).


Agora cabe ler as recordações de Juanita, novamente famosa por boas e más razões...

Juanita Castro: "El marxismo ha acabado con nuestra familia"
La hermana de Fidel y Raúl Castro ha charlado con los lectores sobre su autobiografía
NATALIA MARCOS - Madrid
El Pais, 02/11/2009


Vive en el exilio en Miami desde que el 19 de junio de 1963 saliera de Cuba, desertara y se mostrara en contra del gobierno encabezado por su hermano Fidel. Juanita Castro ha roto su silencio con el libro Fidel y Raúl, mis hermanos. La historia secreta, en la que ha confesado que llegó a ser agente de la CIA. A propósito de la publicación de su autobiografía, Juanita Castro ha charlado con los lectores sobre la infancia y juventud de Fidel y Raúl Castro, además del pasado, presente y futuro de Cuba.
En la entrevista digital, la hermana de Fidel y Raúl ha explicado los motivos de la publicación de este libro: "Fue hecho por mi necesidad de clamar por justicia en relación con el honor de mis padres y de mis abuelitos, que ha sido mancillado de tal manera que se han ensañado con ellos". Juanita Castro ha explicado cómo era su familia cuando ella y sus hermanos eran niños. "Éramos una familia bien llevada. Nuestros padres nos enseñaron a respetar a todo el mundo, a no ofender jamás a nadie, a que estudiáramos y lucháramos para tener un futuro asegurado". Además, ha asegurado que entre los hermanos había una relación muy buena "hasta que llegó al país el sistema que lo ha gobernado durante tantos años. El marxismo ha acabado con nuestra familia en la misma forma en que ha acabado con el resto de la familia cubana".
Según su hermana, la familia de Fidel Castro nunca observó una inclinación hacia el comunismo en el joven Fidel. "Siempre pensamos que era un demócrata confeso, un idealista, que estaba muy interesado en la política y en llegar a ocupar posiciones muy importantes en el país para servirlo. Pero por nuestra mente nunca pasó lo que sucedería después del triunfo de la Revolución y que abrazaría las ideas marxistas y el sistema comunista".

Juanita Castro no pierde la esperanza de que la democracia llegue a Cuba en un futuro no muy lejano. Su deseo lo expresa en forma de refrán: "No hay mal que dure cien años ni cuerpo que lo resista".

Para terminar la entrevista digital, un lector ha preguntado a Juanita si cree que sus padres estarían orgullosos del legado de Fidel, a lo que Juanita ha asegurado escuetamente: "Nadie puede estar orgulloso de lo que ha hecho Fidel, incluidos mis padres si vivieran".

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PS Paulo Roberto de Almeida:
É meu desejo sincero que a família possa se reconciliar antes da morte de um dos três, embora eu duvide que isso venha a acontecer. Fidel está mais para personagem de Roa Bastos, ou de Gabriel Garcia Marques (que aliás é seu amigo), do que para um personagem de carne e osso (mais deste do que daquela...).

1473) Um agente soviético, diplomata brasileiro: cenários bondianos...

Não tenho vocação para inteligência, isto é, para serviços de inteligência. Por inclinação e caráter, prefiro trabalho intelectual, do tipo analítico e dialético, isto é, debates sobre questões relevantes do país e do mundo.
Mas não deixo de ler meus romances, de vez em quando, um John Le Carré aqui, um Graham Greene ali, e vários outros mais, mas na dimensão realista, não fantasias à la Ludlum...
Pois eis que me chega um comentário "chocante" de um leitor de meu post:

segunda-feira, 2 de novembro de 2009
1468) O passado sinistro do Itamaraty, segundo um anti-imperialista de ocasiao...

o que justifica retirar o comentário de seu insignificante "rodapé" para lhe dar o devido destaque. Não conheço (suponho) o autor e não tenho por que questioná-lo mais do que ele revela neste pequeno trecho de um livro, que traz algo de que eu jamais tinha ouvido falar. Confesso minha completa ignorância sobre o tema, mas vou procurar saber mais a respeito do:

Um espião (diplomata brasileiro) a serviço da União Soviética?

Alat disse...

Caro PRA,
Aproveitando o assunto dessa postagem, você conhece o história do Vasili Mitrokhin, o arquivista da KGB que copiou trechos dos documentos por décadas a fio e fugiu para o Ocidente logo que a URSS acabou? Estou lendo o livro dele e há algumas menções interessantes ao Brasil, que copio abaixo. Any guesses sobre a identidade de IZOT e ALEKS?

Abraço,
Alat

“Among the DGI operations in Angola carried out to assist the KGB was a penetration of the Brazilian embassy to obtain intelligence on its cipher system. A technical specialist from KGB’s Sixteenth (SIGINT) Directorate flew out from Moscow with equipment which enabled a DGI agent to photograph the wiring of the embassy’s Swiss-made TS-803 cipher machine” (k-22, 150, apud Andrew & Mitrokhin 2005:96).

“The KGB’s best intelligence on Brazil probably came from its increasing ability to intercept Brazil’s diplomatic traffic. By 1979 the radio-intercept post (codenamed KLEN) in the Brasilia residency was able to intercept 19,000 coded cables sent and received by the Foreign Ministry as well as approximately 2,000 other classified official communications” (k-22, 128 apud Andrew & Mitrokhin 2005:105)

“SIGINT enabled the Center to monitor some of the activities of probably its most important Brazilian agent, codenamed IZOT, who was recruited while serving as Brazilian ambassador in the Soviet bloc. As well as providing intelligence and recruitment leads to three other diplomats, IZOT also on occasion included in his reports information (probably disinformation) provided by the KGB” (Andrew & Mitrokhin 2005:105).

“IZOT is the highest-ranking Brazilian agent identified in the files noted by Mitrokhin. He provided recruitment leads on three fellow diplomats, including the ambassador of a NATO country in Prague. IZOT had himself been talent-spotted for the KGB by another Brazilian ambassador, an agent codenamed ALEKS; k-22, 235-7, apud Andrew & Mitrokhin 2005:521, n. 68).

A referência é

ANDREW, CHRISTOPHER & MITROKHIN, VASILI.
The World Was Going Our Way: The KGB and the Battle for the Third World
New York: Basic Books, 2005.

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Bem, só resta comprar o livro, conferir, realizar uma pequena investigação sobre sua veracidade, e depois pedir aos arapongas da Abin que movimentem os seus fundilhos e pelo menos dois neurônios.
Aliás, o livro deve constar da biblioteca da Abin: vou pedir emprestado...
Paulo Roberto de Almeida

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

1472) Controversias historicas: Ha-Joon Chang e o uso de evidencias seletivas

Eu já escrevi a respeito das principais teses do economista coreano de Cambridge, Ha-Joon Chang, notadamente em meu artigo:

Falácias acadêmicas, 5: O mito do complô dos países ricos contra o desenvolvimento dos países pobres
Espaço Acadêmico (ano 8, n. 93, fevereiro 2009).
Reproduzido, sob o título de “Sobre o complô dos ricos contra os pobres”,
no site Dom Total (16.04.2009).

O que segue abaixo é um exchange, a respeito das mesmas teses, publicado no:
The New York Review of Books,
Volume 56, Number 18 · November 19, 2009

'The Anarchy of Success'
By Ha-Joon Chang, James Rossant, Reply by William Easterly

In response to The Anarchy of Success* (October 8, 2009)

To the Editors:

William Easterly misrepresents Bad Samaritans ["The Anarchy of Success," NYR, October 8] as advocating 1960s-style state planning, when I argue for a judicious mix of market and government.

Mr. Easterly attacks me for relying on a few East Asian countries to make my case. However, one of the central points of my book is that most of today's rich countries, and not just those in Asia, have succeeded through infant industry protection. Mr. Easterly tries to dismiss the importance of these historical cases by arguing that those countries have more often protected agriculture than industry. This is not true. A recent study by Lehmann and O'Rourke for the National Bureau of Economic Research shows that most of them protected industry far more than agriculture.

Mr. Easterly argues that looking at 1983–2008, instead of 1980–2000 (as I do), shows that growth in developing countries under neoliberalism was as vigorous as in the interventionist period. We can debate the exact numbers, but he fails to consider that the growth rate for his neoliberal period is improved both by excluding the recession in 1980–1982 (caused by neoliberal monetary policy in the US) and by the ascent of China and India (which have never embraced neoliberalism), which compensates for the abject failures in Latin America and sub-Saharan Africa, which implemented neoliberal policies most faithfully. He tries to refute my argument that the growth rate of Mexican per capita income of 1.8 percent from 1994–2002 is evidence that free trade isn't working there, asserting that "it takes a while to decide what policies are having a positive effect on growth." Unfortunately for him, Mexico's growth rate during 2002–2009 is negative.

Mr. Easterly says representative democracy was a key to the economic development of Western countries. He should brush up his history. No Western country adopted universal suffrage before 1907 (New Zealand) and it was only after World War II that a majority of them gave the vote to all. Perhaps it's just trivia for him that Switzerland refused to give women the vote until 1971, but what does Mr. Easterly think the civil rights movement was all about?

Mr. Easterly says that economic growth does not come from "experts" like me but entrepreneurs, like Ju-Yung Chung, the legendary founder of Hyundai. He conveniently omits the details that prove my point: before it succeeded in the world market, Chung's auto venture was supported by decades of import bans, export subsidies, and tariff protection.

Ha-Joon Chang
University of Cambridge
Cambridge, England

To the Editors:

If the "Gang of Four" of East Asia—Hong Kong, Singapore, Taiwan, and South Korea —and now China are current successes, as William Easterly writes in his review of The Drunkard's Walk by Leonard Mlodinow and Bad Samaritans: The Myth of Free Trade and the Secret History of Capitalism, it is not only the policy of free trade that made them so, or other policies discussed in the review. It is also the centuries-old institution of "overseas Chinese" and the ethnic Tongs, who made it happen like the Protestants in Easterly's review.

The Overseas Chinese Association (OCA) was and still is a significant, enormous organization in China and within the rest of the "Gang of Four" countries (except of course South Korea) and reflects their mission: to create a borderless federation for promotion of businesses of overseas Chinese merchants linking banks, manufacturers, merchants, technical specialists like construction and mining engineers, and government.

The OCA worked directly with existing governments, socialist, Communist, and capitalist, well before the current East Asian miracle bloomed. By 1980, the Overseas Chinese Association had a chain of hotels, meeting rooms, communication networks, business facilities like telex, overseas telephone exchanges, printing equipment, restaurant entertainment rooms, and private banquet facilities in all but the smallest cities in China and in the rest of the "Gang of Four" countries. This made for smooth, integrated business growth for Chinese businessmen, which, in Singapore, Malaysia, and Taiwan, meant most new development. Even without the OCA, Chinese in Malaysia and Singapore and Hong Kong had the hidden support of the southern Chinese family Tongs, which gave and still give incredible advantages, functioning as tough "old boy" networks.

I was a guest of a Haaka Tong member who was also a member of the Overseas Chinese Association in the early 1980s and I observed how a transaction that might take a businessman from the US, Australia, India, or the UK months took only a few days.

James Rossant
FAIA, FAICP
Condeau, France Graduate City Planning
Pratt Institute Brooklyn, New York
William Easterly replies:

I agree with Mr. Rossant on the role of the overseas Chinese—they would be part of what I called the "randomness" of "who will be in the right place at the right time to sell the right thing to the right people."

Concerning Professor Chang's letter, it puzzles me that he did not respond to my main criticism of his book: that he finds spurious patterns in partially random economic outcomes in ways identified by Leonard Mlodinow's book. In particular, I criticized him for selective use of evidence (confirmation bias) and excessive reliance on too little data. His letter claims to rebut my criticisms—by engaging in more selective use of evidence (confirmation bias) and more excessive reliance on too little data.

So, for example, Chang rebuts my claim that "rich countries have often protected agriculture rather than industry," citing a study that he says shows "most of them protected industry far more than agriculture." I am not sure what he means by "most," as the study covered only ten now-rich countries from 1875 to 1913, of which only one (Australia) fits Chang's "far more" statement. The others broke down like this: two protected agriculture somewhat more, three protected manufacturing somewhat more, and the other four were tied or mixed. In this case, Chang does seem to find what he already expected to find even in the studies he has already selected to bolster his argument (Mlodinow's "confirmation bias.")

Chang similarly is selective in his attempt to rescue his vulnerable claim that growth is slower under a system of neoliberalism (to use his term), in which states do not intervene much in relatively free markets and free trade. His letter admits my point that growth performance under neoliberalism is as good as before neoliberalism, but now he attributes this to allegedly non-neoliberal China and India. Yet his letter omits the inconvenient fact that China and India are much more neoliberal than they were in the good old days of the interventionist period.

Chang misses the point on how the evidence for any one good thing—like representative democracy—is only reliable in the very long run (lots of data) and cannot be confirmed or rejected with only a few examples (too little data). So he refutes my case for democracy with lots of data—by reliance on too little data (whether women in one country—Switzerland—could vote after 1971? Of course this is not trivial from a moral standpoint, but its weight as evidence is minuscule). The now-rich countries have been more democratic than the rest of the world on average in the long run and have been steadily increasing in democracy.

Mlodinow's book warned that our brains are so hard-wired to misunderstand randomness that we make the same mistakes even after somebody points out the mistakes. I have been guilty of this myself in my own career, and unfortunately Chang now does the same with this letter

1471) Bolivarianismo religioso


Sem comentários...

1470) Lenin morreu de sifilis; Sorry, true believers...



Bem, pelo menos se pode argumentar que ele nao era gay...
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Paulo Roberto de Almeida


Historiadora diz que Lênin morreu de sífilis

Um novo livro sobre a vida de Vladimir Lênin sustenta que o revolucionário russo e um dos fundadores da União Soviética morreu de sífilis, doença que teria contraído em Paris depois de uma relação sexual com uma prostituta.

Segundo a autora da obra, Helen Rappaport, especialista em história russa, diferentes documentos indicam que Lênin teve sífilis, da qual também foram vítimas outros homens famosos, diz a edição de hoje do jornal britânico "Daily Telegraph".

Rapapport afirma que os sintomas da sífilis de Lênin eram visíveis e que muitos hierarcas russos suspeitavam de que sofria da doença, mas foram proibidos de falar sobre isso até a morte do líder político, em 1924, aos 53 anos.

Os documentos oficiais da época atribuem seu falecimento a três ataques apopléticos sofridos nos dois últimos anos de sua vida e às sequelas de uma tentativa de assassinato em 1918.

Rappaport baseia sua afirmação em um relatório do famoso cientista Ivan Pavlov no qual este afirmava que a revolução tinha sido feita por "um louco com o cérebro sifilítico".

Em seu livro, intitulado "Conspirator: Lenin in Exile" ("Conspirador: Lênin no Exílio", em tradução livre), a historiadora sustenta que o líder russo contraiu sífilis de uma prostituta de Paris em 1902.

Segundo Rappaport, a afirmação de Pavlov sobre Lênin aparece em documentos mantidos na universidade americana de Columbia e nos quais se reproduz uma conversa de 1928 em Paris do primeiro com outro cientista, Mikhail Zernov.

"Pavlov disse a Zernov que Lênin tinha sífilis e manifestava todos os sintomas" da doença, afirma a historiadora.

De acordo com Rappaport, "Pavlov conhecia os cientistas convocados a examinar o cérebro de Lênin depois de sua morte e todos coincidiram nesse diagnóstico".

1469) A profissao academica: do copiar-colar ao consumo de ideias

Uma leitora de meus textos escreveu pequena mensagem a propósito do velho problema da insuficiente reflexão e produção própria dos acadêmicos -- um problema que não é exclusivamente brasileiro, mas que aqui alcança proporções sem dúvida preocupantes -- e sua opção (deles, dos acadêmicos) em simplesmente glosar "argumentos de autoridade" para rechear seus textos.
Confesso não ter a solução para esse problema (e outros, que também afligem a academica, tampouco), mas talvez isso possa estimular alguém a escrever a respeito.
Em todo caso, antes de conseguir fazer uma elaboração mais reflexiva a respeito, transcrevo, como uma espécie de Aide-Mémoire, nosso exchange sobre o assunto.

A "reprodução" acadêmica

On 04/08/2009, at 16:52, Mxxxxxx Sxxxx wrote:

Boa tarde dr. Paulo Roberto , durante uma pesquisa me deparei com alguns textos de sua autoria , os quais me agradaram muito , principalmente na maneira de tecer sua opinião .Gostaria de saber se existe algum artigo que o senhor publicou a respeito do “consumo de idéias”, reprodução do conhecimento no lugar da produção deste.Refiro-me principalmente as universidades as quais deveriam propor a construção do conteúdo ao invés de apenas continuar COPIANDO e COLANDO o que algum ser superior declarou no passado.

Sou universitária e vivencio isso diariamente, não sei dizer se essa situação ocorre apenas na minha faculdade , no meu curso , mas observo que os universitários estão cada vez mais conformados, afinal é mais fácil decorar( ou usar o famoso ctrl C ctrl V) a ter que parar pra refletir , questionar , investigar.

Caso o senhor publicou algum material sobre esse assunto ou algo relacionado a isso , gostaria da indicação bibliográfica ,caso não fica esse e-mail como sugestão.

Agradeço muito a atenção e aguardo resposta

Mxxxxx

Minha resposta a ela, no mesmo dia:

Mxxxxx,

Grato pelo contato. Voce levanta um ponto interessante e passível de exame mais detido e discussão pública. Confesso que me senti motivado a escrever algo a respeito, mas infelizmente não tenho nada nessa linha que possa lhe servir neste momento.

Estou atualmente engajado na escritura de uma série de artigos sobre "falácias acadêmicas" e talvez o seu tema possa constituir o objeto de um próximo artigo meu. Até o momento tratei de questões econômicas, sociais e políticas, como você pode ver em meu site, no link "Falácias Acadêmicas".

Acredido que todos, atualmente, professores e alunos, vivenciamos esse tipo de problema, diariamente. Isso tem a ver com a honestidade intelectual, obviamente, mas as fronteiras são tenues, entre a pesquisa honesta, e referenciada, e a apropriação indébita, ou fraudulenta.

Veja que, em meu ultimo artigo (sobre o socialismo de mercado na China), eu aproveitei trechos de um trabalho antigo que tinha ficado incompleto, ou deasproveitado, como tal inédito. Neste caso, sou eu copiando a mim mesmo, o que nao é apropriacao, e sim apenas aproveitamento. Mas, por vezes tambem tem um pouco de Lavoisier, que é a pratica conhecida como transposicao: na Natureza nada se perde, nada se ganha, tudo se transforma, segundo a frase do famoso cientista frances do seculo 18.

Mas, tambem pesquisei no Google referências para meus ultimos trabalhos, livros publicados por economistas, frases que eles disseram, etc. Por vezes, essas fontes são referenciadas explicitamente, por vezes não.

A maior parte dos alunos, e alguns professores, por inércia, preguiça ou incapacidade própria, acaba transcrevendo trechos inteiros de trabalhos de terceiros para seus próprios trabalhos, o que constitui fraude, apropriação, desonestidade intelectual, e deve ser denunciado.

Mas a prática é mais comum do que se pensa.

Talvez eu escreva algo a respeito. Mas nao tenho nada especial no momento.

Em todo caso agradeço muito sua sugestão, que aproveitarei num próximo trabalho.

Cordialmente,

Paulo Roberto de Almeida

PS em 2.11.2009: Bem, até agora não tive tempo, oportunidade, lazer para escrever algo a respeito. Vou dedicar meu próximo ensaio da série Falácias ao problema da responsabilidade dos intelectuais, mas este tema permanece em meu "caderninho de próximos trabalhos".

1468) O passado sinistro do Itamaraty, segundo um anti-imperialista de ocasiao...

O autor da matéria lamenta que uma cubana, no caso a irmã de Fidel, Juanita, tenha sido recrutada para trabalhar para a CIA por meio da embaixatriz brasileira em Havana, esposa do Embaixador Vasco Leitão da Cunha, de notórias simpatias pró-americanas. Curiosamente, Vasco Leitão assumiu uma posição pró-cubana, ou melhor pró-Fidel, quando Manoel Pio Correia, no Itamaraty, tentava aprovar moção de censura contra a Cuba de Fidel na OEA, como este último relata em seu livro de memórias aqui citado.
Creio que ele está enganado ao dizer que Pio Correa espionou para a CIA: ele sempre foi anti-comunista, honestamente se ouso dizer (pois confessa quase tudo o que fez contra os comunistas em seu livro de memórias), mas não há registro de que tenha trabalhado para a CIA. Cooperou, sim, com os objetivos norte-americanos no âmbito da Guerra Fria, assim como outros diplomatas mantinham simpatias por Cuba e pela União Soviética no mesmo período.
Creio que essa época tem de ser vista com menos paixão e mais isenção, como tentei fazer neste meu trabalho sobre o mesmo período:

Paulo Roberto de Almeida:
“Do alinhamento recalcitrante à colaboração relutante: o Itamaraty em tempos de AI-5” In: Oswaldo Munteal Filho, Adriano de Freixo e Jacqueline Ventapane Freitas (orgs.), “Tempo Negro, temperatura sufocante": Estado e Sociedade no Brasil do AI-5 (Rio de Janeiro: Ed. PUC-Rio, Contraponto, 2008; 396 p. ISBN 978-85-7866-002-4; p. 65-89). (ver o livro neste link).

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Juanita e o passado sinistro do Itamaraty
Argemiro Ferreira
Carta Maior, 1.11.2009

Há uma particularidade insólita sobre nosso ministério das Relações Exteriores, o velho Itamaraty. Sempre desfrutou de boa imagem, menos por merecê-la do que pela prática nefasta, talvez de muitos anos, de varrer a sujeira para debaixo do tapete. Atravessou, por exemplo, todo o período da ditadura militar como se vivéssemos no melhor dos mundos, enquanto perseguia diplomatas - intelectuais como Antonio Houaiss, Vinícius de Morais, João Cabral de Melo Neto entre muitos. E prestou-se a papéis indignos mesmo antes do golpe de 1964.

Vale a pena lembrar tais coisas embora neste momento o Itamaraty, com o ministro Celso Amorim à frente, conduza com sucesso uma política externa exemplar. O que sugere revisitar a questão é a iniciativa de uma cubana de Miami, 76 anos de idade, notória pelo detalhe de ser irmã de Fidel e Raul Castro, de revelar num prolixo livro de memórias (
Fidel y Raúl, Mis Hermanos – La Historia Secreta, 432 páginas), ter sido agente da CIA, central de espionagem dos EUA, graças à diplomacia brasileira.

Juanita Castro não fez a revelação nesses termos, mas o que escreveu (ou o que escreveu para ela a co-autora mexicana Maria Antonieta Collins, especialista em livros de auto-ajuda que ensinam dietas, receitas, como lidar com ex-maridos, livrar-se do vício do cartão de crédito, etc) permite chegar a tal conclusão. Sem atribuir explicitiamente a carreira de espiã à nossa diplomacia, ela diz ter sido recrutada para a atividade pouco nobre através da mulher do embaixador Vasco Leitão da Cunha, que então servia em Havana.

O péssimo exemplo da embaixatriz
É conveniente esclarecer que, entre outras coisas, agora Juanita se diz traída duas vezes - uma pelo irmão Fidel, a outra pela CIA e os EUA. No primeiro caso, a gente entende: como governante Fidel optou por cuidar dos problemas do país, não dos interesses da família. Quanto ao país que a recebeu, queixou-se de que a CIA no governo do presidente Nixon, eleito em 1968, pediu a ela para mudar o discurso e sustar os ataques a Cuba e Fidel - ou seja, dizer o contrário do que dizia até então.

Mas voltemos à diplomacia. Como chefe da missão do Brasil, o embaixador Leitão da Cunha recebera Juanita como asilada em 1958, ainda no governo JK. Ela alegara correr risco por ser irmã de Fidel, então líder dos guerrilheiros que lutavam contra o ditador Fulgencio Batista. Vitoriosa a revolução no primeiro dia de 1959, ela deixou a embaixada. E em 1961, depois do fracasso (em abril) da invasão da CIA (na baía dos Porcos) a embaixatriz Virginia Leitão, ciente da atividade dela contra o governo revolucionário do irmão, chamou-a para uma conversa. E sugeriu que passasse a colaborar “com uns amigos que conhecem seu trabalho (contra o governo) e querem ajudá-la”.

De acordo com a versão, Virginia encarregou-se de promover o encontro de Juanita com um dos “amigos”, Tony Sforza, então usando o codinome “Enrique”, depois de ter atuado um tempo sob o disfarce de jogador e frequentador de cassinos, com o codinome “Frank Stevens”. Logo depois Juanita passava a operar como agente da CIA em território cubano, com o codinome “Donna”. A se acreditar no livro, durante quase três anos (até 1964, quando foi para os EUA), ela “protegia”, inclusive escondendo em sua casa, críticos e opositores da revolução.

A
s relações promíscuas de diplomatas
Daí em diante Juanita foi usada permanentemente pela CIA como arma de propaganda. A ligação dela com a espionagem americana não era segredo. Já em 1975, no seu livro
Inside the Company - CIA Diary, o ex-espião Philip Agee, citou-a como “agente de propaganda da CIA”. E num livro póstumo de 2005, Spymaster - My Life in the CIA, o célebre Ted Schackley, controvertido ex-chefe de operações da agência, revelou publicamente, pela primeira vez, que o contato da CIA com Juanita Castro tinha sido feito através da embaixatriz brasileira Virginia Leitão da Cunha.

Difícil é entender porque o fato ainda era ocultado no Brasil e porque não se tenta saber mais sobre as relações promíscuas de diplomatas e gente direta ou indiretamente ligada ao Itamaraty, dentro e fora do país? O mesmo livro que fizera (em 1975) a primeira referência à relação de Juanita com a CIA também registrara que no Uruguai, na década de 1960, o embaixador brasileiro Manuel Pio Corrêa atuara como espião da CIA.

Mas só em julho de 2007, graças a série de reportagens do
Correio Braziliense durante quatro dias seguidos, o país soube a extensão do papel de Corrêa. Depois de passar pelo Uruguai e pela Argentina ele foi premiado com a secretaria geral do Itamaraty e usou o cargo - e os superpoderes recebidos no governo Castello Branco - para criar insólita máquina de espionagem no ministério, com alcance mundial. Um certo Centro de Informações do Exterior (CIEX) dedicava-se a monitorar em toda parte, com a ajuda de nossos diplomatas, os exilados brasileiros e críticos do regime militar.

D. Hélder e a espionagem de Pio Corrêa
Por alguma razão desconhecida a grande mídia do resto do país, cúmplice do golpe de 1964 e beneficiária da ditadura durante 20 anos, preferiu praticamente ignorar o conteúdo daquelas reportagens. Mas um dos efeitos conspícuos da ação do CIEX pode ter sido a campanha mundial orquestrada pela diplomacia brasileira para impedir a concessão do prêmio Nobel da Paz ao arcebispo Hélder Câmara, que denunciava torturas e abusos contra os direitos humanos no Brasil. A maquinação torpe devia ser hoje motivo de estudo e repúdio na formação dos futuros diplomatas.

Mas os segredos do Itamaraty, ao contrário, parecem intocáveis. No seu livro de memórias,
O mundo em que vivi, o próprio Pio Corrêa, ao negar perseguição a Vinícius de Moraes (que se desligou, alega ele, num acordo amistoso) vangloriou-se de ter demitido “pederastas”, “vagabundos” e “bêbados”. Houaiss e João Cabral já eram perseguidos antes da ditadura, como alvos de campanha macarthista liderada, ainda no início da guerra fria, pela Tribuna da Imprensa ao tempo de Carlos Lacerda, que os denunciava como subversivos em manchetes de primeira página.

Seria no mínimo saudável arejar esse passado recente e não perpetuar o sigilo. O Itamaraty foi suspeito antes de ocultar seus erros e ainda os gastos elevados, como se fosse uma caixa preta. O fato de alguém como Virginia Leitão da Cunha - cujo marido ocupou altos cargos, foi até ministro do Exterior da ditadura - ter atuado como espiã a serviço de potência estrangeira, dentro da embaixada brasileira, e recrutado agente para serviço de espionagem de outro país, é vergonha que tem de ser exposta à execração pública, para o exemplo nunca ser seguido. E se deixar de ser feita coisa parecida em relação aos Pio Corrêa da vida, a impunidade funcionará como estímulo no futuro ao mesmo comportamento deprimente - que revela subserviência e rebaixa a qualidade de nossa diplomacia.

http://argemiroferreira.wordpress.com/


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PS Paulo Roberto de Almeida:
Cabe registrar aqui mais um comentário pessoal, baseado em meu parco conhecimento da vida e das posições do Embaixador Vasco Leitão da Cunha, que deixou um livro de memórias, chamado Diplomacia em Alto Mar.
Enquanto foi representante diplomáatico brasileiro, Vasco Leitao abrigou, na Embaixada do Brasil em Havana, muitos opositores de Batista, na fase revolucionaria, e depois muitos opositores de Fidel, após a vitoria da revoluçnao. Ou seja, fez seu trabalho diplomatico, sem olhar ideologias e paixoes revolucionarias, de um lado e de outro.
Pode-se dizer que era um ecletico, ou um gentleman, como muitos se referem a ele. Em todo caso, era um embaixador ao velho estilo, com todos os tiques e trejeitos dos diplomatas punhos de renda, e tambem, um defensor consciente da opcao americana para o Brasil, um conservador sincero e honesto. O pessoal de esquerda pode chama-lo de reacionario, por causa de sua adesao ao movimento militar em 1964, mas isso porque esse pessoal tambem tem uma visao maniqueista do mundo, um pouco como o Pio Correa, um anticomunista profissional...
Cada um tem direito a sua opiniao, e de expo-la livremente, sem esses maniqueismos tao ridiculos como os de Argemiro Ferreira no arquivo abaixo. Como se outros nao tivessem espionado para os sovieticos.
Mas, claro, apenas a CIA é pecaminosa, ilegitima, desrespeitadora da soberania brasileira e interessada em subordinar o Brasil aos interesses americanos. A URSS e a KGB estavam sinceramente comprometidas com o desenvolvimento brasileiro...
Certos maniqueistas só vem o problema de um lado...

sábado, 31 de outubro de 2009

1467) De volta ao problema do Estado e da política

Um leitor deste blog formulou um comentário a propósito deste post:

sábado, 31 de outubro de 2009
1462) A volta do Estado?, Não, segundo Mailson da Nobrega

Ele escreveu o seguinte:
Euclides Vega disse...
"As mudanças tinham o apoio do eleitorado, que elegeu e reelegeu os líderes que conduziram as reformas."
Professor, essa é a única coisa que me deixa intrigado: tanto os estatistas como os liberais dizem que suas políticas tem o apoio do eleitorado. Não sei, parece-me que o eleitorado, por mais educado que seja, não é capaz de compreender as tecnicidades do sistema financeiro. Talvez, a economia 'popular' e somente esta, pese no voto, e quanto mais quanto maior for a educação e menores forem as demais questões políticas. Estou sendo por demais óbvio?
Sábado, Outubro 31, 2009 7:07:00

Eu lhe respondi o que segue:

Esta é a questão clássica, que perturbou muitas mentes instintivamente democráticas -- como Tocqueville, por exemplo -- mas que se preocupavam com a qualidade da democracia, ou sua sustentabilidade, em face dos simplismos políticos, da demagogia, dos abusos da liberdade. Não nos esqueçamos que, até o século 18, o conceito de democracia era basicamente depreciativo, ou seja, querendo significar o governo do povinho miudo, das massas ignaras, das turbas manipuláveis e, portanto, um regime condenável.
Para alguns gregos, como Aristóteles, a democracia tinha sempre uma degeneração qualquer.
Muitos escritores do início ainda do século 19 se opunham à "democracia", pois não pretendiam que seus países caíssem nas mãos de populistas e demagogos, dada a tendência do povinho miudo em seguir aqueles que faziam as promessas mais mirabolantes.
De fato, todos os governantes dizem que suas políticas foram previamente sancionadas nas urnas -- posto que eles ganharam por número de votos -- e que portanto eles têm todo o direito de implementar "aquelas" políticas que receberam "consagração" nas urnas.
Sabemos que isso não é verdade, pois que dificilmente você desce a detalhes orçamentários e de organização e funcionamento do Estado durante uma campanha eleitoral, assim como você nunca discute a forma e o conteúdo de muitas politicas setoriais que são apresentadas genericamente durante a campanha.
Portanto, a alegação não se sustenta e você não está sendo óbvio, apenas traduzindo um dilema que é nosso e de todo sistema político.
Nenhum eleitorado, por mais educado que seja, pode dar um voto tão preciso e focado, que alcance as definições técnicas de um sistema financeiro ou mesmo a organização educacional, por exemplo. Isso é impossivel.
Daí que o Parlamento tem um enorme papel e uma grande responsabilidade. Quando os representantes parlamentares são despreparados e corruptos, então a situação se complica. Claro, num país pode existir uma burocracia esclarecida e bem intencionada, mas o papel dos líderes políticos é fundamental.
Não existem soluções simplistas, ou fáceis, a este dilema eterno.

Paulo Roberto de Almeida
31.10.2009

1466) O ranking das universidades brasileiras

Segundo os critérios e a metodologia adotados pela Shanghai Jiao Tong University, Shanghai, China.

Academic Ranking of World Universities – 2009
Brazil
Region: Americas

National Rank - Institution - World Rank - Regional Rank
1 - University of Sao Paulo - 101-151 - 60-77
2 - State University of Campinas - 201-302 - 100-134
3-4 - Federal University of Minas Gerais - 303-401 - 135-162
3-4 - Federal University of Rio de Janeiro - 303-401 - 135-162
5-6 - Federal University of Rio Grande do Sul - 402-501 - 163-184
5-6 - Sao Paulo State University - 402-501 - 163-184

1465) Academic Ranking in Social Sciences

According to Shanghai Jiao Tong University, Shanghai, China
Available at: http://www.arwu.org/ARWUFIELD2009SOC.jsp

Academic Ranking of World Universities in Social Sciences - 2009

Methodology | Statistics

World Rank Institution* Country Score on Alumni Score on Award Score on HiCi Score on PUB Score on TOP Total Score
1 Harvard University
100 53 100 100 88 100
2 University of Chicago
71 100 79 74 100 95.0
3 Stanford University
29 33 89 74 94 80.1
4 Columbia University
58 72 58 79 84 80.0
5 Massachusetts Institute of Technology (MIT)
96 53 56 60 95 78.3
6 Princeton University
71 63 64 57 92 77.6
7 University of California, Berkeley
50 57 61 79 84 77.4
8 Yale University
71 40 57 65 90 73.9
9 University of Pennsylvania
0 28 74 79 88 72.0
10 New York University
0 32 49 75 95 66.1
11 University of Michigan - Ann Arbor
0 0 63 81 89 64.8
12 University of Minnesota, Twin Cities
41 26 36 70 86 62.5
13 University of California, Los Angeles
41 0 40 74 85 59.7
14 Northwestern University
0 0 56 67 91 59.5
15 Carnegie Mellon University
65 36 28 41 88 57.1
16 University of Cambridge
58 64 16 63 64 56.7
17 Duke University
0 0 46 65 91 56.3
17 University of Maryland, College Park
0 32 32 68 83 56.3
17 University of Oxford
41 20 28 75 71 56.3
20 The University of Texas at Austin
0 0 51 69 82 56.2
21 Pennsylvania State University - University Park
0 0 43 70 87 55.5
22 University of Wisconsin - Madison
0 0 43 71 82 54.5
23 University of North Carolina at Chapel Hill
0 0 40 67 87 54.0
24 University of California, San Diego
0 32 38 47 84 52.5
25 London School of Economics and Political Science
29 0 28 72 76 52.2
25 The Ohio State University - Columbus
0 0 36 69 83 52.2
27 Arizona State University - Tempe
0 23 28 62 82 51.8
28 University of Washington
0 0 32 67 85 51.2
29 University of British Columbia
29 0 28 61 79 50.1
30 Cornell University
41 0 16 67 79 49.7
31 Washington University in St. Louis
0 28 23 51 88 49.6
32 Michigan State University
0 0 28 68 81 49.1
33 Indiana University Bloomington
0 0 28 67 78 48.2
34 The Johns Hopkins University
50 0 23 43 87 48.1
35 Vanderbilt University
0 0 40 53 79 47.5
36 University of Southern California
0 0 28 61 81 47.2
37 University of Rochester
0 0 43 36 90 47.0
38 McMaster University
41 0 28 42 80 46.1
39 University of Illinois at Urbana-Champaign
0 0 23 68 74 45.9
40 Boston University
0 0 34 52 77 45.4
41 University of California, Davis
0 0 16 53 92 44.8
42 George Mason University
0 47 16 48 66 44.0
43 Brown University
0 0 32 39 86 43.9
44 Emory University
0 0 16 47 93 43.4
44 Georgetown University
0 0 16 54 86 43.4
44 Rutgers, The State University of New Jersey - New Brunswick
0 0 32 52 71 43.4
47 University of Pittsburgh
0 0 23 52 80 43.3
48 Dartmouth College
0 0 23 35 97 43.1
49 University of Arizona
0 0 16 53 85 42.7
49 University of Colorado at Boulder
0 0 23 49 81 42.7
49 University of Iowa
0 0 16 49 89 42.7
52-75 California Institute of Technology
41 0 23 31 77
52-75 Florida State University
0 0 16 60 73
52-75 McGill University
0 0 23 47 70
52-75 Purdue University - West Lafayette
0 0 16 52 72
52-75 Rice University
0 0 16 35 87
52-75 State University of New York at Albany
0 0 28 45 77
52-75 Tel Aviv University
0 0 16 45 77
52-75 Texas A&M University - College Station
0 0 16 57 78
52-75 The George Washington University
0 0 0 51 91
52-75 The Hebrew University of Jerusalem
29 32 0 49 72
52-75 The Hong Kong University of Science and Technology
0 0 16 36 88
52-75 The University of Georgia
0 0 16 61 76
52-75 The University of Texas at Dallas
0 0 23 39 86
52-75 University College London
0 0 16 56 79
52-75 University of Amsterdam
0 0 16 60 66
52-75 University of California, Irvine
0 0 16 49 79
52-75 University of California, Santa Barbara
0 23 16 42 75
52-75 University of Copenhagen
0 0 23 41 75
52-75 University of Florida
0 0 16 52 77
52-75 University of Illinois at Chicago
0 0 16 53 71
52-75 University of Toronto
0 0 0 75 76
52-75 University of Utah
0 0 23 41 84
52-75 University of Virginia
0 0 16 49 87
52-75 University of Warwick
0 0 32 57 61
76-100 Catholic University of Louvain
0 0 16 46 69
76-100 Erasmus University
0 14 0 52 77
76-100 London Business School
0 0 0 37 91
76-100 North Carolina State University - Raleigh
0 0 20 42 67
76-100 Queen's University
0 0 16 38 70
76-100 Simon Fraser University
0 0 16 43 73
76-100 State University of New York at Stony Brook
0 0 16 30 88
76-100 The Australian National University
0 0 16 57 62
76-100 The University of Edinburgh
29 0 0 53 65
76-100 The University of Manchester
0 0 0 69 63
76-100 The University of Western Ontario
0 0 11 42 79
76-100 Tilburg University
0 0 0 54 70
76-100 University of Bristol
0 0 16 46 71
76-100 University of East Anglia
0 0 23 36 65
76-100 University of Massachusetts Amherst
0 0 16 36 77
76-100 University of Miami
0 0 23 35 77
76-100 University of Missouri - Columbia
0 0 0 49 77
76-100 University of Montreal
0 0 16 52 66
76-100 University of Nebraska - Lincoln
0 0 16 38 74
76-100 University of Notre Dame
0 0 0 40 89
76-100 University of Nottingham
29 0 0 61 65
76-100 University of Oklahoma - Norman
0 0 16 38 72
76-100 University of Oslo
0 38 0 43 66
76-100 University of South Carolina - Columbia
0 0 16 46 76
76-100 VU University Amsterdam
0 0 0 52 74

1464) The Story of Academic Rankings - Nian Cai Liu, Shanghai Jiao Tong University

The Story of Academic Rankings
Nian Cai Liu
Professor and Dean of the Graduate School of Education, Shanghai Jiao Tong University, Shanghai, China.
E-mail

Building world-class universities has been the dream of generations of Chinese. At the 100th anniversary of Peking University in May 1998, the then president of China declared that the country should have several world-class universities—resulting in the 985 Project, which is especially for building world-class universities in China.

In 1998, Shanghai Jiao Tong University was selected by the Chinese government to be among the first group of nine universities in the 985 Project. At that time, many top Chinese universities drew up their strategic goals as world-class universities, and most of them set up a timetable. Shanghai Jiao Tong University was no exception. As a professor and vice-dean of the School of Chemistry and Chemical Engineering of the university, I became involved in the strategic planning process of building Shanghai Jiao Tong University into a world-class university.

During the process, I asked myself many questions. What is the definition of a world-class university? How many world-class universities should there be globally? What are the positions of top Chinese universities in the world higher education system? How can top Chinese universities reduce their gap with world-class universities? In order to answer these questions, I started to benchmark top Chinese universities with world-class universities and eventually to rank the world universities.

The Global Position of Chinese Universities
From 1999 to 2001, with Dr. Ying Cheng and two other colleagues, I worked on the project of benchmarking top Chinese universities with four groups of US universities, from the very top to ordinary research universities. The main conclusions include that top Chinese universities were estimated to be in the position of 200 to 300 in the world. The results of these comparisons and analyses were used in the strategic planning process of Shanghai Jiao Tong University. Eventually, a consultation report was written and provided to the Ministry of Education of China.

The publication of the report resulted in numerous positive comments, many of which involved the possibility of making a real ranking of world universities. During the time, many foreign friends, who visited us for other purposes, learned about our study and encouraged us to do world rankings. They reminded us that not only in China but also universities, governments, and other stakeholders in the rest of the world are interested in the ranking of world universities. Therefore, I decided to undertake this project, and with three colleagues spent another two years until the Academic Ranking of World Universities was completed in early 2003.

In June 2003, the ranking was published on our Web site (http://www.arwu.org). Although about 1,200 institutions from all over the world have actually been ranked, only the lists of the top 500 institutions have been published on the Web. Considering the significance of differences in the total scale, the ranking results include groups of 50 institutions in the range of 100 to 200 and groups of 100 institutions in the range of 200 to 500.

Ranking by Broad Subject Fields
Ever since its publication, the ranking has attracted attention from all over the world. Numerous requests have been received, asking us to provide a ranking of world universities by broad subject fields or by schools and colleges. We have tried to respond to these requests and the results were published on our Web site in February 2007. The five broad subject fields include the natural sciences and mathematics, engineering/technology and computer sciences, life and agriculture sciences, clinical medicine and pharmacy, and the social sciences.

Arts and humanities were not ranked because of the technical difficulties in finding internationally comparable indicators with reliable data. Psychology and other cross-disciplinary fields were not included in the ranking because of their interdisciplinary characteristics. Two new indicators were introduced: first, the percentage of articles published in the top 20 percent journals of each broad subject field and, second, the research expenditures (for engineering ranking). The list of top 100 universities in each broad subject field was published.

Ongoing Efforts to Diversify the Ranking
The Academic Ranking of World Universities sought to rank research universities in the world by their academic or research performance based on internationally comparable third-party data that everyone could check. The project was carried out for our academic interests, with potential impact on the strategic planning of Chinese universities.

Methodological problems involve the balance of research with teaching and service in ranking indicators and weights—inclusion of non-English publications, the selection of awards, and the experience of award winners. Technical problems exist in the definition and name given to institutions, data searching and cleanup of databases, and attribution of publications to institutions and broad subject fields. We have been working hard to study all the above-mentioned problems and to improve our ranking.

In addition to the broad subject field ranking, we are surveying the possibilities of providing more diversified ranking lists, particularly rankings based on different types of universities with different functions, disciplinary characteristics, history, size, and budget, as well as other topics. Furthermore, we have been doing theoretical research on ranking in general, seeking to contribute to the understanding of ranking. We have also been actively participating in international societies related to ranking such as the International Ranking Expert Group—International Observatory on Academic Ranking and Excellence (http://www.ireg-observatory.org).

Conclusion
Any ranking is controversial, and no ranking is absolutely objective. Nevertheless, university rankings have become popular in almost all major countries in the world. Whether universities and other stakeholders agree, ranking systems clearly are here to stay. The key issue then becomes how to improve ranking systems and how to use their results properly. Ranking methodologies should always be examined carefully before looking at any ranking lists, and ranking results should be used with caution.

Authors note: For additional information about the Shanghai higher education rankings, see http://www.arwu.org.

[Online] Available: http://www.bc.edu/bc_org/avp/soe/cihe/newsletter/Number54/p2_Liu.htm

1463) Como inviabilizar a industria farmaceutica de um pais em seis meses...

É o que promete - a despeito de protestos em contrario -- o presidente do Equador, ao cancelar patentes e conceder licenciamentos compulsorios de quase duzentos medicamentos.
Ele pensa que os laboratórios nacionais serão capazes de fabricá-los.
Vai descobrir que não, e a população estará em muito pios situação do que antes, tendo de importar, contrabandear, pagar com ágio remédios que desaparecerão das farmácias.
Certas pessoas não aprendem absolutamente nada. Deve ser um virus, mas não se conhecem medicamentos contra estatismo agudo e anticapitalismo galopante.
O estado febril do país tende a se agravar...

L'Equateur défie l'industrie pharmaceutique
Rio de Janeiro Correspondant régional
Le Monde, 30 octobre 2009

L'Equateur vient de décider de produire ou d'importer plus de deux mille médicaments, en passant outre les brevets déposés par les multinationales pharmaceutiques. En annonçant cette décision, confirmée par un décret entré en vigueur le 23 octobre, le président équatorien, Rafael Correa, l'a justifiée, au nom de la santé publique, par la nécessité d'élargir l'accès de la population à des médicaments qui, du fait de cette mesure, seront bien meilleur marché.

Près de la moitié des 14 millions d'Equatoriens vivent sous le seuil de pauvreté. "Plus jamais de médicaments avec brevet, a promis le chef de l'Etat dans son allocution hebdomadaire radiotélévisée. Chaque fois que nous pourrons éliminer les brevets et mettre en place une licence obligatoire, nous le ferons."

La licence obligatoire est une procédure par laquelle un Etat contraint, au nom de l'intérêt public, les propriétaires des brevets à autoriser un tiers à entrer en concurrence avec eux sur le marché, à armes égales. Pour compenser la perte des bénéfices que rapporte la fabrication exclusive des médicaments sous brevet, le pays devra verser aux entreprises lésées "une rémunération adéquate", selon les termes de l'accord de l'Organisation mondiale du commerce (OMC) sur la propriété intellectuelle.

Cette attaque contre les brevets pharmaceutiques s'inscrit dans le processus de radicalisation de la "révolution citoyenne et pacifique", accéléré par le président Correa après sa réélection pour un deuxième mandat, en août 2009. Partisan, à l'instar de son homologue vénézuélien Hugo Chavez, de l'instauration dans son pays d'un "socialisme du XXIe siècle", M. Correa affirme souvent vouloir renforcer "la souveraineté nationale" contre "la voracité du capital".

Sur ce "nouveau champ de bataille", il dit vouloir obliger, par une politique "pionnière", les multinationales à concéder à des entreprises nationales "la production de certains médicaments", ajoutant : "Nous ne croyons pas aux droits de propriété néolibéraux à s'approprier jusqu'à la connaissance, qui est un bien public. Les multinationales font payer très cher les brevets. Ainsi, les gens peuvent, faute d'argent pour se traiter, mourir du cancer ou du sida. Les médicaments ne peuvent être considérés comme une marchandise."

Quito assure que ce mécanisme de substitution des brevets par des licences, loin d'être confiscatoire, est conforme au droit international et prévu en toutes lettres par des dispositions de l'OMC, au bénéfice des pays en situation d'urgence sanitaire.

Cette politique sera mise en oeuvre par l'Institut équatorien de la propriété intellectuelle (IEPI). Son président, Andres Ycaza, a précisé que le décret présidentiel s'appliquait à 2 241 brevets déposés par 177 laboratoires pharmaceutiques.

Selon un rapport du cabinet Etudes Intercontinental Marketing Services, cité par le quotidien El Comercio, 243 entreprises pharmaceutiques opèrent en Equateur, dont 177 étrangères, sur un marché qui représente 720 millions de dollars annuels (485 millions d'euros).

Le chef de l'Etat annonce une "baisse drastique" des prix des médicaments. Reste à savoir quand et comment ? Selon Renato Carlo, responsable de l'Association des laboratoires pharmaceutiques équatoriens (ALFE), la baisse pourrait commencer à se faire sentir "dans six à douze mois".

L'IEPI dit être prêt à concéder les licences une fois qu'il aura reçu la liste des médicaments jugés prioritaires. Les brevets à convertir en licences seraient environ au nombre de deux cents. Ils concerneraient notamment le traitement du cancer, du sida, du diabète, de l'hypertension et de plusieurs maladies moins graves et plus répandues.

Les professionnels prévoient une diminution des importations de médicaments au profit de l'industrie nationale. "Nos ventes vont diminuer, estime Edwin Lucero, administrateur de la société Farmacias Cruz Azul. Dans un premier temps, il y aura une rupture d'approvisionnement car 5 % seulement de nos stocks sont fabriqués dans les laboratoires nationaux."

L'industrie nationale produit à peine 13 % de la totalité des médicaments consommés en Equateur. Le gouvernement se dit persuadé que celle-ci relèvera le défi qui lui est lancé car elle ne tourne actuellement qu'à 40 % de ses capacités. "Elle génère 3 000 emplois directs. Ce chiffre quintuplera, lorsqu'elle fonctionnera à plein rendement", prédit M. Carlo.

Les professionnels du secteur sont plus sceptiques. Ils soulignent que la plupart des laboratoires se cantonnent au conditionnement des médicaments et ne disposent pas des formules chimiques. Antonio Quezada, gérant du groupe Difare souligne : "L'industrie locale n'en est pas au stade de la transformation chimique. Elle devra donc importer les principes actifs - les molécules - de certains médicaments. Ce sera un long processus."

1462) A volta do Estado?, Nao, segundo Mailson da Nobrega

O estado voltou?
Maílson da Nóbrega
Veja, 2.11.2009

"Na economia real, nada mudará. É fato que nos países ricos a crise tornou o estado sócio de empresas e bancos, mas depois do temporal a participação reverterá ao setor privado"

Estudos mais recentes sobre as causas da crise financeira começam a desmentir diagnósticos apressados feitos no calor da turbulência. Perde sustentação, por exemplo, a tese que atribui sua origem à desregulação.
Destino semelhante deverá ter a tese que culpa a influência das ideias liberais e daí um suposto endeusamento do mercado. Um fantasma, o "estado mínimo", povoa a mente dos que sonham retomar a intervenção estatal do passado.
É o que diz o coordenador da campanha presidencial de Dilma Rousseff, para quem o estado teria voltado. "Ele aparece como a única resposta confiável à irracionalidade econômica para a qual foi conduzida a humanidade pelos mercados." Que exagero!
Não ficou por aí. "As advertências sobre o papel que o estado assumirá na economia a partir de agora não podem servir de biombo para um constrangido conservadorismo que não quer admitir suas responsabilidades na construção da desordem mundial em que se encontra hoje mergulhada a humanidade." Que equívoco!
É verdade que o "estado mínimo" foi defendido, mas por libertários que desprezam o seu papel no capitalismo contemporâneo, como o de regular certas atividades e defender a concorrência. No outro lado também há radicais, como os que ainda pregam o falido comunismo. São minorias sem relevância.
A desregulação ocorreu particularmente nos Estados Unidos e na Inglaterra, entre os anos 1970 e 1980. Foi uma resposta racional aos excessos da intervenção estatal e seus efeitos negativos. Era fruto da imposição da realidade e não de ideologia.
No campo financeiro, os Estados Unidos revogaram a Regulation Q (1980), que previa o tabelamento de juros das cadernetas de poupança, e o Glass-Steagall Act (1999), que ditava a separação das atividades de banco comercial e de banco de investimento. Eram relíquias da época da Grande Depressão, distanciadas das novas realidades.
Na Inglaterra, o Big Bang (1986) deu fim aos privilégios dos stockjobbers, corretores que detinham a exclusividade de compra e venda de ações na bolsa de valores. Aboliu-se o sistema de comissões fixas. Abriu-se o mercado para instituições estrangeiras.
A desregulação foi uma evolução natural. Os bancos americanos perdiam mercado para os de países onde não havia tais restrições regulatórias. As mudanças tinham o apoio do eleitorado, que elegeu e reelegeu os líderes que conduziram as reformas.
Nos dias atuais, o estado tem exercido dois papéis indelegáveis: evitar o colapso do sistema financeiro e preencher, via gastos, o espaço deixado pela contração do consumo e do investimento privados. São ações temporárias necessárias, e não a volta da intervenção do passado.
Houve falhas de regulação – caso dos derivativos – que permitiram a assunção irresponsável de riscos. Fenômenos novos tornaram obsoletos certos marcos regulatórios, que precisam ser refeitos. Por exemplo, crises sistêmicas podem vir da interconectividade dos mercados. No passado, decorriam de corridas bancárias.
A re-regulação tende a abranger novos níveis de capitalização e limites à alavancagem. É provável que inclua regras para as agências de classificação de risco e a remuneração por desempenho nas instituições financeiras.
Na economia real, nada mudará. É fato que nos países ricos a crise tornou o estado sócio de empresas e bancos, mas depois do temporal a participação reverterá ao setor privado. É o que têm reiterado as autoridades. Nos Estados Unidos, não há apoio social para reviver a intervenção nos mercados de transporte, energia elétrica, de petróleo e telecomunicações.
Não voltarão absurdos como o dos reguladores do Texas, que fixavam horários para o funcionamento dos poços de petróleo. A Inglaterra não restabelecerá os privilégios dosstockjobbers nem a proibição de estrangeiros atuarem na bolsa. O Brasil não verá a volta do monopólio estatal das telecomunicações.
Há avanços que se tornam irreversíveis. Regras que se provam melhores tendem a se manter. Novas crenças prevalecem sobre aquelas que não mais servem aos interesses da sociedade.
Visões estatizantes como as contidas nos projetos de lei do pré-sal representam a volta do velho estado, mas são apenas uma involução insustentável.

1461) Magreb: brevissima história, Beatriz Bissio

Ibn Khaldun: Uma explicação do funcionamento da sociedade humana
Por Beatriz Bissio
Correio do Instituto de Cultura Árabe, ano 5, n. 221, de 30.10 a 5.11.2009

O Magreb do século XIV, que deu ao mundo uma personalidade como o historiador Ibn Khaldun (Túnis, 1332- Cairo, 1406), um dos mais brilhantes exemplos do pensamento islâmico de todas as épocas, não era nem foi nunca o coração dos domínios muçulmanos, e sim uma região periférica. Porém, Ibn Khaldun teve oportunidade de conhecer e morar nos grandes centros de poder, que também eram os polos de efervescência cultural, notadamente o Cairo, sob controle mameluco, onde exerceu a função de cádi (juiz) e lecionou na Universidade de al-Azhar.

No período compreendido entre os séculos XIII e XIV, as fronteiras do mundo muçulmano mudaram substancialmente. Na área oriental, uma dinastia mongol, vinda da Ásia Oriental, conquistou o Irã e o Iraque, e colocou um fim ao califado abássida em Bagdá, em 1258. Convertidos ao Islã, os mongóis foram freados na sua tentativa de marchar para o oeste pelo exército egípcio formado por escravos militares (mamelucos). Oriunda do Cáucaso e da Ásia Central, a elite militar mameluca governou o Egito por mais de dois séculos (1250-1517); também governou a Síria a partir de 1260, e controlou as cidades santas da Península Arábica. Na parte ocidental, o declínio da dinastia almôada deu lugar a vários estados; no Magreb, entre eles, o dos marínidas no Marrocos (1196-1465) e o dos hafsidas, na Tunísia (1228-1574). A maior parte de Al-Andalus, a Península Ibérica muçulmana, de onde provinha a família dos Beni Khaldun, caiu nas mãos dos reinos cristãos do Norte e, em meados do século XIV, do antigo esplendor muçulmano só restava o reino de Granada, no sul.

As guerras e lutas internas que caracterizaram todo o século XIV provocaram a ruína de muitos centros urbanos e o empobrecimento das finanças públicas no mundo islâmico. Mas, no Magreb nesse século se consolida uma identidade cultural, com características singulares dentro do mundo islâmico. Afastado longos anos da sua terra natal, à qual nunca regressou depois de partir num auto-exílio, Ibn Khaldun cultivou até o fim da vida as raízes magrebinas e, sempre que possível, mostrou orgulho em pertencer ao entorno geopolítico e cultural forjado sob a influência de al-Andalus, terra de seus antepassados.

Abdesselam Cheddadi, responsável pela mais recente e completa tradução comentada da obra do sábio muçulmano para o francês, afirma que Ibn Khaldun foi testemunho de uma época de transição, na qual os países muçulmanos trataram de preservar o conhecimento do período clássico nos planos jurídico e religioso, assim como nos domínios científico, artístico e literário. Nesse momento histórico, o Islã estava mais voltado para o passado do que para o futuro.

Quando Ibn Khaldun assume a tarefa de sistematizar todo seu conhecimento e sua experiência em um livro – missão que se impõe durante quatro anos de reclusão em uma fortaleza do interior da Argélia, como destaca na sua autobiografia – ele busca dar uma resposta radical ao desafio vivido pelo Islã: fazia-se necessária uma nova ciência, que fornecesse leis universais capazes de explicar o funcionamento das sociedades humanas. É essa ciência que ele pretende fundar com sua mais importante obra, a Muqaddimah, pela qual passou à posteridade. O esforço não foi em vão: esse livro – na verdade os Prolegómenos a uma História Universal em vários volumes - é considerado há mais de um século uma obra clássica do pensamento histórico, a primeira tentativa conhecida de criar uma ciência das sociedades independente da teologia e da filosofia. Afastando-se da tradição, Ibn Khaldun chegava aos limites possíveis, na época, da independência de pensamento.

Islã: Divisão política, unidade cultural e religiosa

Se o mundo islâmico apresentava no século XIV um cenário convulsionado, com a economia e a política em fase crítica, a instabilidade nesses terrenos não conseguiu destruir a unidade cultural; ao contrário, ela tornava-se mais profunda à medida que novos contingentes humanos se convertiam à fé muçulmana. De fato, a essa altura, seguindo o vale do rio Nilo e a costa oriental africana, a religião islâmica continuava a sua expansão, ao longo das rotas comerciais, levada muitas vezes pelos próprios mercadores e indiferente aos conflitos políticos e militares. O avanço continuou pelo Sahel e pela margem sul do deserto do Saara, chegando ao coração da África.

Ibn Khaldun não observa a conflitiva situação do Magreb e do mundo islâmico com a perspectiva de um progresso linear, mas no contexto de uma evolução cíclica: uma fase negativa que põe fim a um ciclo do poder será seguida necessariamente de uma fase positiva, de reconstrução. Assim, o século XIV se apresentaria como um período de espera de um novo ciclo da civilização (umram) sob a égide de um novo povo – que ele identifica, perto do fim da sua vida, com os turcos. É alicerçado nessa concepção da história que Ibn Khaldun, apesar das dificuldades e desafios desse momento – incluindo os horrores da devastadora peste negra, que vitimou seus pais e seus primeiros mestres e dizimou a população do mundo árabe-islâmico tanto quanto a da Cristandade - não desenvolve uma visão pessimista. Na verdade, ele acredita que a ordem humana, uma vez atingida a maturidade, é essencialmente estável, quase imutável. E, na sua avaliação, essa maturidade tinha sido atingida pela civilização islâmica.

Esta é uma versão editada do artigo. Para ler o texto completo, clique aqui.

Beatriz Bissio é jornalista, socióloga e Doutora em História pela Universidade Federal Fluminense. Foi fundadora e diretora da revista “Cadernos do Terceiro Mundo”.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

1460) Concurso para o Itamaraty: 108 vagas

108 vagas para diplomatas
Leticia Nobre
Correio Braziliense, 30/10/09

Seleção será feita em quatro etapas. O salário pode chegar a R$ 17 mil

O Instituto Rio Branco divulgou as normas que vão nortear o concurso para diplomatas do próximo ano. Serão oferecidas 108 vagas, três a mais do que as previstas no edital de 2009. A seleção será feita em quatro fases e as disciplinas cobradas não foram alteradas.

Na primeira etapa, os aspirantes a diplomatas respondem a 80 questões objetivas de português, história do Brasil, história mundial, geografia, política internacional, inglês, noções de economia, noções de direito e de direito internacional público. Na fase seguinte, os 300 mais bem classificados terão cinco horas para redigir uma redação de 600 a 650 palavras e dois exercícios de interpretação, de análise ou de comentário de textos baseados na bibliografia indicada para prova de português.

Cada disciplina abordada na prova objetiva — exceto história mundial — voltará a ser avaliada em questões discursivas. São seis dias de provas com duração de quatro horas cada. Nesse prazo devem ser resolvidas seis questões com valor total de 100 pontos. Os exames de inglês e francês, quarta e última fase, são classificatórios e somente os candidatos com, no mínimo, 360 pontos na etapa anterior, serão convocados.

O cargo exige graduação em qualquer área de formação e amplo conhecimento em assuntos gerais. Os aprovados ingressam na carreira como terceiros secretários e se matriculam no curso de formação que começa cerca de 30 dias depois do término do processo seletivo e tem duração de mais ou menos 20 semanas. A remuneração dos diplomatas é em parcela única (sem desagregação entre vencimento e gratificações), chamada de subsídio, cujo valor inicial é de R$ 12.413,03. Ao longo da carreira essa quantia pode chegar a R$ 17.347.

Último concurso
As datas do concurso serão divulgadas em breve, sendo que o Cespe foi responsável pelas duas últimas seleções. Na deste ano, a taxa de participação cobrada foi de R$ 110. As inscrições ocorreram entre janeiro e fevereiro e a primeira fase das provas foi aplicada em março em Brasília, Belém, Belo Horizonte, Campo Grande, Cuiabá, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Goiânia, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís, São Paulo e Vitória. Os aprovados foram nomeados em 11 de agosto.

» Leia íntegra do edital do último concurso

1459) Livro sobre a Queda do Muro de Berlim: dia 9 em FLorianopolis


No dia 9/11/2009, ocorrerá, na Livraria Livros & Livros, no centro de Florianopolis, o lançamento do livro organizado pelos professores

Nilzo Ivo Ladwig e Rogério Santos da Costa
Vinte anos após a queda do muro de Berlim: um debate interdisciplinar
(Palhoça-SC: Editora da Unisul, 2009; ISBN: 978-85-86870-910).

sobre os 20 anos da derrubada do muro de Berlim, do qual participo com um capitulo:
O Brasil e as relações internacionais no pós-Guerra Fria

Dia 9 é o exato dia da derrubada ou da "abertura" do muro em Berlim.

1458) Ricupero sobre Venezuela no Mercosul: "É UM LAMENTÁVEL FATO CONSUMADO"!

A questão comercial era o unico ponto passível de ser considerado no ingresso da Venezuela no Mercosul. A questão da democracia era algo inaplicável no caso do Tratado de Assunção e mesmo do Protocolo de Ushuaia. Creio que eu já tratei deste tema num dos posts anteriores, que reproduzo aqui abaixo, logo depois do artigo do Embaixador Ricupero.
Creio que estamos transformando o Mercosul num organismo político, o que é, a todos os títulos, lamentável.
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Paulo Roberto de Almeida

VENEZUELA NO MERCOSUL: "É UM LAMENTÁVEL FATO CONSUMADO"!
Rubens Ricupero
O Estado de S. Paulo, 30/10/2009

O ingresso da Venezuela no Mercosul é um lamentável fato consumado. Um fato mal conduzido desde suas origens. Ele não deveria ter sido tratado como um caso político, mas sim como um caso de integração comercial, da mesma forma que acontece na Organização Mundial de Comércio (OMC), nos acordos de livre comércio e nas uniões aduaneiras. Em todos esses lugares, antes que o país ingresse é preciso completar as negociações das concessões tarifárias - o que não ocorreu aqui.

Para se ter uma ideia do que estou dizendo, vale recordar que a China demorou 12 anos para concluir o processo de negociações na OMC. O caso da Rússia é muito mais dramático: ela ainda não concluiu as negociações, que já duram 19 anos.

Em qualquer organismo baseado na ideia de concessões comerciais o país interessado em ingressar precisa pagar um preço - e o preço estabelecido é a redução de suas barreiras. São negociações extremamente difíceis, que envolvem, além dos tratados coletivos, acertos bilaterais, com cada um dos membros. No caso da OMC eles chegam a 130.

Quando se trata de uma união aduaneira, como o Mercosul, o processo fica ainda mais complicado. Enquanto num acordo de livre comércio, como o Nafta, que reúne Estados Unidos, México e Canadá, os acordos envolvem o fim das restrições entre eles, no caso da união aduaneira abrangem também as relações comerciais com o resto do mundo - o que significa que nenhum integrante da união pode negociar sozinho acordos bilaterais. O Brasil não pode oferecer aos Estados Unidos a redução de barreiras para determinado produto eletrônico, porque isso violaria seus compromissos no Mercosul.

No caso da Venezuela, o carro foi colocado na frente dos bois. O país assinou um instrumento de adesão antes das negociações de redução tarifária. É algo inédito. Não conheço nada parecido em nenhum acordo comercial.

O extraordinário é que nem o governo nem a oposição souberam debater esse problema fundamental. Os outros temas envolvidos, como democracia e direitos humanos, são importantes, mas não têm a ver diretamente com o Mercosul, que não pretende ser uma união política, como a União Europeia. O Mercosul é uma união aduaneira.

O governo brasileiro não agiu dessa maneira por desconhecimento. O ministro Celso Amorim foi embaixador em Genebra e conhece perfeitamente as regras. Pode-se argumentar que foram razões políticas que levaram a esse desfecho. Essas mesmas razões mostram, no entanto, que aqueles que agem dessa forma estão, no fundo, comprometendo o Mercosul, estão mostrando que eles mesmos não levam a sério o caráter de integração comercial proposto.

Esse debate não é ideológico nem político. Estamos falando de uma questão pragmática. O governo brasileiro cometeu um grave erro.

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Paulo Roberto de Almeida sobre o ingresso da Venezuela no Mercosul:

O Mercosul possui poucas regras, dotadas de alguma ambiguidade, sobre a adesão ou aceitação de novos membros. O assunto está regulado no Tratado de Assunção e em algumas poucas decisões do Conselho de Mercosul, todas elas requerendo a aceitação plena de seus principais instrumentos e mecanismos constitutivos para que o ingresso de um novo membro se concretize.
O que diz o Tratado de Assunção sobre a adesão de novos membros? O capítulo IV, em seu artigo 20, relativo à adesão é muito simples:
“O presente Tratado estará aberto á adesão, mediante negociação, dos demais países membros da Associação Latino-Americana de Integração, cujas solicitações poderão ser examinadas pelos Estados Partes depois de cinco anos de vigência deste Tratado. Não obstante, poderão ser consideradas antes do referido prazo as solicitações apresentadas por países membros da Associação Latino-Americana de Integração que não façam parte de esquemas de integração subregional ou de uma associação extra-regional. A aprovação das solicitações será objeto de decisão unânime dos Estados Partes.”
Algumas decisões do Conselho condicionam esse ingresso à aceitação de todos os instrumentos constitutivos do Mercosul – inclusive do Protocolo de Ushuaia, relativo à cláusula democrática no Mercosul – e suas principais normas de liberalização e de ordenamento comercial, entre elas a Tarifa Externa Comum, que constitui o dispositivo essencial de uma união aduaneira, o que o Mercosul pretende ser.
As regras são algo vagas, mas existem, e a Venezuela, ou qualquer outro candidato ao ingresso no bloco, deveria fazer o seu dever de casa, antes de poder ingressar no Mercosul.
Uma simples observação da realidade, com base em fatos objetivos e em declarações do próprio presidente da Veneuzeula, Hugo Chávez, confirma que a Venezuela não se encontra preparada, nem está sendo preparada, para ingressar no Mercosul, com base unicamente nos dispositivos de caráter econômico-comercial e não necessariamente aplicando o Protocolo de Ushuaia sobre vigência da democracia, que na verdade se aplica apenas às rupturas democráticas – ou seja, golpe de Estado e eventos do gênero – não a derrocadas plebiscitárias do regime democrático no país.
O presidente Chávez declarou publicamente, no momento em que decidia incorporar a Venezuela ao bloco, que achava este muito conservador ou liberal, e que pretendia transformá-lo em algo mais próximo de seus ideais, que como sobejamente conhecido é algo chamado “socialismo do século 21”. Em todo caso, ele não parece comprometido a cumprir os requisitos da liberalização comercial dentro do bloco e o da aceitação da TEC para fora do bloco, o que inviabiliza, ipso facto, o ingresso pleno da Venezuela no Mercosul.
Indo direto ao ponto, se pode dizer que o ingresso da Venezuela, nessas condições – de não cumprimento efetivo de clausulas fundamentais constantes de seus instrumentos constitutivos – pode fragilizar a arquitetura institucional do Mercosul, fazê-lo perder credibilidade política – do ponto do respeito a regras de caráter legal – e inviabilizar o seu funcionamento futuro enquanto união aduaneira e projeto de mercado comum.
É óbvio que um mercado comum, ou mesmo uma simples união aduaneira, requer a plena liberalização interna dos fluxos comerciais de bens e serviços e a aceitação, para fins externos, das regras de política comercial acordadas pelo bloco, das quais a TEC é a mais importante. Se a Venezuela não cumpre esses requisitos mínimos parece evidente que seu ingresso no Mercosul só pode ser feito em detrimento de sua estrutura jurídica, seus compromissos políticos e de sua respeitabilidade internacional.
Em uma palavra: ou a Venezuela aceita o Mercosul como ele é, e cumpre suas normas, ou o Mercosul deixará de funcionar como um bloco homogêneo como pretende ser. O que está em causa, portanto, é a própria sobrevivência do Mercosul.

1457) Um ajudante de Hitler confirma as ordens para o Holocausto

Essa escória humana foi fiel até a morte ao seu adorado líder e às suas idéias...

Memoirs of Hitler aide could finally end Holocaust claims
By Allan Hall in Berlin
Daily Telegraph, 30 Oct 2009

The memoirs of the last SS adjutant to Adolf Hitler are to be published in a move historians say could cast away the last shred of doubt over his personal involvement in the Holocaust.

Adolf Hitler with Fritz Darges Photo: WALTER FRENZ

Fritz Darges died at the weekend aged 96 with instructions for his manuscript about his time spent at the side of the Führer to be published once he was gone.
Darges was the last surviving member of Hitler's inner circle and was present for all major conferences, social engagements and policy announcements for four years of the war.
Experts say his account of his time as Hitler's direct link to the SS could discount the claims of revisionists who have tried to claim the German leader knew nothing of the extermination programme. Right-wing historians have claimed the planing for the murder of six million Jews was carried out by SS chief Heinrich Himmler.
Mainstream historians believe it inconceivable that Hitler did not issue verbal directives about the mass killings in Darges' presence. Other courtiers, such as armaments minister Albert Speer and propaganda chief Josef Goebbels, had their diaries published post war with no reference to hearing Hitler ordering the "Final Solution".
Darges died on Saturday still believing in the man who engineered the Jewish Holocaust as "the greatest who ever lived." His memoirs will be published now in accordance with his will.
Darges trained as an export clerk but joined the SS in April 1933. His zeal for National Socialism soon earmarked him for great things and by 1936 he was the senior adjutant to Martin Bormann, Hitler's all-powerful secretary.
"I first met the Führer at the Nuremberg party rally in 1934," he said in an interview given to a German newspaper shortly before his death at his home in Celle. "He had a sympathetic look, he was warm-hearted. I rated him from the off."
After serving in the SS panzer division Wiking in France and Russia he was promoted on to the Führer's personal staff in 1940. He rose to the rank of Lt. Col. and was awarded the Knights Cross, the highest gallantry award for bravery in the field.
Much of his time after 1942 was either spent at Hitler's eastern headquarters the 'Wolf's Lair' at Rastenburg, East Prussia, or at his holiday home, the Berghof, on a mountain in Berchtesgaden, Bavaria.
"It was a very familial atmosphere at the Berghof," he recalled. "One time we went off to Italy together with Eva Braun and her sister Gretel in an open-topped car.
"I had to organise all the finances. I had the feeling that Eva's sister was interested in me but I didn't think I should become the brother-in-law of the Fuehrer.
"As adjutant I was responsible for his day-to-day programme. I must, and was, always there for him, at every conference, at every inter-service liaison meeting, at all war conferences.
"I must say I found him a genius."
But Darges misjudged the "warm-hearted" Führer deeply during one conference at Rastenburg on July 18 1944 – two days before a bomb plot nearly succeeded in killing him.
During a strategy conference a fly began buzzing around the room, landing on Hitler's shoulder and on the surface of a map several times.
Irritated, Hitler ordered Darges to "dispatch the nuisance". Darges suggested whimsically that, as it was an "airborne pest" the job should go to the Luftwaffe adjutant, Nicolaus von Below.
Enraged, Hitler dismissed Darges on the spot. "You're for the eastern front!" he yelled. And so he was sent into combat.
But despite the dramatic end to his time with Hitler, he would still hear nothing against "the boss."
"We all dreamed of a greater German empire," he said. "That is why I served him and would do it all again now," said the man who had a career after the war selling cars.

1456) Arquivos liberados sobre a queda do muro de Berlim

National Security Archive Digest
22 Oct 2009 to 29 Oct 2009 (#2009-47)

George Washington University to Commemorate Fall of Berlin Wall and Collapse of Eastern Bloc

A Different October Revolution: Dismantling the Iron Curtain in Eastern Europe

From: National Security Archive

1455) Relações entre União Européia-Brasil, Rodada de Doha, PAC e Grupo de Cairns

Como no caso do post precedente, estas respostas minhas foram fornecidas a um estudante, mais precisamente uma pesquisadora de pós-graduação, e permaneceram inéditas até o momento. Talvez interesse a alguns os temas tratados. Eis a ficha do trabalho:
1911. “Questionário de Investigação sobre as Relações entre União Européia-Brasil, Rodada de Doha, PAC e Grupo de Cairns”, Niterói, 17 julho 2008, 3 p. Respostas a questões colocadas por pesquisadora, para Master em European Studies da Universidade de Siena, Montpellier e Coimbra.

Questionário de Investigação sobre as Relações entre União Européia - Brasil
Rodada Doha, PAC e Grupo de Cairns

Data e local: 17 de julho de 2008, Niterói, RJ
Nome do entrevistado: Paulo Roberto de Almeida (PRA)
Instituição para qual trabalha: Ministério das Relações Exteriores
Cargo /posição profissional: Ministro da carreira diplomática, professor universitário.

1. As relações comerciais entre a União Européia e o Brasil podem ser entendidas como uma reação do Brasil ao poderio negociador dos Estados Unidos e da ALCA a fim de obter mais poder de barganha nas rodadas de liberalização do comércio internacional? Se sim, como a União Europeia percebe isso? Se não, por quê?
PRA: As relações comerciais entre a UE e o Brasil têm uma longa história atrás de si, uma vez que elas são tradicionais no quadro do relacionamento bilateral entre o Brasil e cada um dos integrantes do esquema de integração europeu, precedendo de muito qualquer arranjo formal de caráter institucional (pois que remontando à própria formação histórica do Estado brasileiro e suas relações comerciais, desde sempre majoritariamente voltadas para a Europa ocidental). No plano histórico mais recente, deve-se registrar que essas relações comerciais precedem, seguem e acompanham quaisquer projetos dos EUA para a negociação de acordos comerciais específicos ao hemisfério americano (em especial a “Iniciativa para as Américas”, de 1990, proposta por George Bush, pai, assim como a Alca, iniciativa de 1994, do presidente Clinton), posto que desde o surgimento do Mercosul, em 1991, a então CE já propunha a intensificação das relações entre os dois blocos, primeiro sob a forma de um acordo de cooperação técnica (1991), firmado entre a Comissão Européia e os países do Mercosul (em sua fase de transição), depois desdobrando essa iniciativa no Protocolo de Madrid (1995), já prevendo a assinatura de um acordo de liberalização comercial e de intensificação das relações entre as duas partes.
Deve-se, portanto, reconhecer que, desde o início (e com inteira concordância do Brasil), a UE buscou intensificar suas relações com o Mercosul, independentemente de qualquer oferta, arranjo ou iniciativa dos EUA, em relação seja ao Mercosul, como bloco, seja em direção de cada um dos países membros do esquema sul-americano. Mas, deve-se reconhecer que a UE, como seria natural em situações de concorrência intensa pela busca de mercados e de oportunidades de negócios para suas empresas, preocupou-se em não permitir o acesso exclusivo dos EUA à possível ampliação dos fluxos de comércio e de investimentos aos países membros do Mercosul em decorrência de eventual acordo preferencial que fosse negociado e concluído entre estes países e os EUA (dentre os quais o Brasil se destaca naturalmente).
O Brasil igualmente – e isto vem praticamente desde a primeira conferência americana de Washington, em 1889-1890 – sempre se preocupou em equilibrar suas relações comerciais com seus parceiros mais importantes, barganhando as melhores vantagens possíveis tanto do lado europeu, tradicional em suas relações econômicas externas, como do lado americano, muito relevante desde o final do século XIX e extremamente importante no que se refere ao acesso de determinados produtos aos mercados consumidores. Cabe, com efeito, registrar igualmente, que o mercado europeu encontra-se concentrado mais nas commodities oferecidas pelo Brasil do que em produtos de maior valor agregado (manufaturados), que comparece de modo mais intenso nas relações comerciais entre o Brasil e os EUA.
O que a UE percebe, pragmaticamente, é que ela não pode deixar os EUA dominarem os mercados dos países da América do Sul de modo tão amplo quanto os EUA já dominam os fluxos com os países da América Central e Caribe, posto que os sul-americanos apresentam enormes oportunidades de intercâmbio e investimentos para as suas empresas. O Brasil e o Mercosul, tanto quanto a UE, percebem esse lado “compensatório” e tentam exercer o seu potencial de barganha, tanto quanto é possível nesse tipo de relacionamento complexo.

2. Quanto Portugal contribuiu e continua contribuindo política e economicamente para ser o promotor da parceria entre o Brasil e a União Européia?
PRA: Por afinidades históricas patentemente reconhecidas por ambas as partes, Portugal e Brasil mantêm um relacionamento muito estreito no que se refere à intensificação possível das relações políticas e econômicas entre este último e a UE. Cabe, no entanto, não exagerar nesse papel, uma vez que a UE é uma construção política e institucional extremamente complexa, dotada de “ferramentas” próprias para negociações econômicas externas – concedidas pelos países membros à Comissão Européia –, com muitos interesses nacionais projetados sobre as instâncias negociadoras de Bruxelas, interesses que são, no conjunto e individualmente superiores ao poder político e econômico do pequeno Portugal. Países como Alemanha, França, Itália e Reino Unido apresentam interesses econômicos tão importantes, ou até mais, no Brasil, do que Portugal, e parecem dispor de condições ainda mais fortes do que Portugal para fazer valer esses interesses na determinação das políticas (comerciais e outras) que serão seguidas pela UE em relação ao Brasil e ao Mercosul. Mas, pode-se dizer que Portugal de fato exerce um papel “patrocinador” dos interesses brasileiros (que são também os de seus nacionais e investidores residentes no Brasil e aqui dispondo de interesses concretos a defender) junto às instâncias comunitárias. O status de “parceiro estratégico” concedido ao Brasil pela UE certamente tem a ver com esse papel.

3. Quanto você acredita que o Brasil esteja disposto a ceder na área de serviços e quanto a União Européia esteja disposta a ceder na área agrícola para o êxito da Rodada de Doha?
PRA: Observando realisticamente o desenvolvimento das negociações comerciais, tanto no plano multilateral (Rodada Doha), quanto no plano birregional (Mercosul-UE) ao longo de mais de uma década de desenvolvimentos sempre frustrantes (desde 1995, praticamente), acredito que, tanto do lado brasileiro quanto do lado europeu, as possibilidades de concessões reais nos terrenos agrícola (do lado europeu) e industrial e de serviços (do lado brasileiro e do Mercosul) são muito modestas, para dizer o mínimo. Nenhum lado parece querer oferecer acesso efetivo aos seus mercados, que parece terem sido colocados num patamar de extrema sensibilidade recíproca, o que é efetivamente uma pena, tendo em vista que esse protecionismo só prejudica os interesses de seus respectivos consumidores.
Ambas partes, como é visível e patente, cedem continuamente aos lobbies setoriais e continuam a manter esses setores sob estrita proteção comercial e fechamento regulatório, concorrendo assim para um possível fracasso (ou resultado extremamente modesto) na Rodada Doha. Minha visão do processo não é muito otimista, uma vez que não vejo nenhuma das partes conduzindo as negociações, nos planos multilateral e bilateral, para a abertura efetiva dos respectivos mercados. Como em muitos outros exercícios negociadores, oportunidades serão perdidas de expandir comércio e abrir novas oportunidades de investimento uma vez que os negociadores políticos não parecem exibir a coragem de resistir aos impulsos e pressões protecionistas vindos de seus setores menos competitivos em escala econômica interna.
Assim, as concessões, se houver alguma, serão mínimas e estritamente condicionadas à necessidade de um acordo restrito no plano multilateral e eventualmente birregional.

Paulo Roberto de Almeida
Niterói, 17 de julho de 2008

1454) Impasses da Rodada Doha

O questionário que figura abaixo me foi submetido em julho de 2008, e se destinava a alimentar um Trabalho de Conclusão de Curso para estudante do CEABE-FGV-SP.
Verifico agora, que passados 15 meses das respostas fornecidas, pouca coisa mudou no cenário das negociações comerciais multilaterais. Resolvi, assim, tirar o inedetismo desse texto e publicá-lo neste meu blog, sem qualquer revisão ou mudança. Ele é divulgado tal como foi escrito, como sempre rapidamente, originalmente.

Impasses da Rodada de Doha
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 5 julho 2008
Respostas para elaboração de Trabalho de Conclusão de Curso para estudante do CEABE-FGV-SP

1. Em sua opinião, quais são os principais motivos para o impasse da Rodada de Doha?
PRA: De um lado, falta de capacidade dos países ricos em desmantelar seu arsenal de medidas protecionistas e seus mecanismos de subvenção na área agrícola, e, de outro, falta de vontade ou oposição política dos países em desenvolvimento em superar o protecionismo latente exercido em produtos industriais e em certas áreas de serviços. Adicionalmente, estes têm problemas em liberalizar amplamente os investimentos estrangeiros e aceitar normas mais intrusivas em propriedade intelectual e os países ricos ficam insistindo em criar novas regras de proteção a pretexto de defesa do meio ambiente ou como proteção a direitos trabalhistas e respeito a certas normas laborais. Nos dois casos, sentimentos protecionistas em ambos lados, submissão à ação de lobbies setoriais nacionais e desejo de continuar legislando em políticas setoriais, com práticas discriminatórias em várias áreas.

2. A atual crise econômica internacional pode emperrar ainda mais as negociações de Doha?
PRA: Pode, na medida em que reforça os elementos nacionais, discriminatórios, das políticas comerciais e industriais, com tentativas de defesa do emprego ou dos mercados nacionais. Por outro lado, como os preços dos alimentos encontram-se em patamares elevados, talvez isso diminua a necessidade de subvenções estatais, o que teoricamente poderia facilitar compromissos. Mas, agricultores chantagistas e políticos “espertos” alegam que, assim como os preços subiram, eles podem baixar, e portanto não têm a intenção de desmantelar o arsenal protecionista e subvencionista.

3. As nações desenvolvidas têm fortes políticas de subsídios à agricultura, pois alegam que alimentar sua nação é questão de segurança nacional e não de livre comércio. Porém , tais políticas desestimulam a produção de alimentos em países em desenvolvimento e distorcem os incentivos da produção e o consumo. Qual deveria ser a política da OMC em relação aos subsídios?
PRA: A OMC não tem uma política própria, pois não pode legislar por sua própria conta. Se pudesse, assim como outras entidades voltadas para a definição de políticas públicas em diversas áreas (como a OCDE, por exemplo), deveria simplesmente decretar a ilegalidade dos subsídios para fins comerciais, como ocorre na área industrial. Acontece, porém, que esses subsídios agrícolas foram legalizados na Rodada Uruguai, com a aprovação do acordo agrícola; agora fica mais difícil proibi-los. Em todo caso, a ministerial de Hong-Kong já acordou banir os subsídios à exportação de produtos agrícolas a partir de 2013, embora em condições e modalidades que não estão ainda de todo claras, pois algum “rebalancing” com tarifas diferenciadas e o recurso a medidas de exceção continuam à disposição dos países.
Essas políticas são claramente danosas aos países em desenvolvimento mais pobres, pois lhes retira qualquer possibilidade de se inserir na economia mundial com base em suas únicas vantagens comparativas possíveis no plano do comércio internacional, que seria a oferta de bens agrícolas em condições competitivas (ainda que isto não pudesse ser feito numa primeira fase).

4- Muitos analistas afirmam que o maior problema está entre o Brasil e os EUA, pois ambos não querem abrir mão de seus direitos nas negociações. Você considera que os dois países são realmente os pilares para o atraso de Doha?
PRA: Não; esses dois países foram responsáveis pelo desmantelamento das negociações da Alca, no plano hemisférico, mas os pecados que estão sendo cometidos em Doha envolvem um número bem maior de países. Praticamente todos são em grande parte responsáveis, embora as responsabilidades principais estejam, justamente, com os protecionistas agrícolas, de um lado (e aqui vale tanto para EUA e UE, como Japão, Coréia, Suíça, Noruega, China e India, além de vários outros em desenvolvimento), e de outro com os protecionistas industriais, Brasil e India em primeiro lugar, mas vários outros em desenvolvimento também. Registre-se que a posição da UE não é uniforme, pois alguns países querem a liberalização agrícola (Reino Unido), ao passo que outros lutam pelo mais amplo protecionismo (França).
Pecados devem ser uniformemente distribuídos entre os pecadores...

5. O single undertaking, um importante fato conquistado na Rodada do Uruguai poderá ser perdido, devido aos problemas de Doha?
PRA: O single undertaking não deve ser tomado como um princípio sagrado, inscrito nas tábuas da lei, como são, por exemplo, as regras do GATT. Trata-se de uma norma não escrita, ou seja, acordada entre os ministros para facilitar uma aceitação geral por todos. Teoricamente isso permite o exercício do direito de veto por qualquer país membro, por menos importante que seja. Na prática, sabemos que as coisas não se passam assim. Depois que os grandes parceiros comerciais conseguem chegar a um acordo entre eles, eles torcem o braço dos menores e os obrigam a aceitar os seus “compromissos”, ou seja, enfiam goela abaixo dos menos importantes regras que eles mesmos traçaram para eles. Como não há um processo decisório estritamente definido no GATT-OMC, não se sabe bem o que pode querer dizer esse entendimento único, pois ele é suscetível de diversas interpretações. Teoricamente, se deve chegar a uma situação em que todos devem se colocar de acordo sobre todos os pontos de negociação, num pacote uniforme e compacto que todos devem aceitar in totum, pois ele conterá benefícios mas também pílulas amargas. A realidade é que os acordos são construídos mediante certo consenso entre os grandes. Se algum pequeno tentar obstaculizar, pode atrasar certo tempo a conclusão do processo, mas será “convencido” a aderir.
Ou seja, não se trata de um “fato”, mas de um entendimento, que é suscetível de receber tratamentos variados segundo as linhas de força em jogo.

6. Dada as dificuldades, quais seriam as melhores soluções para que Doha seja finalizada? Deveria ser repensada a maneira de se fazer comércio internacional como mais acordos bilaterais e plurilaterais?
PRA: Nas áreas de acesso a mercados, fica difícil esse tipo de acordo, uma vez que vigem as regras de MFN e não discriminação. Pode-se pensar nesse tipo de acordo para setores específicos, como existe para a indústria aeronáutica civil, mas fica difícil para bens agrícolas e industriais.
Já existe a possibilidade de acordos regionais, administrados pelas regras do Artigo 24 do GATT ou pela Cláusula de Habilitação da Rodada Tóquio. Ver a este respeito, dentre outros trabalhos meus, um artigo sobre o minilateralismo disponível no site (link: http://www.pralmeida.org/05DocsPRA/1499Minilateralismo.pdf).
Não se concebe maneira de fazer acordos comerciais senão pela via multilateral e pela via regional, ou minilateral. O fato é que o sistema continua desagregado e fragmentado. Aparentemente vamos ter de conviver com esse regime menos do que satisfatório (second or third best).

Questões suplementares em 28.07.2008:
Complemento de respostas em 29.07.2008.


7) Se Doha não for concluída, você acredita que o sistema multilateral do comércio entraria em um colapso? O que isso significaria para o mundo?
PRA: Não entraria, mas passaria por uma fase muito difícil, com certo debilitamento dos mecanismos multilaterais de negociação e de solução de controvérsias e expansão das soluções “minilateralistas”, ou seja, acordos preferenciais ou de livre comércio entre parceiros seletivos, aumentando, portanto, o grau de discriminação comercial. Em termos globais, significa que a interdependência ativa, ou seja, o processo de globalização avançaria de forma mais lenta, e com muitas áreas submetidas a acordos restritos e parciais.

8) Para o Brasil quais seriam os benefícios de Doha?
PRA: Maior acesso a mercados para seus produtos competitivos, em especial agricultura, e maior pressão no mercado interno, com competição externa de produtos industriais, o que também é interessante, pois significa que a indústria nacional teria de fazer um esforço adicional, em termos de qualidade e preços, para se manter competitiva. No conjunto, reforço dos mecanismos dos esquemas multilaterais de acesso a mercados e de solução de controvérsias, em lugar de arbitrariedades praticadas de maneira unilateral, como ocorre em alguns setores atualmente. Os benefícios regulatórios talvez sejam ainda mais importantes do que a simples quantificação de ganhos de mercado.

9) Na sua opinião, compensa para o Brasil negociar apenas o setor agrícola e "esquecer" da indústria e do serviço? Quais poderiam ser os prejuizos e benefícios desta estratégia brasileira?
PRA: Mesmo que desejasse, hipoteticamente, não seria possível ao Brasil negociar apenas um pacote agrícola, pois os princípios (mesmo informais) que regem uma negociação desse tipo implicam que todos os países têm o direito de colocar seus interesses ofensivos (demandantes) na mesa e esperar compensação por vantagens concedidas a outros parceiros comerciais. No cômputo global, os países de pautam pela regra do “single undertaking”, ou seja, de que os resultados devem ser globalmente aceitáveis para todos, num pacote único e interrelacionado.

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 4 de julho de 2008
Complemento em 29.07.2008

1453) Uma visao hilariante sobre a crise financeira

Registre-se que este programa de auditório é de outubro de 2007, e precede, portanto, a fase mais aguda da crise financeira nos EUA, mas retrata com exatidão a natureza da crise, mais até do que qualquer estudo sério. A despeito do tom de piada, a análise econômica é perfeita, e nenhum economista, liberal ou keynesiano, precisaria acrescentar qualquer outro elemento de explicação, salvo, é claro, pelo fato de que eles ignoram a responsabilidade do Estado pelo estado de coisas que criticam de forma hilariante...

The South Bank Show
14/10/2007.

The Long Johns - The Last Laugh - John Bird, John Fortune - George Parr
http://www.youtube.com/watch?v=tAAI0h9aFSo

1452) Uma simples tomada, ou plugue, ou seja la como se chame - um protesto cidadao

O assunto nao tem nada a ver com este blog, mas apoio integralmente a reclamacao deste cidadao contra a nova tomada proposta pela ABNT e Inmetro, objeto de matéria na Veja sobre a "jabuticaba" brasileira...

Assunto: Ingerência da ABNT e do Inmetro na economia popular.

Prezado Sr. Presidente da Comissão de Direitos Difusos e Coletivos

Esta carta focaliza as normas recentemente estabelecidas pela ABNT e pelo Inmetro para a mudança do padrão brasileiro de plugues e tomadas elétricas. Mais especificamente, focaliza as exigências complementares relacionadas com essa mudança, as quais, estou convicto, são abusivas pois atentam contra a liberdade de escolha do cidadão e contra a economia popular.
O assunto tem sido destacado pela mídia e é objeto de uma reportagem na revista Veja desta semana (edição 2136, pp. 100-101).
Em essência as normas foram modificas em duas áreas: (1) o aterramento das tomadas passa a ser obrigatório; (2) - o formato das tomadas e plugues mudou de forma tão radical que o hoje o brasileiro não pode comprar um eletro-eletrônico novo sem ao mesmo tempo comprar ou um adaptador de plugues - o conhecido benjamim - ou uma nova tomada. O novo plugue é de embutir e de dimensões completamente diferente dos utilizados na maioria dos outros países, conforme muito bem ilustrado pela Veja.
A razão apresentada é a da maior segurança. Está correta no caso (1), do aterramento. Mas vira uma desculpa fajuta no caso (2), da mudança radical do formato.
Em primeiro lugar todos os países do Primeiro Mundo usam tomadas planas e não de embutir, exatamente países que praticam as mais severas regras de segurança observadas no Mundo.
Em segundo lugar, o mais importante item de segurança é a qualidade dos materiais que compõe as tomadas e os plugues, em particular a qualidade dos plásticos utilizados, qualidade essa relacionada com a integridade física e com grau de resistência (impedância) que esses plásticos oferecem à passagem da corrente elétrica. No caso do Brasil essas tomadas e plugues nunca passaram de umas grandes porcarias e continuam, os novos modelos, as mesmas porcarias, que nunca entrariam em nenhum país que tenha referências de qualidade. Para ver as novas porcarias, basta entrar numa loja especializada em produtos de eletricidade e comprar uma.
Em terceiro lugar, como bem destaca a Veja, não está ocorrendo nenhum surto de choques elétricos no país, que justifique esse assalto ao bolso do brasileiro. A exigência do aterramento poderia ser cumprida facilmente, sem nenhuma modificação nos formatos das tomadas e dos plugues.
Por quê então a ABNT e o Inmetro modificaram aqueles formatos. O comentário geral é que essa modificação visa dificultar o acesso dos brasileiros a produtos eletro-eletrônicos importados. E é aqui que entram as normas complementares extremamente abusivas, desrespeitosas, mencionadas no primeiro parágrafo, principal motivo desta minha vinda a essa ilustre Comissão de Direitos Difusos e Coletivos.
Segundo a revista Veja a ABNT e o Inmetro (1) vão proibir a entrada no Brasil de produtos estrangeiros cujos plugues não sejam idênticos aos produzidos internamente e (2) vão proibir a comercialização de adaptadores, de benjamins, no mercado interno. Mas o que é isso?
Quer dizer que nós brasileiros não podemos mais trazer do exterior uma câmara fotográfica digital, um notebook, um iPhone, um secador de cabelo, um rádio ou outro aparelho de som, mesmo pagando esses impostos extorsivos que nos são cobrados, só porque o plugue não é o daqui? E se jogarmos os plugues fora e entrarmos com produtos sem-plugue, então pode? A ABNT e o Inmetro têm autoridade legal para jogar tamanha aberração na cara do povo brasileiro?
E essa história de proibir a comercialização de adaptadores, de benjamins. Isso tem sentido? Quer dizer que se um brasileiro precisar comprar um adaptador de outro brasileiro eles não podem fechar negócio, se não vão ser presos? A ABNT e o Inmetro têm autoridade legal para impedir a produção e comercialização de adaptadores de plugues?
O povo brasileiro já é um dos povos mais isolados do Mundo e um povo isolado é um povo sem referências. E um povo sem referências fica sem meios para aferir o nível de qualidade das instituições e dos produtos á sua disposíção. É essa falta de referências que leva o povo brasileiro a aceitar passivamente a calamidade da saúde pública, a mediocridade do sistema educacional, a falta de acesso à justiça, a corrupção generalizada e o baixíssimo nível de qualidade dos produtos oferecidos pela produção local.
Aberrações como essas humilham o povo brasileiro, decepam a sua cidadania e pioram e muito o seu estado de isolamento. A compra de um produto estrangeiro não é uma mera operação material, ela representa um encontro de culturas e uma troca de experiências tecnológicas, indispensáveis para a constituição de referenciais de qualidade. É fundamental que os brasileiros continuem trazendo seus plugues e tomadas do exterior para que vejam com os próprios olhos e tomem consciência das porcarias que estão sendo obrigados a adquirir com o suor do seu trabalho.
Por essas razões vim, humilde mas enfaticamente, perguntar a V,Sa.: (1) a ABNT e o Inmetro têm autoridade legal para perpretarem as monstruosidades acima mencionadas?; (2) em caso negativo seria possível para sua ilustre Comissão de Direitos Difusos e Coletivos levar o assunto ao judiciário?
Torço para que esse assunto seja da alçada de sua Comissão e que V.Sa. encontre o entusiasmo necessário para discuti-lo.
Sem mais, agradeço profundamente sua tão preciosa atenção.

Sinceramente,
Marco A C Martins.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

1451) Republica Sindical em marcha...

Aliás, já chegamos lá, apenas ainda não percebemos isso...

Horário sindical gratuito
Agências, 29 de outubro de 2009 – 10:06 -

CUT, Força Sindical, CGTB, CTB, Nova Central e UGT vão divulgar um
documento para pressionar o Planalto e o Congresso pela criação de um
“horário sindical gratuito”. Segundo o Painel da Folha, o horário
seria como a cadeia nacional de rádio e TV de que se beneficiam os
partidos políticos. A ideia está num projeto de lei que chegou à
Câmara na semana passada. As centrais reivindicam ainda um canal de TV
aberto e a adoção de critérios de distribuição de publicidade alheios
a números de audiência e circulação.

1450) Clausula democratica do Mercosul: texto de referencia

Transcrevo abaixo o Protocolo de Ushuaia, que passa por uma "cláusula democrática" do Mercosul. Pessoalmente, considero "fraquinho" esse documento, inferior, em todo caso, ao Compromisso Democrático da OEA, que coloca com clareza o que é uma democracia.
Mas é o que temos no Mercosul e como tal pode servir de referência para certos regimes:

Protocolo de Ushuaia (1998)
A República Argentina, a República Federativa do Brasil, a República do Paraguai e a República Oriental do Uruguai, Estados Partes do MERCOSUL, assim como a República da Bolívia e a República de Chile, doravante denominados Estados Partes do presente Protocolo,
REAFIRMANDO os princípios e objetivos do Tratado de Assunção e seus Protocolos, assim como os dos Acordos de Integração celebrados entre o MERCOSUL e a República da Bolívia e entre o MERCOSUL e a República do Chile,
REITERANDO o que expressa a Declaração Presidencial de las Leñas, de 27 de junho de 1992, no sentido de que a plena vigência das instituições democráticas é condição indispensável para a existência e o desenvolvimento do MERCOSUL.
RATIFICANDO a Declaração Presidencial sobre Compromisso Democrático no MERCOSUL e o Protocolo de Adesão àquela Declaração por parte da República da Bolívia e da República do Chile,
ACORDAM O SEGUINTE:
ARTIGO 1 - A plena vigência das instituições democráticas é condição essencial para o desenvolvimento dos processos de integração entre os Estados Partes do presente Protocolo.
ARTIGO 2 - O presente Protocolo se aplicará às relações que decorram dos respectivos Acordos de Integração vigentes entre os Estados Partes do presente protocolo, no caso de ruptura da ordem democrática em algum deles.
ARTIGO 3 - Toda ruptura da ordem democrática em um dos Estados Partes do presente Protocolo implicará a aplicação dos procedimentos previstos nos artigos seguintes.
ARTIGO 4 - No caso de ruptura da ordem democrática em um Estado Parte do presente Protocolo, os demais Estados Partes promoverão as consultas pertinentes entre si e com o Estado afetado.
ARTIGO 5 - Quando as consultas mencionadas no artigo anterior resultarem infrutíferas, os demais Estados Partes do presente Protocolo, no âmbito específico dos Acordos de Integração vigentes entre eles, considerarão a natureza e o alcance das medidas a serem aplicadas, levando em conta a gravidade da situação existente.
Tais medidas compreenderão desde a suspensão do direito de participar nos diferentes órgãos dos respectivos processos de integração até a suspensão dos direitos e obrigacões resultantes destes processos.

1449) Sobre comentaristas anonimos, e seus comentarios: diretrizes "políticas"

Este espaço, como qualquer outro espaço do mesmo gênero, serve, obviamente, a uma causa privada e ao mesmo tempo pública, aliás várias: a coleta e a disseminação de informações, de análises, enfim materiais inteligentes sobre questões relevantes de interesse individual.
Todo mundo é livre para constituir um blog, e este tipo de interação -- arquivo e divulgação de materiais -- é uma das poucas coisas livres no capitalismo global, contrariando (mas apenas parcialmente) Milton Friedman, que dizia que não havia almoço grátis: se você tem algo grátis, é porque algum outro está pagando (no caso, os grandes capitalistas das comunicações e informações, que tiram os seus lucros de produtos derivados, e permitem aos "proletários" do cyberspace, como este que aqui escreve, desfrutar de algo gratuito durante certo tempo).

Pois bem, escrevi o que precede porque mantenho este espaço, que se dedica a postar e disseminar materiais sobre os temas de MEU interesse: um pouco de tudo, com ênfase em temas de relações internacionais e de política externa brasileira, tanto por curiosidade intelectual, como por necessidade acadêmica, como também por conexões profissionais ou corporativas.
Sou eu quem decido o que postar e quando postar, e esse é o mínimo de liberdade de que dispõe quem escreve ou posta num espaço privado em foro público.
Mas, não tenho, obviamente, controle sobre o que escrevem os frequentadores e comentaristas neste blog: eles são absolutamente livres para fazê-lo, e tenho procurado acolher praticamente todos os "interventores" neste espaço.
Algumas condicionalidades são, no entanto, aplicáveis: o comentário precisa ser pertinente ao objeto em causa, precisa ter um mínimo de coerência intrínseca, não ser apenas interlocutório -- do tipo "superbo", "magnifíco", pois isso serve apenas de penduricalho, não acrescentando nada de relevante -- e não ser ofensivo -- e, acreditem, recebo muita coisa ofensiva, de gente inconformado com o que posto, ou com meus comentários e posições.
Quando isso está no limite do pertinente, eu acabo publicando, quando é apenas acessório ou dispensável, posso descartar, mas alerto que são extremamente raros esses casos.

Uma outra reflexão se prende à questão do anonimato.
Tenho plena consciência de que existem aqueles que, por necessidades de "serviço" -- alguns até colegas de carreira, preferem se manifestar anonimamente. Geralmente o fazem em tom comedido, indireto, irônico ou literário, revelando inclusive uma grande cultura geral, mas o desejo, sempre implícito, de se resguardar quanto a uma excessiva exposição pública. Compreendo e não tenho censura.

Esiste, porém, uma outra categoria de comentaristas anônimos se manifestam de forma raivosa, até insultuosa, e é a estes que dedico o resto de meus comentários, já feitos bilateralmente a um desses anônimos agressivos.
Em lugar de agregar um comentário minimamente inteligente, discutindo fatos, ou até versões, eles preferem rosnar, ao não concordar com determinadas matérias.
Assim fazendo, esses anônimos da desinteligência, só conseguem provar uma coisa, aliás duas:
1) Não conseguem conviver com a liberdade de expressão e são incapazes de formular idéias concatenadas, preferindo ofender, xingar, rosnar, como cães raivosos, incômodos, mas finalmente estúpidos, posto que incapazes de convencer pela persuasão ou pela razão, posto que não têm nenhuma;
2) São incapazes de se manifestar de forma democrática e transparente, daí o recurso ao anonimato, que é uma forma tipicamente covarde, envergonhada, idiota, de se expressar.

Como eu não tenho problemas com idiotas desse tipo, pois eles só causam mal à sua própria causa, eu acabo publicando as bobagens aqui postadas, num espírito de tolerância com quem nao exibe nenhuma.
Esse tipo de anônimos, na verdade, são basicamente uns covardes da expressão, e uns incompetentes na argumentação...

Preferi alinhar estes comentários de forma clara pois hoje mesmo recebi um desses rosnados raivosos, que em lugar de alinhar argumentos racionais CONTRA os meus argumentos ou posições -- ou contra as posições daqueles que acabo acolhendo aqui, por falta de tempo para desenvolver argumentos similares ou semelhantes -- se dedica apenas a agredir e a xingar.
Obviamente não sou obrigado a publicar esse tipo de material desagradável ou totalmente sem sentido.
Portanto, anônimos, fiquem avisados: atenham-se a uma argumentação pertinente, até contrária, ao objeto em causa, pois que simples rosnados não serão considerados.

Paulo Roberto de Almeida
29.10.2009

1448) Nao faltam idiotas no mundo: suite et (pelo menos espero) fin...

Bem, os idiotas responderam. Ok, ok, não foram os idiotas, me corrijo imediatamente.
Foram os espertos dos programadores americanos, que fizeram um formulário tão inteligente que até um idiota pode utilizar. (Como já escrevi: como é que os incompetentes dos antiimperialistas fariam se não dispusessem de tal tecnologia amigável, disponibilizada de graça pelo imperialismo, para a mobilização mais fácil e rápida do maior número de idiotas espalhados por aí?)

Como vocês leram no post anterior, eu assinei um manifesto idiota, em favor do MST, com esse nome, exatamente: José Idiota...

Não é que o programa (que não é idiota) me respondeu? E já preparou uma mensagem para eu mandar a outros idiotas que se disponham a assinar.
Segue aqui abaixo, para supresa dos idiotas como eu...

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Dear Friends,
I have just read and signed the online petition:
"Manifesto em defesa do MST"
hosted on the web by PetitionOnline.com, the free online petition service, at:
http://www.PetitionOnline.com/boit1995/
I personally agree with what this petition says, and I think you might agree, too. If you can spare a moment, please take a look, and consider signing yourself.
Best wishes,
Jose Idiota dos Santos Alienado

==========

Bem, chega de idiotices por hoje. Vou me ocupar de coisas mais sérias...
Paulo Roberto de Almeida (de verdade...)

PS.: Eu ainda acho que a turma do MST e os idiotas dos seus apoiadores deveriam agradecer publicamente o apoio tecnológico do imperialismo americano... Sans blague...

1447) Nao faltam idiotas no mundo (e como...)

Isso, na verdade, eu já sabia. Mas queria testar quantos, exatamente, existiam no mundo, ou pelo menos no Brasil, e cheguei à conclusão de que eles são muitos, incomensuráveis, inclusive nos lugares mais incríveis, onde poderíamos pensar que eles seriam menos numerosos, como nas universidades públicas, por exemplo.
Meus teste foi assinar o Manifesto em defesa do MST, uma petição dirigida à sociedade brasileira, segundo o formulário eletrônico baseado num software americano (ah, se não fossem essas modernas tecnologias desenvolvidas pelo imperialismo, como é que a esquerda iria conseguir se mobilizar?).

Pois, bem, eu fui, nesta madrugada de 29 de outubro de 2009, o assinante número 4968, e assinei sob o nome sugestivo de:
"Jose Idiota dos Santos Alienado".

Ou seja, antes de mim, outras 4.967 pessoas, algumas idiotas, outras nem tanto, assinaram o tal manifesto.
Cheguei até a encontrar conhecidos meus (o que fez diminuir minha apreciação por eles) na lista em questão (que pode ser conferida neste link)

Eu sei que fiquei de comentar esse manifesto, o que talvez faça em algum momento. Confesso que não tive tempo para me ocupar de tamanha idiotice, tendo coisas mais importantes para fazer. Também acho que não vale a pena perder tempo com tamanha bobagem.
Talvez eu escreva algo sobre o mito da reforma agrária, na minha série dedicada às "falácias acadêmicas".

Concluindo, portantdo, sabemos agora que o número de idiotas no mundo, no Brasil em particular, é muito grande, daí o meu pessimismo com o Brasil, que caminha para um retrocesso certo, com a ajuda (talvez inconsciente) de todo este povo:

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Acho que não preciso dar o endereço de como encontrar esse manifesto idiota.
Qualquer idiota é capaz de fazê-lo, com perdão pelo uso da expressão em relação aqueles legitimamente interessados no estudo de uma idiotice sociológica...

Addendum (dez minutos depois).
Foi só eu virar as costas que mais dois idiotas vieram atrás de mim, ou melhor, de meu alter ego ocasional, como se pode constatar abaixo.
Escondi o nome dos demais idiotas para não ofender ninguém...

Name
4970. Xxxx Xxxxxxx
4969. Zzzzzz Zzzzzzz Zzzzz
4968. Jose Idiota dos Santos Alienado (este que vos escreve...)
4967. Ttttt Sssssss
4966. Mmmmmml Sssssss
4965. Lllllll Vvvvvv
4964. Rrrrrr Ppppppp
4963. Aaaaaa Mmmmm
4962. Aaaaaa Bbbbbbb Bbbbbbb
4961. Ssssss Tttttt
4960. Rrrrr